30 de nov de 2015

O Adeus número quatro

o Adeus número quatro. E São Paulo mais nublada do que nunca tinha visto. Tantos olhos tristes que tudo é projeção - essa é a resposta. E a eterna frase marcada na pele: vai passar. E o eterno retorno na alma: vai voltar. Volta o lugar que nem sei mais se há ainda algo nele que eu possa voltar.

Das coisas concretas da vida, que se deixa, que se parte, que se coloca em volta da gente...
Tudo passa e a vida é passar o tempo todo
Mas na cabeça não passa nada: e é o diabo.
Não dá pra viver indo adiante colocando coisas concretas em volta da gente, partindo e deixando e se mudando de casa o tempo todo......... sem organizar as tralhas todas dentro da cabeça da gente

Psicanalisar é encontrar um infinito na cabeça. E durar a vida pra estruturar sabe-se lá o quê.
O bom é que o que se sente e o que se pensa não tem dimensão que se mensure.
De outra forma não caberia o tanto que foi.

E eu vejo a janela que mostra uma parte de São Paulo e me engasga alguma coisa na garganta

São Paulo nunca teve um nublado tão triste
- apesar de sempre triste e ainda por cima de tudo nublada quase sempre -
E me lembra, em associação direta, os morros de Santa Maria que estarão lá pra qualquer volta

Mas nem sei se ainda há algo que volta
A não ser a volta concreta
Sem a volta na cabeça
Que já entrou no giro do infinito
de um buraco que - deus me livre - quase não chega

sempre vem o concreto e fecha o que tem que ser fechado
mas é preciso organizar, organizar, organizar, colocar tudo no lugar
tudo no devido lugar
que nem tem devido de nada
a gente que vai inventando o que é devido
fazendo ter um devido lugar pra tudo.

menos pra volta
quero um devido lugar pra voltar.
quero um devido coiso para colocar tudo organizado bem dobrado entre a cabeça e a realidade que caiba certinho sem sobrar nem faltar

porque o tempo e a memória não tem dimensão que se mensure
portanto cabe
......
?
.....
às vezes é ao contrário, como o mar, que é concreto, colocado em volta da gente, e cabe meticulosamente na coisa concreta
e cabe concretamente dentro da gente
mas não cabe na cabeça de jeito nenhum
e não precisa de organização
organiza o mundo inteiro por si mesmo

é bom encontrar o mar
espelho da alma



23 de out de 2015

Astral para valer os maus tempos

Para o descanso da cabeça: precisava encontrar o astral de alguém dessa forma.

O encontro espontâneo vale a vida. E aqueles olhos, o sorriso bonito, os movimentos... Valem os maus tempos.

Para expulsar demônicos: precisava encontrar o astral de alguém dessa forma.

Toda a leveza vale a vida. E aquelas histórias, a imagem do mundo, todos os sons...Valem os maus tempos.

Para salvar o dia no fim da tarde: precisava encontrar o astral de alguém dessa forma.

13 de out de 2015

cansaço de beira de estrada

Infância vivida em quatro cidades diferentes, em mais de 8 escolas, casas pra se perder a conta. Intercâmbio. Saída da casa dos pais. Nenhuma rua pra chamar de sua. Estradas que levam a vários lugares.
essa coisa de acordar de manhã e pensar: "é hora de partir" não é nada nova.
A questão é que o que eram anos, hoje são semanas. A mudança, o caminhão, o guarda-roupa desmontado, agora é uma mochila que você dobra e desdobra.
E você se vê num caminho olhando um mapa. As paisagens ficando pra trás de maneira muito rápida. Uma vista atrás da outra e assim sucessivamente. A vista das coisas, das memórias e das pessoas. Como construir algum vínculo com algum caroneiro ou taxista que é a coisa mais profunda dos últimos dias. E já ficou para trás. Ou sentar em um banco com um desconhecido que vira o melhor amigo das últimas horas - porque ele te fez reparar no céu mais uma vez.
No fim, mesmo que se saiba: não é pra sempre. Logo, logo, a segurança volta - de vez. Aquela segurança que se passa quando se enxerga os morros de Santa Maria, que se passaria se passasse por Rio Verde, Santa Rosa, Montevidéu... Santa Maria. Logo, logo, se tem o lugar e a paisagem e a rua que vai ser sempre o que se enxerga da janela. E a memória. Logo, logo...

A verdade é que o pior dos cansaços chega durante o fim de tarde.

1 de out de 2015

A universidade não está à venda!

O Deputado Cleber Verde (PRB – MA) foi relator da Comissão Especial que profere uma emenda à constituição 395/14, substituindo o texto original do deputado Alex Canziani. Esse relatório altera a redação do art. 206 da Constituição Federal do seguinte modo:
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais
V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade.
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.

 Para
Art. 206 …………………………………………………………………….

IV – gratuidade do ensino público nos estabelecimentos oficiais , salvo, na educação superior , para os cursos de extensão, de pós – graduação lato sensu e de mestrado profissional, exceções para as quais se faculta sua oferta não gratuita , respeitada a autonomia universitária.…………………………………………………………………………………

 Essa alteração explicita, em um primeiro momento, três pontos: a deturpação do conceito de Autonomia Universitária; a disputa do ensino superior em relação ao cumprimento de sua função social versus o seu serviço ao mercado, e a necessidade clara de ampliação de investimentos públicos para o ensino.
 As audiências públicas e demais discussões em torno da emenda vão à contramão do conceito de autonomia universitária que os estudantes defendem desde a Reforma de Córdoba (1918) e no movimento estudantil brasileiro a partir da década de 40: em que a autonomia é garantida a partir da exclusividade do financiamento público, a partir de mecanismos democráticos de gestão administrativa, como conselhos paritários e orçamentos participativos com inclusão da comunidade regional, composta por trabalhadores/as, entidades representativas e movimentos sociais.
Nessas discussões, a universidade deveria garantir a sua autonomia a partir da liberdade para decidir prestar serviços a um “segmento contemporâneo do mercado”. Isso fere a autonomia universitária, em seu sentido fundamental, pois coloca à gestão da universidade e sua produção científica refém dos interesses econômicos internos e externos.
 Um dos argumentos utilizados nas discussões foi o de que deveria ser combatido o direcionamento de recursos públicos a interesses privados, pois muitos cursos de especialização recebem investimentos públicos e correspondem a demandas do mercado. Isso, de fato, representa o direcionamento de recursos públicos a interesses privados. E isso, de fato, deve ser combatido. No entanto, a defesa em torno da garantia do financiamento privado para cursos de especialização que atendem o interesse do mercado – na estrutura pública – não é nem de longe uma solução.
Esse ponto revela que esta emenda está à contramão do que se entende por garantia do cumprimento da função social universitária. A solução para garantir que os recursos públicos atendam interesses sociais de viés público, a partir da instituição universitária, é tão somente ampliar recursos públicos e direcionar a produção científica para fins sociais.
 Além do mais, essa é uma proposta disfuncional: pode-se prever a necessidade de bolsas a estudantes trabalhadores/as e filhos de trabalhadores/as, semelhantes ao Prouni e FIES, para garantir o acesso equitativo a especializações. Em outros termos, a tendência é de se abrir mecanismos de financiamento público ao setor privado do mesmo modo, e ainda de forma crescente.
 Para concluir, esta emenda trata-se de um exemplo concreto e explícito dos efeitos das medidas políticas e econômicas que vem sendo aplicadas. Os cortes na educação, além de reduzir direitos dos estudantes, a ampliação do ensino superior, as possibilidades de efetivação das metas do PNE e de uma reforma universitária democrática e popular, abriram brechas para inserção de – mais – investimentos privados na educação pública.
 As experiências na década de 80 foram destrutivas para o ensino público, e hoje é preciso evitar o retrocesso. O único caminho para garantir uma educação pública, democrática, de qualidade e a liberdade de sua produção de conhecimento é ampliando os recursos públicos, colocando um fim nas parcerias com os setores privados, principalmente externos. É preciso abrir mão de investimentos dos segmentos do mercado para que a universidade possa cumprir sua função social diante do país e caminhar rumo à soberania científica nacional. Além disso, é preciso investir na participação de setores sociais na gestão da universidade, a partir de conselhos comunitários e orçamentos participativos.
 Aprendemos o suficiente em tempos de FHC para afirmar: a nossa produção científica não está à venda!

