13 de out de 2015

cansaço de beira de estrada

Infância vivida em quatro cidades diferentes, em mais de 8 escolas, casas pra se perder a conta. Intercâmbio. Saída da casa dos pais. Nenhuma rua pra chamar de sua. Estradas que levam a vários lugares.
essa coisa de acordar de manhã e pensar: "é hora de partir" não é nada nova.
A questão é que o que eram anos, hoje são semanas. A mudança, o caminhão, o guarda-roupa desmontado, agora é uma mochila que você dobra e desdobra.
E você se vê num caminho olhando um mapa. As paisagens ficando pra trás de maneira muito rápida. Uma vista atrás da outra e assim sucessivamente. A vista das coisas, das memórias e das pessoas. Como construir algum vínculo com algum caroneiro ou taxista que é a coisa mais profunda dos últimos dias. E já ficou para trás. Ou sentar em um banco com um desconhecido que vira o melhor amigo das últimas horas - porque ele te fez reparar no céu mais uma vez.
No fim, mesmo que se saiba: não é pra sempre. Logo, logo, a segurança volta - de vez. Aquela segurança que se passa quando se enxerga os morros de Santa Maria, que se passaria se passasse por Rio Verde, Santa Rosa, Montevidéu... Santa Maria. Logo, logo, se tem o lugar e a paisagem e a rua que vai ser sempre o que se enxerga da janela. E a memória. Logo, logo...

A verdade é que o pior dos cansaços chega durante o fim de tarde.

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