25 de set de 2015

Um gosto de sol

A adolescência e a infância me vem como um soco. Dos tempos que se lia literatura e se vivia literatura. Não era preciso enfrentar o mundo, devia-se nada. O abrigo, tão certo. Crescer é coisa que rasga a gente. Por tanto tempo eu tentei negar o irremediável amadurecimento. Viver naquela vida de dentro da gente. Até o limite. O limite é ver que já não se pode porque não se tem mais escolha. O limite é olhar para uma janela e querer estar em qualquer lugar passado do mundo. Nem na literatura, na escrita, poderia se encontrar.
Queria não crescer. Mas crescendo, queria saber como fazer isso sem perder aquele quê de vida que se tinha na infância. Não se encontra a vida pelos mesmo caminhos de outrora. Não se encontra a vida no mesmo lugar da cabeça dos 12 anos de idade. Não se encontra a vida nos mesmos canais. Eu não sei mais onde encontrar a vida.

Eu olhei para a foto dos meus antigos amigos. Senti vontade de chorar. Já não existia. Eu olhei para a literatura que tinha em outros tempos. Senti vontade de chorar. Já não existia. Eu olhei para olhos de quem me fez perder e ganhar tanto tempo. Já não existia, mas dessa vez não pude sentir vontade de chorar.

Eu queria encontrar a vida simples em que se respira simples e literariamente. Eu queria encontrar o gramada verde e o céu. E nada muito mais que isso. A vida que se tem na entrelinhas das coisas. Eu queria encontrar a entrelinha de tudo.

Eu queria respirar nas entrelinhas de tudo. As entrelinhas de tudo são aquele coisa-espaço-tempo em não se deve e o tempo todo te pertence.

Parece que a coisa-espaço-tempo que existe junto com ele me traz isso de não se dever nada, o pertencimento do tempo, e a literatura.

Aquele tom de voz vem junto com a suavidade de adolescência.

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