27 de set de 2015

Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico – F. Engels

1) Prefácio da Edição Inglesa


1.1) Surgimento do conceito “materialismo” em princípios filosóficos


Engels inicia o texto a partir do trato da concepção de materialismo, desde os primeiros conceitos filosóficos, até chegar ao que chama materialismo histórico. Ainda, trata do desenvolvimento de tal princípio nas sociedades francesa, alemã e inglesa, como parte da formação moral social destas – influenciando, inclusive, nos princípios religiosos e vice-versa.

As diferenças de formações morais históricas de tais sociedades resultaram nas diferenças de revoluções (operárias e burguesas) de cada.


Como foco na situação inglesa, Engels inicia com o fato de que havia, até então, grande resistência por parte dos países britânicos ao termo “materialismo”. E que os desenvolvimentos científicos voltado a tal concepção eram relacionados ao “agnosticismo”, por ser uma teoria um pouco melhor recebida pela sociedade inglesa.

Dessa forma, já se entra na relação criada entre a concepção científica de materialismo VS. a concepção religiosa, e o desenvolvimento moral e social de determinada região que o autor desenvolve ao longo do texto.


A expressão primordial do materialismo se deu a partir de Duns Ecoto, por sua teoria nominalista. O nominalismo trata-se de uma tendência medieval a afirmar que conceitos são apenas nomes para designar objetos. Apesar do primitivismo de tal ideia, nota-se a retirada do plano das idéias como central ao desenvolvimento do pensamento e da linguagem, a partir do momento em que os conceitos não são tratados mais apenas de forma abstrata.

No plano das ciências naturais e exatas, Bacon é considerado o pai do materialismo inglês, devido a sua concepção de que “toda ciência se baseia na experiência e consiste em aplicar um método racional de investigação ao que é dado pelos sentidos”

Hobbes pôde, a partir de Bacon, sistematizar o materialismo com o princípio básico de que “não se pode separar o pensamento da matéria que se pensa”. Isso é, os conceitos são representações (fantasmas) do mundo físico, sem a sua forma sensorial.

A partir disso, o materialismo entra em oposição aos princípios religiosos ao afirmar que Deus, por não ter expressão material perceptível, não é suscetível de ser sabido (agnosticismo). Além disso, a firmação de que o homem está sujeito às leis naturais, e que o poder e a liberdade estão relacionados, causam negação a concepção de divindade da sociedade.


Cabe a colocação de que a propriedade de movimento é inerente à matéria, não de forma mecânica, mas como um impulso que resulta na própria lei natural de transformação material da realidade.


Laplace, em seu tratado agnóstico sobre a Mecânica Celeste, compreende as limitações humanas de conhecer a realidade presentes em nosso meio de conhecimento – os sentidos, pois apenas conhecemos a coisa quando entramos em comunicação (sensorial) com ela. No entanto, mesmo com tais limitações, nossas percepções são capazes de conhecer a coisa em si, pois, ao fim e ao cabo, a coisa que encontramos sempre corresponde a ideia que fazemos dela, de modo a ser generalizado.


O conhecimento da coisa em si também se prova no momento em que o ser humano é capaz de produzi-la.


1.2) Influência do surgimento do materialismo histórico nas revoluções sociais europeias


Os avanços europeus no campo do saber, em torno do materialismo resultaram na fortificação da tendência ao agnosticismo em confronto a tão consolidada crença religiosa católica.

A tendência religiosa da burguesia tinha explicação. A Igreja Católica Romana era o centro internacional do feudalismo na época. A partir da instituição feudal que se consagra a concepção divina. E, hierarquicamente falando, a igreja católica possuía a terceira parte de toda propriedade territorial.

Por sua vez, a burguesia chegava a seu auge junto ao desenvolvimento e ressurgimento da ciência (astronomia, mecânica, física, etc.), pois tal classe necessitava desenvolver a sua produção industrial. Assim, a burguesia se consolidou como a classe mais empenhada na luta contra o poder da Igreja Católica.


Houve, a partir de uma campanha burguesa, três batalhas decisivas para a história européia.

A primeira, chamada Reforma Protestante, na Alemanha, liderada por Lutero contra a Igreja, falhou. Obteve resultados apenas do noroeste da Alemanha.

O triunfo veio com os dogmas calvinistas, com a ideia de que a “a salvação não depende apenas do indivíduo, mas também de circunstância independentes a ele”; das forças econômicas superiores. Além disso, o calvinismo apareceu como um dogma democrático e republicano, em que os homens não deveriam mais se submeter às ordens de reis, bispos e senhores feudais.

O calvinismo tinha em si um potencial ainda maior que o luteranismo (submisso a príncipes alemães), ele fundou uma república na Holanda, e partidos republicanos fortes na Inglaterra e na Escócia.


Foi assim que a burguesia européia passou a integrar parte das classes dominantes. E os mesmos dogmas religiosos que foram úteis para a libertação desta, passaram a ser úteis para a dominação da mesma frente à classe operária.


No entanto, uma nova circunstância surge fortalecendo o vínculo da burguesia com a sua religião: a aparição do materialismo na Inglaterra. E, dessa vez, não mais apenas enquanto um princípio de desenvolvimento científico, com base em determinado agnosticismo, mas como uma verdadeira heresia religiosa com fortes conexões políticas antiburguesas.


O materialismo passou da Inglaterra à França a partir de uma escola filosófica francesa ligada ao cartesianismo.

O resultado foi a terceira grande batalha burguesa: a grande Revolução Francesa – a única em que a burguesia triunfou completamente, destruindo por completo a aristocracia. Esta ocorreu totalmente livre do manto religioso, “dando à batalha um campo político aberto”.


Adiante, Engels conclui que o trabalho para manter fortemente os recursos morais provenientes da religião por parte da burguesia inglesa foi muito mais intenso, resultando em uma sociedade mais atrasada, do ponto de vista do avanço da classe operário, do que a França e a Alemanha.

A burguesia inglesa se agarrou com todas as suas forças no último recurso para evitar a sua ruína “conservar a religião para o povo!”.

Outro elemento existente na Inglaterra, vinculado também a moral religiosa, é o vínculo com a tradição burguesa. Esta é uma grande força de freio, pelo princípio da força da inércia que o apego à tradição representa. Na tradição burguesa, predomina para a classe operária crenças como que só podem existir dois partidos: o conservador e o liberal, e que tal classe deve aderir ao partido liberal para a garantia e conquistas de seus direitos.


Já na França e na Alemanha, a classe operária já se voltava com rebeldia, segundo Engels, contaminada pelo socialismo e sem preocupações legais quanto aos meios para conquistar o poder.


2) Do socialismo utópico ao socialismo científico


I



Para Engels, o socialismo moderno é reflexo, por um lado, do choque entre as classes sociais, por outro da anarquia que rege a produção. Já na forma teórica, o socialismo trata-se de uma continuação dos princípios concebidos pelos pensadores franceses do século XVIII.


A burguesia, ao triunfar nas revoluções europeias, apontava o reino da razão, da verdade e justiça eternas, da igualdade e dos direitos, o fim da opressão e do privilégio. Após um tempo o que ficou aparente, na verdade, foi apenas a idealização burguesa. A igualdade era a igualdade burguesa; o direito humano se reduziu ao direito da propriedade burguesa, etc.

Ou seja, desde o seu início, a burguesia carregava consigo a sua própria antítese. Pois para a existência de capitalistas, eram necessários os trabalhadores assalariados.


Na frança o antagonismo entre as classes também era visto intensamente logo após a revolução francesa. As instituições novas eram mais racionais do que as antigas, mas não traziam consigo a razão e justiça eterna como prometido.

Na verdade o período que se seguiu foi marcado por fortes contradições entre pobres e ricos, longe de uma sociedade ideal. Os trabalhadores foram “liberados” das propriedades feudais, tornando-se pequenos burgueses e campesinos que venderiam suas pequenas propriedades aos mesmos que outrora eram seus senhores feudais. O desenvolvimento industrial, ainda, transformou a miséria em uma condição de vida da classe trabalhadora, aumento a necessidade da mesma em vender a sua força de trabalho.

