25 de fev de 2015

Disputar a cultura para transformar a universidade

(Para o jornal da Reconquistar a UNE / fev. de 2015)

O conhecimento que é produzido e disseminado na universidade não ocorre de maneira democrática. Sabe-se que uma parcela mínima e dominante da sociedade estipula os saberes que devem ser reproduzidos, a partir de interesses políticos e econômicos. Portanto, disputa-se essa instituição a partir de pautas como a democratização do acesso, condições de permanência e a sua transformação para uma universidade realmente pública, democrática e popular.
Essa disputa perpassa não apenas pelo ensino, pesquisa e extensão, mas também construção e promoção cultural. A cultura é uma forma de saber e aprendizado com características subjetivas e objetivas, que traz em si modos de pensamento, de visões de mundo, de ações, experiências, costumes e a história de um povo. Por isso, a garantia da diversidade cultural é fundamental para a universidade que queremos. A universidade contribui com a manutenção da hegemonia imposta na sociedade tanto pela dominação do que é considerado científico, como pela dominação da cultura.
Portanto, garantir a permanência de sujeitos de diversas culturas na universidade não significa apenas manter estes até a conclusão de seus cursos, mas sim garantir uma verdadeira integração à instituição, que se opõe à adequação. Isto é, trazer para a produção do conhecimento e para a própria vivência dos diversos sujeitos dentro da instituição a história de seu povo, a sua visão de mundo, pensamentos e modos de agir, de forma diversificada e libertadora.
A possibilidade de criação e livre expressão das minorias em direitos sociais (negros (as), indígenas, quilombolas, jovens, mulheres, população LGBTT, etc.) existe na aplicação de políticas educacionais que garantam equidade quanto à produção de cultura. Sobre a infraestrutura, é preciso que os setores públicos disponham de meios e instrumentos para a promoção cultural. O movimento estudantil pauta espaços de lazer dentro da instituição, como conchas acústicas, dentre outros espaços, e a sua utilização desburocratizada. Também se pauta incentivo político e financeiro e projetos que tragam para dentro da universidade a produção cultural contra-hegemônica, que estejam articulados com os movimentos sociais da região, como coletivos de hip-hop, indígenas e quilombolas. Dessa forma, o espaço da universidade pode ser utilizado para intervenções artísticas e oficinas que demonstrem os mais diversos saberes da sociedade. 
As entidades como a UNE, DCE’s e DA’s também são responsáveis por projetos culturais e organizações de espaços para a livre expressão. A UNE tem experiências históricas de inserir no dia a dia dos jovens estudantes um modo expressão revolucionário e uma cultura alternativa como os CPC’s (Centro Popular de Cultura) e os CUCA’s (Circuito Universitário de Cultura e Arte). O DCE da UFSM se mostra como um exemplo de uma entidade que disputa a universidade a partir da cultura com o Festival Nossas Expressões, que chegou a sua 23ª edição. O festival, criado em 1978, por estudantes da comunicação, foi uma ação para dar voz a todas as expressões da juventude, oprimidas pelo regime militar.

Por fim, se a transformação da universidade e da sociedade depende também da disputa pela cultura, o movimento estudantil deve pautar a democratização da mesma, a partir da reivindicação por espaços, meios e instrumentos públicos para a promoção de cultura, arte e lazer; a diversificação dos saberes artísticos; a livre expressão, e políticas educacionais voltadas às culturas contra-hegemônicas.    

19 de fev de 2015

Quando a realidade bate à porta

A consciência de classe não é algo que, simplesmente, se sabe... a consciência de classe é algo que se sente quando a realidade bate na porta pra mostrar que algumas coisas não são para algumas pessoas.