25 de ago de 2015

Adiamento do processo dialético

Qual é o tempo que se tem para a produção de conhecimento? De se aventurar pelas teorias, entrar em conflito, viver o processo dialético real. Me pergunto, mesmo, e justamente por acreditar que deveria estar nesse tempo, mas não consigo.

Acontece (ou parece) é que o tempo (de graduação) é um tempo de receber o conhecimento daqueles que já passara pelo tempo-processo de produção (e olhe lá). E parece, ainda, que há um longo caminho a ser percorrido para que um dia (eu no meu início de quarto ano universitário, 20 anos, etc.) consiga produzir, questionar, ter algum movimento criativo nesse processo todo. Aí, vai ter alguém que vai ler isso aqui e pensar que é tudo arrogância minha, achar que tão cedo posso produzir algo, falar algo, questionar algo, dizer que eu não acho que é por aí, ou que eu prefiro ir por ali e blábláblá e, que, eu devo respeitar a hierarquia informacional para um dia “chegar lá”. Eita. Haja paciência. E haja força de vontade pra não deixar morrer muitas coisas.

Os pingos precisam ser colocados nos i’s, e tudo tem que ficar (en)quadradinho na cabeça. Cada um no seu quadrado (eu, o professor, o amigo que faz rap na sexta e trabalha com redução de danos, o produtor rural que vive a sua vida não tem nada a ver).

E, ta, cada território é um território. “Subjetividade é com Freud, Marx é totalmente objetivo. Se quer saber do indivíduo, Freud. Sociedade, Marx.”. Acontece que Marx trabalhou em cima da subjetividade com uma fineza impressionante. Em outro plano, que não o da neurose, psicose, sujeito psíquico.

O que eu quero dizer é que o tempo não é de questionar essas coisas. Não é de encontrar territórios, e se encontrar – para isso seria necessário um movimento d@ estudante. E pra isso não há tempo, nem motivação, nem valor.

Para questionar a psicanálise, a estrutura rígida da metodologia em que se explica, eu teria que esperar o/a professor/a trabalhar com autores que fizeram isso, como Brasi, Bauleo, um pessoalzinho que se desentendeu com a APA. De outra forma, eu não poderia trabalhar com eles em um tempo que deveria ser para discutir psicanálise. Foi assim que eu me desencontrei e me reencontrei com a teoria.


Espero poder manter isso, apesar das estruturas. Apesar de a universidade vai engolindo a gente.