Saint-Simon acreditava na oposição entre trabalhadores e ociosos, diante a situação social pós-revolução francesa. E que os ociosos, antigos privilegiados, haviam perdido a sua capacidade de governar politicamente. Para ele tal capacidade dependia da união entre a igreja e a indústria, fundando um novo cristianismo, de modo a restaurar as antigas idéias religiosas destruídas desde a reforma.

Para Saint-Simon, todos os homens deveriam trabalhar. Com os resultados na França, ele percebeu que enquanto alguns subiam ao poder, outros passavam fome. Concebendo, dessa forma, a Revolução Francesa como uma luta de classes entre a nobreza, burguesia e os desapropriados. Ele sintetiza a sua ideia declarando ser a política a ciência da produção, e que a economia deve absorver totalmente a política.

Fourier também se apresenta como outro crítico francês que desmascara as ideologias burguesas sobre a libertação a partir da razão. Para ele a sociedade se move em círculo vicioso de contradições, que se reproduzem constantemente sem serem superadas. Em sua teoria, a pobreza é consequência da abundância, materializando a dialética.

Outro crítico foi Owen, com sua proposta de colônias comunistas para superar a miséria na Irlanda.
Essas críticas ao desenvolvimento social geraram conceitos utopistas de superação ligados às idéias socialistas. Para eles o socialismo tratava-se da expressão da verdade absoluta, da razão e da justiça. E a virtude bastava para conquistá-lo, pois a verdade absoluta não estaria, nessa hipótese, sujeita a condições materiais, de tempo, espaço, desenvolvimento social e histórico, etc.


O problema inicial do socialismo utópico e da ideia de verdade absoluta, é que para cada crítico, a verdade absoluta era uma, pois depende das condições matérias de vida de cada, do desenvolvimento social e histórico de cada, etc. Com esse ecletismo, o socialismo se converteu em uma ideia, além de utópica, medíocre e foi-se abrindo espaço para a necessidade de olhar para ele a partir de terrenos da realidade, ou seja, a superação a partir do científico.


II



A dialética materialista, tratada cientificamente, é analisada pelas ciências naturais na própria história da natureza: esta se move em um ciclo que nunca se repete. Todo ser orgânico ao mesmo tempo que permanece o mesmo, se transforma com o movimento natural, assimilando matérias absorvidas do
exterior. Morrem células e nascem outras. Darwin inclui o homem nesse processo dialético material de desenvolvimento histórico natural.


No desenvolvimento histórico da sociedade europeia, a luta de classes entre a burguesia e o proletariado ocupa papel central.

Segundo Engels, ao revisar a história anterior, com exceção do estado primitivo, toda a história havia sido a história da luta de classes. Estas eram resultados das relações de produção/econômicas da época. E a estrutura econômica de cada período constitui a base de uma superestrutura social de cada momento histórico.


Com tais análises, o socialismo deixa de apresentar a característica de um descobrimento casual, de uma verdade absoluta, mas se apresenta como um produto necessário da luta de classes. O seu objetivo, por conseguinte, deixa de ser elaborar um sistema social perfeito e absolutamente justo e racional, mas buscar o processo histórico pelo qual teria que surgir tais classes e seus conflitos, descobrindo a superação para tal solução.


Engels desenvolve, ainda, em seu trabalho, o processo histórico de alienação do trabalho. Em que o a produção individual deixa de ser do sujeito e passa a ser do proprietário dos meios de produção, assim como a sua força de trabalho. Até o ponto de que a produção e os meios de produção se convertem em fatores sociais. E o processo de produção artesanal se transforma em manufatura.


A universalização industrial propicia também a universalização da luta de classes. E ainda, tal modo de produção propicia a conversão em proletários da maioria das pessoas do país. Dessa forma, a força para converter as propriedades do estado em meios socializados de produção aumenta. Cabe nesse ponto salientar a importância, em determinado período histórico, da apropriação dos meios de produção por parte do estado. Pois, na tomada deste pelo proletariado, ao se tornar supérfluo, haverá que, apenas, administrar os meios de produção com sua função social.


Dessa forma, de maneira detalhada e profunda, Engels desenvolve o .processo histórico do desenvolvimento do capitalismo e posteriormente, de forma dura e realista, do socialismo

26 de set de 2015

As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo – Lênin

As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo – Lênin

I – A primeira parte trata-se da filosofia marxista: o materialismo histórico dialético

II – A segunda parte do marxismo é sobre os estudos do regime econômico, presentes, principalmente, na principal obra O Capital.

III - Por fim, a última parte que constitui o Marxismo, segundo Lênin, é a teoria do desenvolvimento histórico das lutas de classes e das revoluções sociais.

Lênin desenvolve no livro As Três Fontes alguns conceitos dos trabalhos de Marx e Engels:

O Materialismo Filosófico: Marx, no início da formação de suas teorias é bastante influenciado por Ludwig Feuerbach devido a sua contraposição a Hegel e afirmação pelo materialismo. Para Marx, o pensamento é reflexo do movimento da realidade “transportado e transposto” ao cérebro humano, contrapondo a visão idealista de Hegel, em que a ideia cria a realidade.

O próprio pensamento e a consciência, na concepção marxista, tratam-se de um produto do cérebro do homem, que, por sua vez, é um produto da natureza, “que se desenvolve em seu meio e com o seu meio”.

Dessa forma, o homem não se contrapõe à natureza, mas é conforme ela. Dentro disso, para Marx e Engels, a liberdade do homem existe no conhecimento das necessidades impostas pela natureza. Ou seja, consiste na transformação dialética da necessidade em liberdade, a partir do reconhecimento das leis da natureza.

No entanto, Marx e Engels criticaram, essencialmente, esses três pontos no materialismo antigo:
1) O mecanicismo – por não considerar “o desenvolvimento moderno” da ciência (química, biologia, etc.);
2) Ser metafísico, e não histórico e dialético;
3) A concepção de ser humano como algo abstrato – não é determinado concretamente pela história; interpreta, mas não transforma.


A dialética: Marx e Engels perceberam na dialética proposta por Hegel uma forma de integrá-la à concepção materialista da natureza.

Nesta perspectiva, a dialética é “a ciência das leis gerais do movimento, tanto do mundo exterior como do pensamento humano” (Marx). O mundo deve ser compreendido como um complexo de coisas em processo constante de transformação, do porvir, por mais que os conceitos e reflexos intelectuais pareçam estáveis na mente humana.

Tanto Marx, quando Hegel consideravam que a teoria do conhecimento dialética deve perceber o objeto a partir de um ponto de vista histórico, com origem passível de generalização.


A Concepção Materialista da História: Na obra Contribuição para a Crítica da Economia Política, tem-se a formulação de Marx sobre o materialismo aplicado à sociedade e história humana.

Esse trabalho traz a ideia de que as relações humanas são determinadas e necessárias, a partir das relações de produção correspondentes ao nível de desenvolvimento das forças produtivas. Por sua vez, essas relações de produção constituem a estrutura econômica social, que é base para toda a superestrutura jurídica e política, e para consciência social.

Em determinada etapa do desenvolvimento, as forças de produção entram em contradição com as relações de produção, em que se abre, na concepção marxista, o tempo de revolução social.


A Luta de Classes: Para Marx e Engels, a história da sociedade foi marcada pela luta de classe. A oposição entre a classe burguesa e a do proletariado gerava conflitos que resultavam em uma revolução social ou na destruição total da sociedade.

Enquanto a classe média não é verdadeiramente revolucionária, pois apenas se opõe à burguesia para defender os seus interesses e a sua própria existência futura.


O Valor: Mercadoria: satisfaz as necessidades humanas e se troca por outra. A utilidade gera o valor de uso. O valor de troca é a proporção na troca de uma quantia de valor de uso de uma espécie por outra.
Todos os valores são produtos do trabalho.

Ou seja, a troca de produtos gera relações equivalentes entre os tipos de trabalho.

