22 de abr de 2015

Amanhã vai ser outro dia?

Na déc. de 60, Jango anunciava as reformas estruturais de base, como a reforma agrária, a reforma urbana, e a reforma educacional. Também a convocação de plebiscitos para uma constituinte. Havia a perspectiva de aumento dos direitos dos trabalhadores.
Hoje falamos de reforma política, reforma tributária, da democratização da mídia, da garantia pelo estado em defender nossos direitos públicos, nossos bens públicos. Há a perspectiva de ampliar os direitos dos trabalhadores.
classe média e a burguesia aliadas a empresários saiu em marchas "da família", "pelo brasil (sem foice nem martelo nem partido)". Marchas contra o governo. Contra o comunismo. Marchas de direita que foram elementos fundamentais para o golpe militar. Marchas brancas, como hoje. Marchas brancas, vestidas de verde e amarelo. Um nacionalismo para disfarçar a perversidade do egoísmo fascista daqueles que detém o poder e não abrem mão - custe o que custar - nem que para isso tenhamos que exterminar alguns, e fazer com que outros se ajoelhem.
Hoje vemos pessoas pedindo "intervenção militar". Falando em feminicídio. Ameaçando outras pessoas de morte. Escrachando militantes de movimentos sociais e de partidos de esquerda. Carregando símbolos da suástica.
Até mais violentamente do que foi antes.
A história não se repete. Mas os avanços retrocedem. E qual foi a nossa capacidade, enquanto povo, de aprender?
Não acredito que a tortura possa ter retorno no Brasil.
Mas acredito que podemos, novamente, dar um grande passo para trás em nosso regime democrático - ao invés de avançarmos com nossas reformas estruturais - por não saber o que queremos e por não carregarmos o peso da história.