9 de jan de 2015

Negra sombra II

As ondas do mar negro e infinito adiante batiam com intensidade nas rochas marginais muito próximas à sacada baixa da casa em que se encontrava fitando o que havia de imenso na vida e no mundo.

A noite negra e o vento gelado a fumaça pesada do cigarro que segurava de forma suave - a única coisa suave que ainda lhe resta. A canção ecoando palavras soturnas espanholas só fazia aumentar a desesperança. Desesperança que chegava a não ter objeto. Desesperança apenas por não ter pelo que se esperar. Como o infinito negro adiante do encontro do mar com o céu, com a fúria das ondas batendo nas rochas quebrando o quadro que poderia ser o da própria morte.
As ondas que batem nas rochas, a fúria, quase como o amor sexual que bate nos corpos e contrasta com a própria morte. O movimento furioso das ondas que se entregam às rochas, soturnas e solenes - eternamente integras, mesmo aos pedaços.

O mar, ao fundo, que era negro, como os próprios olhos e a lua cheia, não traz nenhuma esperança. Mas não podia deixar de encarar o que parece ser o único sentido que lhe resta.

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