No entanto, o valor não é determinado particularmente por trabalhos de gêneros determinados, mas pelo trabalho em geral. Cada mercadoria é representada por uma porção de tempo de trabalho socialmente necessário. Dessa forma, os trabalhos que são diferentes são considerados iguais.


A Mais-Valia: A força de trabalho humana é comprada pelo possuidor da moeda, a partir de seu valor determinado como o de uma mercadoria qualquer: pelo tempo de trabalho socialmente necessário à produção, ou seja, o custo das necessidades do trabalhador e de sua família. Porém essa mercadoria possui a característica de ser fonte de valor, isto é, o consumo da força de trabalho humana é, ao mesmo tempo, um processo de criação de valor.

A mais-valia é comparada unicamente ao capital variável (empregado para pagar a força de trabalho). O valor deste capital aumenta simultaneamente ao processo do trabalho. Dessa forma se expressa o grau de exploração da força de trabalho pelo capital.

Há duas formas para se aumentar a mais-valia: aumentando a jornada de trabalho (mais-absoluta) ou diminuindo o tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa). A tática da luta de classes do proletariado: para Marx, há dias em que se pode ter concentrado em si mesmos 20 anos. Ou seja, para cada período é necessário que a tática do proletariado tenha em sua percepção a dialética histórica da humanidade. Há os momentos de estagnação política, em que devem ser aproveitados para ampliar a consciência e acumular forças da classe. Porém, há os momentos que “concentram em si os 20 anos”, em que a classe deve ter em sua orientação o objetivo final.

25 de set de 2015

Um gosto de sol

A adolescência e a infância me vem como um soco. Dos tempos que se lia literatura e se vivia literatura. Não era preciso enfrentar o mundo, devia-se nada. O abrigo, tão certo. Crescer é coisa que rasga a gente. Por tanto tempo eu tentei negar o irremediável amadurecimento. Viver naquela vida de dentro da gente. Até o limite. O limite é ver que já não se pode porque não se tem mais escolha. O limite é olhar para uma janela e querer estar em qualquer lugar passado do mundo. Nem na literatura, na escrita, poderia se encontrar.
Queria não crescer. Mas crescendo, queria saber como fazer isso sem perder aquele quê de vida que se tinha na infância. Não se encontra a vida pelos mesmo caminhos de outrora. Não se encontra a vida no mesmo lugar da cabeça dos 12 anos de idade. Não se encontra a vida nos mesmos canais. Eu não sei mais onde encontrar a vida.

Eu olhei para a foto dos meus antigos amigos. Senti vontade de chorar. Já não existia. Eu olhei para a literatura que tinha em outros tempos. Senti vontade de chorar. Já não existia. Eu olhei para olhos de quem me fez perder e ganhar tanto tempo. Já não existia, mas dessa vez não pude sentir vontade de chorar.

Eu queria encontrar a vida simples em que se respira simples e literariamente. Eu queria encontrar o gramada verde e o céu. E nada muito mais que isso. A vida que se tem na entrelinhas das coisas. Eu queria encontrar a entrelinha de tudo.

Eu queria respirar nas entrelinhas de tudo. As entrelinhas de tudo são aquele coisa-espaço-tempo em não se deve e o tempo todo te pertence.

Parece que a coisa-espaço-tempo que existe junto com ele me traz isso de não se dever nada, o pertencimento do tempo, e a literatura.

Aquele tom de voz vem junto com a suavidade de adolescência.

23 de set de 2015

Reforma Universitária - Tese Reconquistar a UNE

“Homens de uma República livre, acabamos de romper a última corrente que, em pleno século XX, nos atava à antiga dominação monárquica e monástica. Resolvemos chamar todas as coisas pelos nomes que têm. Córdoba se redime. A partir de hoje contamos para o país uma vergonha a menos e uma liberdade a mais. As dores que ficam são as liberdades que faltam. Acreditamos que não erramos, as ressonâncias do coração nos advertem: estamos pisando sobre uma revolução, estamos vivendo uma hora americana.”

Dessa forma se inicia o Manifesto de Córdoba no dia 21 de Junho de 1918, e segue, adiante:

“Ao confessar os ideais e princípios que movem a juventude nesta hora única de sua vida, quer referir os aspectos locais do conflito e levantar bem alta a chama que está queimando o velho reduto da opressão clerical. Na Universidade Nacional de Córdoba e nesta cidade não foram presenciadas desordens; se contemplou e se contempla o nascimento de uma verdadeira revolução que há de agrupar bem rápido sob sua bandeira a todos os homens livres do continente.”

Junto ao manifesto, ocorreu uma grande mobilização da juventude e de setores populares em torno de uma Reforma Universitária na Universidade de Córdoba, a qual se estendeu por diversas outras universidades da América Latina. O que motivou os estudantes da Universidade Nacional de Córdoba foi a necessidade de se libertar da tirania, de dogmatismos, da falta de poder de decisão estudantil. Cabe ressaltar que esses estudantes estavam aliados a partidos populares, sindicatos e outros setores da juventude, e tendo uma perspectiva revolucionária guiando os rumos da Reforma.  
As principais pautas eram a autonomia universitária, reconhecimento da representação estudantil nos espaços de decisão, o acesso universal, liberdade de cátedra, concurso público para os docentes e democracia na representação dos espaços de poder a partir de um co-governo tripartite igualitário.

No Brasil a instituição universitária é recente, pois os filhos das elites coloniais brasileiras costumavam ir à Coimbra realizar o seu ensino superior. A formação da universidade no Brasil recebe a influência do modelo francês, baseado na em escolas isoladas, com viés liberal, fragmentada e com papel de formar os quadros dirigentes do Estado, compostos pela elite brasileira.
A Reforma Universitária ganha força a partir do governo de João Goulart e a discussão sobre as Reformas de Base. A Reforma Universitária foi, então, a principal bandeira da UNE, rumo a transformação da universidade para uma verdadeira universidade democrática e popular, estando relacionada às demais Reformas Estruturais, e contendo em si o horizonte de uma sociedade justa.
O golpe civil-militar de 1964, no Brasil, interrompe esse processo de mobilização estudantil, a partir de perseguição a estudantes e a qualquer iniciativa progressista em torno da educação. A concepção de reforma universitária passa a ser sintetizada pelos acordos MEC-USAID, incorporados pelos militares, para transformar a universidade em um importante setor de modernização conservadora, que garantisse a formação em larga escala de mão-de-obra qualificada, atendendo os interesses das relações econômicas capitalistas. Nesse contexto é inserida na universidade a estrutura departamental, o modelo de ingresso a partir do vestibular tradicional, os créditos, a mercantilização da pesquisa, dentre outros.
A crise capitalista que atinge o mundo nesse momento comprova o fracasso das teses neoliberais de livre mercado e da educação enquanto serviço pago. Porém seus danos permanecem presentes na América Latina, para além do âmbito educacional, nos atuais índices de desigualdade social e privatização. A crise e o declínio da hegemonia do imperialismo norte-americano reforçam a necessidade de intensificarmos as lutas sociais e os processos de integração regional, com vistas a criar as condições para construirmos um forte bloco político, econômico, soberano e que caminhe rumo ao socialismo.
Neste sentido, urge ao movimento estudantil avançar na luta e construção do nosso projeto de educação para uma América Latina em transformação, projeto este que contemple uma formação integral e socialmente comprometida, através de uma nova Reforma Universitária, Democrática, Popular e Transformadora, construída desde a base.


Por uma Universidade Democrática, Popular e Transformadora

A concepção da Universidade como um aparelho de hegemonia exige do Movimento Estudantil uma concepção dialética da educação e é nesse sentido que apresentamos o programa da Universidade Democrática e Popular. No qual a Universidade deve deixar de ser um instrumento de manutenção da estrutura da sociedade e passar a ser um instrumento de transformação social, intimamente ligada às necessidades sociais do povo brasileiro e não do mercado, convertendo-se em um instrumento empoderamento das classes populares, pois a educação a ser desenvolvida pelas instituições deverá ter um caráter libertador e não alienador como é majoritariamente. Para tal, inúmeros desafios estão colocados para o movimento estudantil e para o movimento educacional como um todo.
O maior dos desafios reside na retomada do caráter mobilizador e militante do movimento estudantil. Sem luta política e gente na rua, nosso programa não irá além de um mero conjunto de intenções. É fundamental o amplo envolvimento da rede do movimento estudantil numa grande campanha em torno de uma Reforma Universitária Popular.
Mais do que nunca, temos a certeza da necessidade de levantar a bandeira da reforma universitária junto a ampla maioria da sociedade. Em outras palavras, os diversos setores da classe trabalhadora e os movimentos populares devem estar envolvidos na construção e na luta por essa reforma estrutural da instituição universitária no Brasil.

