25 de mar de 2015

Lucía y Pepe

Um dia você percebe que o horizonte pode ser eternamente o horizonte.
E o processo, uma eterna caminhada, sem nenhuma garantia de se chegar lá. Mas sem outra saída senão continuar caminhando.
E que o endurecimento, por vezes é exigido, pela própria sobrevivência, pela garantia de seguir adiante... para não tombar no caminho.

Você olha para a realidade, e vê que não se tem nada além do agora. E não basta.
Você olha para a realidade, e não basta.
Não basta, sem utopia.
Seria ilógico se no caminho aprender a amar não fosse o mais importante. Aprender a amar. Aprender a amar a vida e o povo. Aprender a amar os olhos e os pés de cada um. Aprender a amar as tantas pessoas que estão nessa estrada, porque a realidade é bruta, mas não precisa ser o povo.
A realidade é dura, mas não precisamos ser nós mesmos.

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Eu tive a sorte de presenciar uma fala do Pepe Mujica, o bom velhinho. Não por muito, mas pelo que representa, pelo que desperta. Ele não falou do sistema econômico, das táticas e estratégias, da conjuntura política internacional, nacional e regional. Ele não falou da realidade bruta e de suas exigências diárias. Ele não falou do que se sabe e não basta.
Foi de amor que ele falou, foi das pessoas, foi da vida. A comunidade, a (in)essência do dinheiro. 
Foi da base para todas as discussões sobre o sistema econômico, para todas as estratégias e ações. 
Foi para lembrar do porquê mais fundamental pelo qual estamos aqui. Do porque de tanto endurecimento, de tanta caminhada.

Porque, ah, o horizonte... se fosse apenas o que parece ser, em sua figura material, eternamente o horizonte... quem pagaria o preço?

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