30 de jun de 2015

Do cotidiano operário

Dia(s) do trabalho. Foi dia 1º, claro, certo. Mas um pouco antes, um pouco depois, me deparo com situações que ficam e retornam mais fortes nesses momentos.
Depois de umas cervejas, eu e um amigo, trabalhador (que faz bem mais do que 8 horas diárias), falando da situação econômica do Uruguai (que não está fácil): ele criticando o Frente Amplio, a Dilma, etc. eu criticando uma estrutura mais ampla, que suga a América a Latina (no meu marxismo-leninismo quase-ortodoxo, no meu petismo, mas, ainda assim, no meu coração aberto) ... não sei se alguém tinha razão, ao fim das contas, não sei até que ponto os discursos poderiam se cruzar. O que eu sei, o que eu lembro, o que ficou, foi quando a estrutura econômica chegou no Eu e saíram as palavras: “és que me duele...” e “hay que tomar para estar bién”.
Bueno, tomamos, a vida segue – doendo.

17 de jun de 2015

Na entrelinhas das coisas

Ah, 13 dias para voltar pro meu povo.
Saudosismo e ganas de mais memórias. Ahí vá.
E aquela sensação de que a partir de agora, nada será como antes.
Eu aprendi na base da paulada que quando falta, faz falta.
Cada dia é um único dia. Cada pessoa é uma só. Cada rua tem seus detalhes. E nada se repete. Na mais dura das angústias: nada se repete.
Me preparo para voltar com uma sensação parecida com a que me preparei para sair: serenidade.
Sabendo que se ganha na medida em que se perde. E que o equilíbrio é um trabalho constante. Saudade e surpresa. Disciplina e afeto. Sabendo que nada é eterno, mas tudo permanece.
Nessas estradas, criei vínculos com janelas de ônibus. É como se eu conversasse com o caminho e me encontrasse exatamente nessa parte que é uma entrelinha entre todas as coisas. E é como se fosse o melhor dos apegos: a estrada que não faltará.
Para além disso, criei um vínculo universal com as pessoas - com todo o peso desse termo. Acho que de uma vida inteira, será a maior das minhas conquistas.