Hoje, mais do que nunca, faz-se necessário repensar os métodos de ensino e o modelo de formação que são impostos em nossas universidades. O projeto de Reforma Universitária defendido pelo movimento estudantil deve ir além de reformulações estruturais físicas em nossas instituições. É preciso também uma profunda mudança na concepção de construção e disseminação do conhecimento, transformando a estrutura acadêmica das instituições de ensino.
Um grave problema em nossas universidades é o seu grau de fragmentação e distanciamento da realidade – ainda que sejam parte e expressão da realidade. O ensino universitário tradicional tem sido desenvolvido geralmente de forma desvinculada da experiência, da prática, da realidade social. Surge a necessidade de rompermos com esta concepção estática e fragmentada da produção do conhecimento, que reduz a mesma a especializações disciplinares quase sem contato entre si, com paradigmas de conhecimento deslocados da realidade social.
Além disso, a universidade tradicional trabalha o ensino como um método de reprodução de conhecimento, em menor grau pesquisa (nem sempre vinculada a problemáticas sociais relevantes), e de forma debilitada a extensão. Este desenvolvimento fragmentado de suas funções tem implicado um empobrecimento no que diz respeito ao desenvolvimento da educação e da sociedade como um todo.
Nosso projeto de Universidade Democrática e Popular compreende outro modelo pedagógico, baseado na participação, no diálogo e na construção do conhecimento, principalmente, a partir de objetivos traçados de forma coletiva e valorizando os saberes e demandas populares.
Sobre o fim da Departamentalização
No campo da reestruturação acadêmica e curricular devemos repensar o atual modelo de organização universitária e o fim da departamentalização. Estes se tornaram redutos privilegiados do corporativismo acadêmico e reproduzem uma organização segmentada da universidade. Esta distorção também é percebida na própria estrutura física das universidades, em que os seus blocos, centros, faculdades e institutos são marcados pela falta de comunicação, isolando os estudantes e não permitindo o contato destes com outros campos do saber. Em substituição a estrutura departamental é preciso constituir estruturas acadêmicas permeáveis à participação democrática da comunidade e à interdisciplinaridade. Já em relação aos currículos, fica latente a necessidade que tem a universidade em incorporar a diversidade social e cultural da comunidade. Uma diversidade não encontrada nos atuais currículos eurocêntricos, sexistas e heteronormativos das nossas universidades.
Há universidades, como a UdelaR e a UFFS, que não possuem em sua estrutura institucional os departamentos. Nestas, o que é demonstrado é a facilitação dos trabalhos interdisciplinares a partir das macroáreas. Isso porque ter o instituto/centro ligado diretamente ao curso, propicia uma estrutura mais aberta à integração entre os saberes, criação de núcleos, disciplinas e projetos interdisciplinares, etc.
Sobre a autonomia universitária
A autonomia universitária foi uma conquista do movimento estudantil na América Latina, estando presente desde as reivindicações do movimento de Córdoba. Hoje é garantida no Brasil em marco constitucional. No entanto, o exercício da autonomia universitária não deve ser entendido como o isolamento da instituição e detenção de poder para si, senão como uma condição essencial ao cumprimento de sua função social. Isto é, a autonomia universitária precisa estar a serviço das demandas da região, e a não de interesses externos ligados ao maior poder econômico.
Há setores que trabalham com a concepção de que uma universidade autônoma é responsável, de forma única, pelo seu financiamento. Na prática isso resultaria em uma universidade passível de ingerências políticas, refém do maior poder político e financeiro. Dessa forma, nós defendemos o financiamento público das universidades como um modo de garantir estabilidade à instituição, sem ferir a sua autonomia a partir da garantia de instrumentos como orçamentos participativos para decidir o fim da aplicação desses recursos.
Sobre o fim das parcerias público-privadas
Durante o processo industrializante, a definição de ciência limita-se no que se tem por engenharia, e a sua capacidade se restringe à finalidade de criar a realidade a partir da própria natureza, organização social, política, econômica e das forças de produção. Assim, o objetivo restringe-se ao conhecimento para acumulação de capital.
O Brasil, devido ao seu processo histórico de devastamento industrial orientado por interesses estrangeiros, é marcado pela predominância de empresas internacionais e é dependente de seus investimentos. Isso se manifesta hoje no país em um projeto de soberania nacional tecnológica prejudicado pelos investimentos de empresas privadas estrangeiras, pois os lucros industriais são exportados às matrizes fora do país.
Diante disso, coloca-se na pauta também o papel da universidade no que diz respeito à formação profissional e rumos da pesquisa científica para o desenvolvimento tecnológico do país.
A universidade brasileira precisa deixar de prestar serviços às empresas privadas como função econômica e social, pois além de injusto, é disfuncional ao desenvolvimento do país. Isto é, servir ao mercado não apenas contribui com a manutenção de uma organização social desigual (em que o conhecimento produzido é apropriado por empresas que irão explorar os trabalhadores), mas, do ponto de vista da pesquisa fundamental, contribui com a produção de um conhecimento superficial passível às necessidades comerciais de curto prazo. Ou seja, esse modo de produção estagna todo um processo de desenvolvimento tecnológico profundo para o povo brasileiro, devido a sua necessidade de variar constantemente a produção – para aderir à competitividade constantemente variável do mercado internacional.
Portanto, é fundamental a defesa pelo fim das parcerias público-privadas dentro das instituições de ensino, que se manifestam, principalmente, nas agências e parques de inovação e transferência tecnológica. Isto é, é necessário acabar com os investimentos privados para a pesquisa e a extensão, principalmente por empresas estrangeiras.
Afirma-se, relacionado a este ponto, a autonomia da pesquisa universitária. Esta apenas pode ser garantida quando os seus investimentos não partem de setores privados, que junto aos recursos colocam os seus interesses mercadológicos como objetivos da produção científica e os estudantes universitários como parte de sua força de produção.
Quantos as agências ou parques de inovação tecnológica presentes na ampla maioria das universidades brasileiras, é preciso pautar a sua regulamentação de forma que garanta a função social da pesquisa. Ou seja, que sejam órgãos eficientes quanto à captação de recursos públicos, e invistam em programas de extensão e pesquisa universitária, envolvendo estudantes, professores e técnico-administrativos, de modo interdisciplinar; que trabalhem com perspectivas do cooperativismo, e as diversas formas de Economia Solidária.
É necessário que os setores de desenvolvimento tecnológico das universidades estejam vinculados às demandas regionais e articulado aos movimentos sociais, associações e à comunidade como um todo.
Diante disso, é necessário construir uma nova concepção de ciência, mais abrangente, popular e voltar o desenvolvimento tecnológico e científico às demandas do povo brasileiro, utilizando das tecnologias biológicas, nucleares, cibernéticas e de informação na realidade concreta do país. Há muitas demandas que devem ganhar maior incentivo na pesquisa e extensão universitária, como: inserir sistemas de produção cooperativos; desenvolver a agricultura familiar; voltar-se às demandas de mobilidade urbana, desenvolvendo a estrutura de transporte para a massa brasileira e estruturando de modo mais adequado os territórios, levando em conta as moradias, serviços públicos, iluminação sustentável, arborização; modernizar os sistemas de coleta e tratamento de lixo e de saneamento básico, etc.
Além disso, é preciso garantir estratégias para o desenvolvimento da Soberania Tecnológica no Brasil, desenvolvendo principalmente os temas de segurança pública; energia; aeroespacial; florestal e defesa nacional, a partir de investimentos públicos.
A produção das universidades voltadas para grandes empresas estrangeiras como a Monsanto, Bayer, Syngenta, etc. apenas demonstram a colonização do conhecimento produzido na América Latina. Além de não desenvolver o conhecimento voltado às demandas do povo brasileiro, dificulta a nossa conquista de soberania tecnológica, pois as matrizes da maior parte das empresas que financiam a pesquisa (e a extensão, quando a concepção desta é distorcida pelo conceito difusionista tecnológico) de nossas universidades sequer se encontram na América Latina.
Sobre o modelo de ingresso
O acesso à universidade, enquanto não chega ao patamar da universalidade, que é o horizonte que se tem como elemento principal para uma educação verdadeiramente democrática e popular, deve ser equitativo e abrangente. Além disso, deve cumprir o papel social de relacionar o ensino superior, desde o seu acesso, ao ensino básico público. Esse é um dos motivos para que a prova de seleção considerada mais democrática, nas discussões atuais, para o acesso ao ensino superior no Brasil é o Exame Nacional do Ensino Médio.
As políticas de ações afirmativas, como as cotas, foram e são fundamentais no processo de democratização do acesso, segundo o princípio da equidade. Este princípio, junto a própria política de cotas, foi um marco na concepção de acesso ao ensino superior nos anos iniciais dos governos petistas. Até então, no governo FHC, o foco era na inclusão, em situação deficitária de oferta de vagas e demanda estudantil.
Apesar das necessidades de aprimoramento do modelo do ENEM/SiSU, principalmente no que tange às questões regionais econômicas e sociais (que podem aparecer como contraditórias em uma prova universal segundo os princípios de equidade), cabe ressaltar a importância de um exame nacional enquanto política de democratização da educação. Tanto pela adesão universal de estudantes de escolas públicas de todo o país, quanto pelos dados que são recolhidos no que diz respeito ao acesso à prova (como gênero, etnia, faixa etária, etc.), com o objetivo de desenvolver a educação básica, assim como o acesso ao ensino superior.
Por certo, é necessário aumentar o número de estudantes que concluem o ensino médio como parte do processo de democratização do ensino superior e da educação como todo. O ENEM/SiSU com sua função de avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania,não apenas avalia o estudante, mas o próprio desenvolvimento das escolas. Bem como coleta os dados que resultam nas porcentagens de jovens que concluem o ensino médio e que acessam à universidade, para posteriormente gerar políticas educacionais integrais.
Além disso, características como a interdisciplinaridade entre as áreas do conhecimento; a contextualização e problematização histórica e social, presentes nas questões, e a exigência de capacidade de interpretação e abstração deixam a prova com um viés mais próximo do modelo de ensino pelo qual que se defende na perspectiva de democratizar e popularizar a educação.
Dessa forma, defende-se a nacionalização do método ENEM/SiSU como modo de ingresso ao ensino superior, com o horizonte de um ENEM que tenha apenas a função de avaliar os estudantes e a educação, pois o acesso ao ensino superior será também universal.
Para isso, defende-se fortemente a ampliação de recursos públicos para a expansão das universidades e do seu acesso.

