8 de set de 2015

Da psicanálise à psicologia social (Enrique Pichón-Riviére)


"Mas, desde que nos lembremos que dizer é renovar, definiremos sem dificuldade uma espiral: é um círculo que sobe sem nunca conseguir acabar-se.(...)”

(Fernando Pessoa)


Os Grupos Operativos

Pichón traz a teoria dos grupos operativos, por volta da década de 60, como um novo modo de refletir sobre a realidade e potencializar transformações a partir das produções grupais.
Na prática, com os grupos formados, experiencia-se a teoria e a vivência dos grupos em si mesmos. Os componentes do grupo estudam e discutem a teoria dos grupos operativos, visualizando os desafios que lhes surgem durantes os encontros. Dessa forma identifica-se os fenômenos grupais, aos quais se integrarão mais tarde.


Aprendizagem – comunicação – esclarecimento  → diminuição do medo e integração do eu.

A integração do Eu, por sua vez, possibilita mecanismos de intercâmbio e transcendência.
O que se segue, neste processo, é a posição depressiva que permite a constituição de identidade e de um sistema de comunicação que facilita a aprendizagem de leitura da realidade.
Em síntese, passar pela posição depressiva, no processo de correção das estruturas do Eu, é passar pelo processo de (re)integração do Eu, diminuindo os medos básicos provocados pelo processo desencadeante.
Trata-se, também, e um processo em que se diminui a culpa e a inibição; o corre o insight, colocando em marcha mecanismos de reparação, criação, simbolização , sublimação, etc.. Dessa forma, constrói-se o pensamento abstrato – resultando em fins de estratégia, técnica e logística de si mesmo e dos outros mais flexíveis e úteis nas condições em que o sujeito se encontra.

Tarefas frente à patologia

1)      Pré-tarefa;
2)      Tarefa, e
3)      Projeto.


Pré-tarefa: ocorre a partir das técnicas defensivas que estruturam o que se denomina resistência de câmbio, mobilizadas pelas ansiedades de perda e ataques.
Essa técnica posterga a elaboração dos medos básicos. Estes, por sua vez, ao intensificarem-se, operam como obstáculo epistemológico da leitura da realidade. Os medos básicos sustentam a distância entre o real e o fantasiado.
Pode-se dizer que se observa, nos medos básicos e ansiedades manifestas, formas de não iniciar a tarefa.
Neste ponto, Pichon traz o conceito de espontaneidade como oposto de impostura. Isto é, a falta de presença de si mesmo; o autoestranhamento; a significação reduzida de si; a alienação. Ainda, a falta de revelação de si mesmo, denominação enquanto homem/mulher. Na impostura, as situações e seus comportamentos lhe são estranhos.

A tarefa: consiste na elaboração e abordagem das ansiedades e na emergência de uma posição depressiva básica, na qual o objeto de conhecimento (o Eu?) se faz penetrável por uma ruptura de uma questão dissociativa e estereotipada, que tem funcionado como fator de estancamento da aprendizagem da realidade e de deterioração da rede de comunicação.


Espiral: movimento constante de adaptação à situação.
Na dificuldade de adaptação, compreender os medos básicos e as defesas que
prejudicam essa tarefa, assim como prejudicam a leitura da realidade, e, por consequência, prejudicando a se ter um modo de existir verdadeiro - surgindo o não ser espontâneo. Compreendendo, abordar, elaborar e superar esse medos básicos e essas defesas (que se manifestam em neuroses, psicoses, perversões, etc.), a partir de táticas e estratégias quanto ao manejo situacional da vida do indivíduo. Superando, o sujeito está modificado.Modificado, o sujeito modifica a situação, em seu retorno.Dessa forma, surge uma nova situação.
E novamente, é preciso elaborar a situação e si mesmo, renovar-se, experienciar-se, modificar-se - modificando a situação, modificando a si mesmo, novamente a situação...



Referência:


Pichon Rivière, E.  (1982). "Prólogo".  "Noción de tarea en Psiquiatría".  "Aportaciones a la didáctica de la Psicología Social".  En:  El  proceso grupal.  Del psicoanálisis a la Psicología Social (1).  Buenos Aires:  Ediciones Nueva Visión.

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