26 de mai de 2015

Das saudades



Sinuca  no Bar do Orlando, a cachaça do garça na praça, o rap no início da noite. Abrir o portão de uma certa casa. Não saber como vai começar, mas saber que vai acabar tudo bem. Subir as escadas do 3221, não saber quem vai encontrar, mas saber que vai encontrar alguém. As reuniões madrugada à dentro. O café preocupado no RU antes de começar o dia. A vista dos morros pela janela no busão (universidade). Terminar o dia na Locadora. O intervalo da aula (prolongado) em uma conversa com um bom amigo. Encontrar o mundo inteiro nas boates do DCE. Encontrar o mundo inteiro depois de almoçar no RU. As manhãs de ressacas compartilhadas. As angústias compartilhadas. As elaborações/formulações compartilhadas. Com as mesmas pessoas. O mate que terminava em vinho e as filosofias que terminava em nada que fizesse sentido - que sempre se repetiam. As visões das diversas janelas que se conhecia.

Pequenas coisas cotidianas que passavam desapercebidas (de todo afeto). Mas que agora são marcas.


Talvez, hoje, eu já saiba que fará essa falta as batidas na porta do meu quarto e o chamado "menina", com sotaque uruguaio, "vem conversar". O pessoal na frente de casa gritando "Brasil". Os amigos tocando violão. A cerveja na praça que é perto de casa. O contato com outros que também sentem falta do Brasil. A saudade do Brasil. O cara do sorriso sereno que sempre escreve poesias. As conversas por sinais. Aqueles que abraçam fácil. Legião urbana interpretada por uruguaios. O "olá vizinha" de todas as manhãs do tio de bigode engraçado. Das ruas. Das praças. Do céu. Do horizonte. Das pessoas.
Saudades.

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