Sobre a gestão democrática

As universidades brasileiras devem incorporar mecanismos de participação democrática em seus espaços de decisão. A participação de todas as categorias da comunidade universitária deve ser garantida em todos os órgãos colegiados da instituição, com garantia de paridade real entre estudantes, professores e técnico-administrativos. Nessas instâncias também deve ser incorporada a participação de movimentos sociais e demais organizações da sociedade, para que se efetive o real diálogo com a comunidade e se cumpra a função social da universidade. Além disso, devem ser inseridos instrumentos de construção coletiva dos planos político-pedagógicos e a avaliação de orçamentos participativos e seus fins.
Para a escolha de gestões de reitoria e outros espaços administrativos das universidades, pautamos as eleições diretas e, no mínimo, paritárias. Além disso, pautamos também o fim a da submissão de listas tríplices ao poder executivo.
A ampla maioria das universidades brasileiras, principalmente as mais antigas, tem um estatuto extremamente conservador. Por isso, orienta-se a organização de congressos estatuintes paritários, como uma possibilidade de reestruturar esses espaços de poder, com o horizonte de uma profunda democratização da universidade.


Nenhum centavo a menos!

A derrubada de um governo não se limita ao mérito de uma oposição, mas leva em conta as próprias falhas. O cenário político atual é de implementação de uma agenda conservadora por setores de direita derrotados nas eleições de 2014. Esta agenda reduz os direitos e as condições de acesso da classe trabalhadora e aniquila um projeto democrático, soberano, a favor do desenvolvimento e socialista de sociedade. Isso enquanto amplia as concessões neoliberais e beneficia os setores do oligopólio financeiro. Além da ofensiva do projeto conservador, estão em curso ações golpistas que reverberam na possibilidade de um Impeachment da presidenta democraticamente eleita e na desmoralização do Partido dos Trabalhadores.  
Diante disso os movimentos populares insurgem e tomam as ruas, apontando legitimamente as falhas da estratégia de governo e defendo a mudança de seus rumos, a partir da reversão das medidas políticas e econômicas que vêm sendo aplicadas, como o ajuste fiscal recessivo e a Agenda Brasil. Além disso, está no centro da pauta a implementação de um projeto de crescimento econômico com distribuição de riquezas, ampliação de investimentos públicos e as reformas estruturais necessárias para garantir a soberania nacional e o desenvolvimento social igualitário.

Nesse conjunto, a UNE insere-se na luta a partir da construção de espaços fundamentais para a unidade da esquerda, como a Frente Brasil Popular e convoca a todos/as estudantes para uma caravana a Brasília, no próximo dia 6 de outubro.

A caravana a Brasília da UNE, “Nenhum centavo a menos para a educação”, tem como eixos centrais a mudança da atual estratégica econômica, contra os cortes na educação e o ajuste fiscal recessivo, pela implementação do PNE e a efetivação dos 10% para a educação, a defesa da Petrobrás e da democracia.

Os cortes na educação são destrutivos principalmente aos/às estudantes que passaram a acessar o ensino superior a partir de políticas como as cotas, REUNI, SiSU, PROUNI, FIES e a depender de políticas de assistência estudantil. A conjuntura dos cortes traz à tona as obras de moradias, restaurantes universitários e espaços de cultura estagnados; a desvalorização salarial dos servidores públicos; a ampliação da terceirização dos serviços; a redução das bolsas de permanência; a exclusão da ampliação estrutural das universidades como um fim para a democratização da educação. Questões que dificultam a permanência estudantil e impossibilitam a ampliação do acesso da classe trabalhadora às universidades e a garantia da qualidade do ensino público.

Os e as estudantes da classe trabalhadora não devem pagar a conta. Portanto, afirma-se o óbvio: é preciso ampliar recursos públicos para a educação!

Além da reversão dos cortes, é necessário garantir os recursos do pré-sal, pois ao contrário do que foi afirmado na alegação de que “não faltarão recursos para a educação”, já faltavam recursos para a educação. Pois, a garantia do acesso livre, da permanência, da hegemonização da educação pública sobre a privada, da autonomia universitária perante o poder econômico e da transformação estrutural das universidades perpassa pela aplicação exclusiva e plena de orçamento público, em larga escala.

Ampliar recursos públicos para democratizar o acesso: a lei 12.711, que garante 50% de cotas a estudantes oriundos de escolas públicas, com recorte regional racial; o modelo de acesso nacionalizado e interligado ao ensino médio, que é o ENEM/SiSU e a ampliação estrutural das universidades a partir do REUNI, foram políticas importantes no processo de democratização do acesso, mas não suficientes. O movimento estudantil mantém em seu horizonte o acesso livre à educação de qualidade. Para isso é fundamental a ampliação das universidades de maneira descentralizada, atendendo todas as regiões dos estados e aumentar o quadro de servidores públicos, bem como a sua valorização salarial.

Ampliar recursos públicos para garantir a permanência: a partir do princípio da equidade, a educação pública deve ser de qualidade para todos e todas. Ou seja, estudantes da classe trabalhadora devem poder produzir o seu conhecimento a partir da pesquisa e da extensão, podendo optar sobre o seu tempo de estudo e de prática científica. Portanto, é necessário garantir a todos/as estudantes moradia, alimentação, creches, atendimento de saúde e espaços de produção cultural. Apenas dessa forma a contradição que se apresenta entre as classes sociais dentro da instituição pode começar a ser superada.

