10 de dez de 2014

Sobre o Narcisismo


Talvez a psicologia leve em conta a retomada de noções. Não se apropria de conceitos, mas se refaz o tempo todo. Como o passado, que só existe na dimensão do presente.
Já a dimensão psicológica não existe no tempo presente, mas, sim, em construções psicológicas que permitem suportar o presente. A dimensão da presença está no corpo (não psicológico?).
De qualquer modo, algo está presente – nesse sentido dá-se um tempo para a presença. Qual o tempo da presença? Esse tempo pode ser encontrado na sessão, um que tempo que não é psicológico e, portanto, requer um psicólogo.
No entanto, o produto de uma sessão (tempo presente) é psicológico.

Sob o conceito de Freud sobre o narcisismo, tem-se um sujeito que trata seu corpo como um objeto sexual. Esta noção de narcisismo está na raiz da criação de objetos – o objeto não é criado sem o movimento narcísico do sujeito.
O narcisismo não se trata de um estado (de contemplação), mas de um movimento psíquico – uma atividade de caráter psicológico.
A unidade de corpo (no campo psicológico) é criada a partir do narcisismo. No entanto não é simples criar unidade. Um psicótico, por exemplo, pode ter a sua unidade do corpo em pedaços.
Para Freud, o narcisismo se trata de uma colocação da libido. Libido = Energia Sexual (outro ponto relevante e aleatório: para os seres humanos o sexual pulsa sem parar).
Qual a explicação para o sexual criar unidade? Talvez, para adentrarmos na resposta, tenhamos que trocar sexual por erótico, pois o sexual não comporta unidade.
O termo “objeto sexual” é um tanto quanto paradoxo, pois o sexual não pode estar contido em um. O que dá a unidade às coisas (aos objetos) é o erótico.
Quanto ao sexual, não se trata apenas de não gerar unidade, mas de quebrar unidade.
Quando há o indivíduo (não dividido), não há o sexual, senão não haveria a coisa constituída.
No sujeito se constitui uma sexualidade que, para Freud, é da ordem erótica, não sexual.
O neurótico desempenha essa sexualidade abaixo de recalcamento. Porém ele tem o saber da sexualidade e que o seu objeto é outro, e que é cambiável.
Já na perversão o objeto é aquele, não está em outro, não está no lugar da falta de objeto.
O que a gente deseja é sempre outra coisa. A não ser para o perverso.
O encontro com o sexual está em uma erótica que se organiza de outra forma. Já o encontro com a erótica do outro é impossível. Cada um vive o momento sexual no seu mundo erótico. Nesse instante a sua erótica entra em questão.
Sobre o psicótico, ele não requer de elementos simbólicos na dimensão do psíquico.

Para Freud, de início, não há um Eu instituído no indivíduo. A questão é: como o Eu vai se instituindo? É preciso de um lugar (instância) que desempenha a função de mãe (lugar/instância, pois a palavra solitária “mãe” fica colada a real figura de mãe – o que não funciona de modo absoluto e necessário). Esse lugar de mãe, esse papel de mãe existe corporalmente.
A mãe (em seu papel) no reconhecimento de seu/sua filho/filha, jamais o/a confundindo com nenhuma outra criança, passa a  instituir um Eu no mundo – tem-se, dessa forma a constituição do que se conceitua narcisismo – Eu como objeto da mãe.
- Não encontrar um lugar no outro faz com que não se crie o objeto que o próprio sujeito seria.
“O outro não está” – é o que Freud chama de morte.
* Diferenciar pulsão (de morte) de pulsões (autoconservação)

O Eu encontra o que ele quer nos objetos. Ele participa de “Encontros”. Ele divide sua sexualidade – mas nunca o sexual.

Falo pode ser conceituado como aquilo que falta para a mãe. Um objeto bastante especial.
Quanto ao narcisismo, em um primeiro momento, há um investimento libidinal, originário, ao Eu. Mais tarde este investimento será destinado ao objeto.

A insistência da psicopatologia: o que se encontra no discurso psicótico?
Sobre as manifestações inconscientes, no psicótico, parece que as instâncias não se diferenciam por barreiras tão sólidas.




Medida como unidade.
Arte como sem medida.
Pai entra em questão: deixa-se a arte acontecer.

“O pai sabe” – posição da criança. Quando o outro sabe o sujeito está na posição infantil.
Para Freud, o psicótico não consegue operar mentalmente o esquema: coisa e palavra = objeto. Esse esquema trata-se de uma simbolização.
Há que se notar: código é diferente de língua. Código é diferente de simbolização. Na psicose há um código – um sinal que indica alguma coisa.
Na paranóia, cada elemento quer dizer alguma coisa.

Há o tempo do surto e há o tempo que está tudo em ordem.
Para o sujeito, o que está disponível em um dos tempos está disponível também no outro. O que faz com que alguém em pleno surto psicótico busque ajuda é o outro que não o acompanha. O outro está tenso, o sujeito em surto está sozinho e sem nenhum suporte.

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