26 de set de 2015

As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo – Lênin

As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo – Lênin

I – A primeira parte trata-se da filosofia marxista: o materialismo histórico dialético

II – A segunda parte do marxismo é sobre os estudos do regime econômico, presentes, principalmente, na principal obra O Capital.

III - Por fim, a última parte que constitui o Marxismo, segundo Lênin, é a teoria do desenvolvimento histórico das lutas de classes e das revoluções sociais.

Lênin desenvolve no livro As Três Fontes alguns conceitos dos trabalhos de Marx e Engels:

O Materialismo Filosófico: Marx, no início da formação de suas teorias é bastante influenciado por Ludwig Feuerbach devido a sua contraposição a Hegel e afirmação pelo materialismo. Para Marx, o pensamento é reflexo do movimento da realidade “transportado e transposto” ao cérebro humano, contrapondo a visão idealista de Hegel, em que a ideia cria a realidade.

O próprio pensamento e a consciência, na concepção marxista, tratam-se de um produto do cérebro do homem, que, por sua vez, é um produto da natureza, “que se desenvolve em seu meio e com o seu meio”.

Dessa forma, o homem não se contrapõe à natureza, mas é conforme ela. Dentro disso, para Marx e Engels, a liberdade do homem existe no conhecimento das necessidades impostas pela natureza. Ou seja, consiste na transformação dialética da necessidade em liberdade, a partir do reconhecimento das leis da natureza.

No entanto, Marx e Engels criticaram, essencialmente, esses três pontos no materialismo antigo:
1) O mecanicismo – por não considerar “o desenvolvimento moderno” da ciência (química, biologia, etc.);
2) Ser metafísico, e não histórico e dialético;
3) A concepção de ser humano como algo abstrato – não é determinado concretamente pela história; interpreta, mas não transforma.


A dialética: Marx e Engels perceberam na dialética proposta por Hegel uma forma de integrá-la à concepção materialista da natureza.

Nesta perspectiva, a dialética é “a ciência das leis gerais do movimento, tanto do mundo exterior como do pensamento humano” (Marx). O mundo deve ser compreendido como um complexo de coisas em processo constante de transformação, do porvir, por mais que os conceitos e reflexos intelectuais pareçam estáveis na mente humana.

Tanto Marx, quando Hegel consideravam que a teoria do conhecimento dialética deve perceber o objeto a partir de um ponto de vista histórico, com origem passível de generalização.


A Concepção Materialista da História: Na obra Contribuição para a Crítica da Economia Política, tem-se a formulação de Marx sobre o materialismo aplicado à sociedade e história humana.

Esse trabalho traz a ideia de que as relações humanas são determinadas e necessárias, a partir das relações de produção correspondentes ao nível de desenvolvimento das forças produtivas. Por sua vez, essas relações de produção constituem a estrutura econômica social, que é base para toda a superestrutura jurídica e política, e para consciência social.

Em determinada etapa do desenvolvimento, as forças de produção entram em contradição com as relações de produção, em que se abre, na concepção marxista, o tempo de revolução social.


A Luta de Classes: Para Marx e Engels, a história da sociedade foi marcada pela luta de classe. A oposição entre a classe burguesa e a do proletariado gerava conflitos que resultavam em uma revolução social ou na destruição total da sociedade.

Enquanto a classe média não é verdadeiramente revolucionária, pois apenas se opõe à burguesia para defender os seus interesses e a sua própria existência futura.


O Valor: Mercadoria: satisfaz as necessidades humanas e se troca por outra. A utilidade gera o valor de uso. O valor de troca é a proporção na troca de uma quantia de valor de uso de uma espécie por outra.
Todos os valores são produtos do trabalho.

Ou seja, a troca de produtos gera relações equivalentes entre os tipos de trabalho.

No entanto, o valor não é determinado particularmente por trabalhos de gêneros determinados, mas pelo trabalho em geral. Cada mercadoria é representada por uma porção de tempo de trabalho socialmente necessário. Dessa forma, os trabalhos que são diferentes são considerados iguais.


A Mais-Valia: A força de trabalho humana é comprada pelo possuidor da moeda, a partir de seu valor determinado como o de uma mercadoria qualquer: pelo tempo de trabalho socialmente necessário à produção, ou seja, o custo das necessidades do trabalhador e de sua família. Porém essa mercadoria possui a característica de ser fonte de valor, isto é, o consumo da força de trabalho humana é, ao mesmo tempo, um processo de criação de valor.

A mais-valia é comparada unicamente ao capital variável (empregado para pagar a força de trabalho). O valor deste capital aumenta simultaneamente ao processo do trabalho. Dessa forma se expressa o grau de exploração da força de trabalho pelo capital.

Há duas formas para se aumentar a mais-valia: aumentando a jornada de trabalho (mais-absoluta) ou diminuindo o tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa). A tática da luta de classes do proletariado: para Marx, há dias em que se pode ter concentrado em si mesmos 20 anos. Ou seja, para cada período é necessário que a tática do proletariado tenha em sua percepção a dialética histórica da humanidade. Há os momentos de estagnação política, em que devem ser aproveitados para ampliar a consciência e acumular forças da classe. Porém, há os momentos que “concentram em si os 20 anos”, em que a classe deve ter em sua orientação o objetivo final.

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