Ampliar recursos públicos para garantir a autonomia universitária, da pesquisa e da extetensão: na luta por autonomia universitária, é fundamental a defesa pela expansão do financiamento público e fim das parcerias público-privadas dentro das instituições de ensino. A universidade brasileira precisa deixar de prestar serviço às empresas privadas como função econômica e social, pois além de injusto, é disfuncional ao desenvolvimento do país. Isto é, servir ao mercado não apenas contribui com a manutenção de uma organização social desigual (em que o conhecimento produzido é apropriado por empresas que irão explorar os trabalhadores), mas, do ponto de vista da pesquisa fundamental, contribui com a produção de um conhecimento superficial passível às necessidades comerciais de curto prazo. Ou seja, esse modo de produção estagna todo um processo de desenvolvimento tecnológico profundo para o povo brasileiro devido a sua necessidade de variar constantemente a produção – para aderir à competitividade constantemente variável do mercado internacional.
Diante disso, é central garantir que os investimentos para a educação não partam de setores privados, que junto aos recursos colocam os seus interesses mercadológicos como objetivos da produção científica e os estudantes universitários como parte de sua força de produção.
Ao contrário, é necessário voltar o desenvolvimento tecnológico e científico às demandas do povo brasileiro, utilizando das tecnologias biológicas, nucleares, cibernéticas e de informação na realidade concreta do país. Há muitas demandas que devem ganhar maior incentivo na pesquisa e extensão universitária, como: inserir sistemas de produção cooperativos; desenvolver a agricultura familiar; voltar-se às demandas de mobilidade urbana, desenvolvendo a estrutura de transporte para a massa brasileira e estruturando de modo mais adequado os territórios, levando em conta as moradias, serviços públicos, iluminação sustentável, arborização; modernizar os sistemas de coleta e tratamento de lixo e de saneamento básico, etc.
Além disso, é preciso garantir estratégias para o desenvolvimento da Soberania Tecnológica no Brasil, desenvolvendo principalmente os temas de segurança pública; energia; aeroespacial; florestal e defesa nacional, a partir de investimentos públicos.

Para além de discutir a ampliação do financiamento, é necessário colocar em pauta o modelo de universidade. A democratização do acesso e da permanência não servem se forma isolada. Se a universidade hoje tem o modelo hegemônico da Reforma de 1968, convocada a servir interesses neoliberais: com uma estrutura fragmentada e hierárquica, um modelo de ensino bancário e princípios competitivos, necessita-se realizar uma Reforma Universitária Democrática e Popular.

Reforma Universitária para curricularizar a extensão: o modelo reprodutivista, em que o/a estudante passa a maior parte da sua formação profissional dentro de salas de aulas e laboratórios, aprendendo uma teoria restrita à apresentada pelo/a professor/a, não serve para emancipação e às demandas de trabalhadores/as.
O primeiro passo para a universidade tornar-se uma instituição social com potencial de transformação e superações de contradições, é tirar o modelo de aprendizagem da limitação da reprodução. Inserir no modelo de ensino a prática vinculada à teoria, de modo a conhecer as contradições sociais, é o único modo de produzir conhecimento de forma crítica e de modo a cumprir sua função social.

Reforma Universitária para democratizar a universidade: para garantir a estabilidade da universidade sem ferir a sua autonomia é necessário, além da ampliação dos investimentos públicos, efetivar instrumentos como o orçamento participativo para decidir o fim da aplicação destes recursos. Em outros termos, pautar a exclusividade do financiamento público e a inserção da comunidade nos espaços de decisão é a única forma de garantir que a universidade não se torne refém dos interesses empresariais que se manifestam no investimento da pesquisa e da extensão.
Além disso, é fundamental avançar pela paridade em todos os espaços de decisão (colegiados de curso, departamento, conselhos superiores, etc), provocando um rompimento com as opressões hierárquicas na relação professor-aluno presente na ampla maioria das instituições de ensino.

Reforma Universitária para regulamentar o ensino privado: a média de estudantes brasileiros que estão em instituições privadas é de 70%. Estas IES funcionam como distribuidoras de diplomas, tratando a educação como sua mercadoria, com o objetivo de final de auferir lucros.
Necessita-se rever este modelo, com o fim de tornar hegemônico o ensino público, e regulamentar o ensino privado. Esta regulamentação precisa corresponder ao modelo pedagógico “ensino, pesquisa e extensão”; garantir a livre organização estudantil, e consolidar políticas de assistência estudantil para a permanência de todos/as estudantes.

Durante os próximos dias, serão realizadas plenárias da UNE nas universidades de todo o país, para discutir a atual situação econômica e mobilizar todos/as estudantes às ruas de Brasília. E por fim, ressaltamos a importância da inserção nesses espaços de construção e de luta para a história e definição dos rumos do país e da educação pública.


Contra o ajuste fiscal recessivo e os cortes na educação!
Pela defesa da Petrobrás e destinação dos recursos do pré-sal para a educação!
Pela efetivação do PNE e dos 10% do PIB para a educação pública!
Por uma Reforma Universitária Democrática e Popular!

Em defesa da democracia conquistada a duras penas pelo povo brasileiro!

18 de set de 2015

Las identidades desafiliadas, Carlos A La Serna

La identidad desafiliada comporta el vinculo del trabajador com su experiencia laboral sin reconocimiento y acuerdo contractual. En la relación com el jefe o com el dueño del hogar donde el sujeto trabaja es informal, y lo trabajador no tiene ninguna garantia de derechos o o estabilidad. Esto ocurre porque si el servicio vá bién, el trabajador vá bién, si vá mal, lo mismo. Es lo que labura que tiene que garantizar sus propias condiciones.
Eso puede lograr al sujeto en un primer momiento un sentimiento de autonomia, como relatan muchos en el texto de Carlos A La Serna, identidades desafiliadas, pero lo más latente es lo sentimiento de desamparo y ausência de vinculo y reconocimiento coletivo. 
La afirmación de Daniel: “tengo que vivir de lo mio” muestra la individualización de la concepción de produción laboral. Lo trabajo es de él para él próprio. Así como la garantia de sus condiciones.
Las representaciones del mundo laboral en juego, en esta etapa neoliberal, son asfixiantes para lo empleado: lo miedo de ser despido, la humillación, la vigilância constante, la sospecha, etc. En este sentido, la identidad desafiliada puede lograr al individuo una supuesta libertad.
Para Diego, que trabaja en la calle, es la mejor opción en las condiciones existentes. Él cita el exemplo de los chicos que laburam en Mcdonalds, y falta de libertad para estar de acuerdo com su propio humor, pues son obligado a atiender con una sonrisa todo el tiempo, mismo que no puedam.
La identidad esta tan individualizada, en el contexto de trabajo en lo sistema neoliberal, que los sujetos desafiliados no vem objectivos con sistemas cooperativos o sindicais, allá de no querer afiliar-se a una empresa o jefe. Para ellos, es una burocracia a más, junto a cuotas a más.
Los talentos ligados a identidades desafiliadas son de aquellos sujetos que conquistan lo reconocimiento a partir de características individuales, como el exemplo de obtener la confianza de guardar la chave de personas que vivem en el hogar que trabajam de encargados o recibir la gente de auto con la ventanilla abierta, por serem simpáticos, confiables o competentes.
Otro punto que agrega a los trabajadores desafiliados son los encuentros que tienen en la calle. En este espacio, las personas controen sus valores, vínculos y compañeros. Por una falta de estabilidad del sistema, las personas se organizan entre si.
Los trabajadores que condicionan sus identidades a desafiliaciones en trabajos en la calle tienen dificuldades de volver a empresas que no les dêem cierta libertad de movimento, eso es un motivo por se llamarem de “trabajadores libres”.
Lo manejo de los tiempos se vuelven distintos. Los trabajadores que se consideran libres tienen la característica de su propia organización, pus librarse de la burocracia, de los contractos, también les da una organización distinta.
Las indentidades desafiliadas son cercadas de libertad pero también de incertitumbre. No se hace una organización, no tiene reglamientos. La produción no es determinada apenas por el sujeto, pues él aún es dependiente del sistema de mercado y de las exigências de sobrevivencia en el contexto neoliberal, pero puede definir gran parte de su produción diária.
Además, lo sujeto no tiene ninguna segurança (o derecho garantido) sin afiliación o en la calle. La libertad que viene por la decisión en la tomada de sus tiempos ocurre junto al desamparo que la falta de vinculo con el estado proporciona, dejando a los sujeto como ciudadanos sueltos en relación a sus derechos y la produción coletivo. Eso se reflete en las identidades, que también no perciben lo papel coletivo de sus produciones laborales.

Referencias:


De la Serna, C. (2010). La transformación del mundo del trabajo. Representaciones, prácticas e identidades. Buenos Aires: CLACSO

17 de set de 2015

Trabajo

El trabajo enajenado existe en la medida de la desvalorización del humano en contraposición a cresciente valorización de las cosas. El trabajo, en este punto, no solo produce las mercancias, pero también del obrero se hace una mercancia. Quanto más mercancia produce, menor es su valor.
En este contexto, el sujeto tiene el produto de su trabajo como objeto extraño a él. Pues el fin del trabajo es su objetivación. Esta objetivación ocurre como una perdida del objeto al sujeto, que se extraña de su propia produción, pus no participa del proceso por entero, apenas de una parte de él, devido a organización por competência.
Si el producto del trabajo es la objetivación de una potencia creativa (o fuerza de trabajo) del sujeto, el estrañamento que lo mismo tiene al fin de su objeto producido es la perdida de parte importante de si mismo y el desgaste de fuerza de trabajo en el proceso de produción es el desgaste de una energia fundamental a la propia vida.
Esto objeto producido que passa a ser estraño al trabajador que lo produce, pasa a tomar cuenta del mismo, pues el trabajador pone su vida en su producto. Ponendo su vida en un objeto que le es estraño, la vida del sujecto también se torna estraña.
En el proceso de trabajo, el trabajador adentra en una lógica de servidumbre, en que se torna servo de su objeto de produción. Eso es, él recibe trabajo a partir de lo objeto y pasa a existir como trabajador, después recibi médios de subsistências, pasando a existir como sujeto físico. Estos son médios necessarios para constituir un siervo.
La enajenación del trabajo no se constitui solo por lo produto final en relación a su productor, pero en el acto de la producción dentro de la actividad produtiva. El trabajador tiene su producto ajeno por parte de tener la producción entera ajena a si. El producto final es tan solo un resultado de la producción.
El trabajo, en su forma no ajena al sujeto, es una necessidade, puede ser visto como energia sublimada, fuerza direccionada a uma coación externa,etc. El sujeto en plenas condiciones de salud trabaja a partir de su movimiento creativo, de modo voluntario, siente que el producto y el proceso pertenence a su ser y que el propio esta en lo suyo. Pero en el trabajo ajenado, nada de eso ocurre, pues el sujeto tiene en el trabajo un medio para la satisfacción de sus necesidades basicas allá del trabajo. El trabajo, en este sentido, solo entristece el hombre y la mujer, empobrece su espírito.
Satisfazer necesidades básicas, tan solo, es reducir el hombre a sus funciones animales, pues comer y beber son funciones humanas pero la diferencia esta en la separación de las otras necesidades o actividades de la vida humana.
La relación homem/mujer – trabajo – naturaleza esta integrada de forma muy directa. El trabajo ajenado coloca el ombre ajeno a los objetos producidos y, de eso modo, también de la naturaleza que contiene la matéria prima de los objetos. El hombre es parte de la naturaleza externa a partir de que precisa nutrir-se de materias naturales para vivir. Por eso, la ajenación se da en los hambitos de lo objeto, ación de producir, naturelaleza (por las matérias e ambiente) e cada vez más a si propio.
La question es que si lo trabajo, produción, naturaleza, espiritu y el propio hombre/mujer son ajenos al sujeto, pertenencen a otro sujeto.

Referência:


Marx, K. Manuscritos económicos y filosóficos de 1844. El trabajo enajenado. Recuperado de http://www.marxists.org/espanol/m-e/1840s/manuscritos/

16 de set de 2015

Reflexión acerca del Trabajo Cannabis Sativa, Marihuana en el Uruguay

La demanda es existente tiene años, desde la dictadura (o antes). Las drogas hacen parte de la vida humana como la propia cultura. Como se criminaliza el uso de una tan presente como la Marihuana?
La ley, como era antes de la nueva reglamentación, era injusta, pues la criminalización recaía en los jóvenes qué vivían en la periferia.
El proyecto pensado fue focalizado no solo en el uso recreativo, pero también en el uso industrial, científico e medicinal, en las cuestiones de salud, etc. Así se piensa en la complexidad política no solo por derechos individuales, mas en todo que la reglamentación de Marihuana representa. Va también pela cuestión de la Política de Drogas internacional. Sin alguna reglamentación de producción, uso y/o consumo, los Estados Unidos intervén como desean (como ocurre ya en países latinoamericanos: Nicaragua, Honduras, Guatemala, Colombia, etc.).
Otro punto es que pensar solo en cultivo no seria una solución suficiente, pues no cuenta con los usuarios que no tienen disposición emocional, estructural o financiera para plantar.   
Sobre la salud, lo proyecto de ley tenía como un objetivo mejorar las condiciones de salud da personas, a partir de la información. Pues, o que ocurría antes (de modo más fuerte, pero ocurre también en el presente)  era una salud imposta por una pedagogía del miedo. 
Información es necesario, e para eso es preciso la reglamentación. Pues no se puede conocer la cualidad y los efectos de una substancial no reglamentada.
También se debe pensar en la salud mental, no solo en la física. Existen personas que consumen algunas drogas, como o cigarro, para atingir un bienestar (sea por estar en grupo, sea por diminuir el estrese o ansiedad provocado por un día intenso de trabajo, estudio).
Debe-se pensar en políticas de drogas relacionadas a salud que comprendan todo el contexto en que o sujeto esta inserido, y que lo patológico, muchas veces, esta en el cotidiano, en lo que provoca la necesidad por la compulsión.
Otro punto relevante es la relación que el mercado tomo con las drogas legales. La legalización sin una reglamentación que prohíba la propaganda genera una promoción del consumo contribuyente para muchas compulsiones.

Es importante informar la gente sobre los efectos das drogas, que poden ser positivos o negativos dependiendo del contexto y del sujeto. Es importante que ocurra el trabajo pedagógico junto a legalización. Pero es importante no confundir con una promoción de consumo.  

15 de set de 2015

La zona de desarrollo próximo: donde cultura y conocimiento se generan mutuamente, de Michael Cole

O texto inicia com a problematização em torno da separação dos enfoques da psicologia em subáreas (evolutiva, cognitiva e cultural). Para o autor, estes temas estão intimamente relacionados, e entra em desacordo com tal separação que compreende o desenvolvimento cognitivo em separado das circunstâncias culturais em que as pessoas se desenvolvem. Tal separação ocorre sob uma perspectiva histórica, Wundt, por exemplo, já trazia em sua perspectiva a distinção entre as funções psicológicas.
De forma simplificada, a mente e a sociedade podem ser retratadas de forma dualista, trazendo à psicologia a tarefa de relacionar os aspectos individuais com os sociais.
Vygotski trabalha a partir de uma conciliação entre o estudo das experiências culturais com o estudo do desenvolvimento cognitivo. O autor não admitia a separação do entorno com o individual. Para ele o desenvolvimento cognitivo se tratava de um processo necessário para a aquisição da cultura.
Rumehart conceitua os esquemas por unidades básicas de conhecimento humano (que constituem os conceitos em questão e que se inter-relacionam). Os esquemas constituem a representação.

O trabalho em questão traz o enfoque sociocultural com um papel central na estruturação das diferenças entre as pessoas. Em suas perspectiva, as atividades interiores e exteriores ao sujeitos devem ser vista a partir do mesmo patamar. As atividades dos sujeitos não apenas se desenvolvem em uma situação e ambiente determinados, mas são, de forma intrínseca, dependentes do ambiente e da situação em que ocorrem. A ênfase também ocorre na teoria de a atividade humana é fruto da interação mútua.