21 de dez de 2014

Por um encontro com a palavra

Toda experiência tem o processamento do Eu. Quando aconteceu a experiência, o Eu terá o saber no tempo seguinte
Através das palavras criamos as significações para o que nos passa. Entende-se que lutar pelas palavras é lutar pelo sentido de nossas vivências. Palavras são mais do que palavras. Elas fazem parte do jogo em que se cria a realidade e apropria-se dela. O domínio do pensamento ocorre de acordo com a linguagem. Esse passa a ser significativo ao cruzar-se com ela. “O pensamento se reestrutura e se modifica ao transformar-se em linguagem. O pensamento não se expressa na palavra, mas se realiza nela” (Vygotski, 1993, p.298).

A formação analítica requer a experiência.
De qualquer modo, os psicanalistas trabalham sem um saber. Se o saber for produzido na sessão, será produzido pelo paciente.
O jogo jamais será colocado na mesa por um psicanalista.

A noção de psicanálise costuma perpetuar-se, na academia, como algo psicológico. Conceitua-se o inconsciente, aplica-lhe uma técnica – controla-se sua dimensão.
O inconsciente foi encontrado, por Freud, com as conotações sexuais.

Se a pulsão se insere nos meios de discursos que o sujeito provém, se torna um fato. Se o fato existe, não existe questão.
A pulsão está aquém do nível psíquico e do nível psicológico.

“A psicanálise é um discurso sem fala”.
O que seria um discurso sem fala?
O Eu fala. O sujeito (a nível do inconsciente) não fala – mas se encontra no discurso.

A angústia é a pulsão manifestando-se sem definição. O medo mostra como se dá o processo definido. O medo do escuro, por exemplo, ao ligar a luz, tudo fica bem. Nesse sentido, enquanto uns vêem a fobia como um problema a ser tratado, outros a vêem como uma solução, pois sempre que houver uma representação, não haverá angústia.
Essa angústia encontra-se no simbólico. Quando o simbólico surge, logo escapa, e o que fica é o que não se sabe e, não sabendo, não se aguenta. Dessa forma, é necessário significar e colocar a imaginação em jogo.
O simbólico não está na ligação de uma imagem a uma coisa. Ao contrário, tem-se o simbólico como uma coisa que desliza. Como deslocamento.


É preciso significar o que se passa, para que o sujeito possa agüentar os afetos. É preciso produzir um material de palavra. O trabalho do psicanalista se dá em torno disso, junto ao paciente, nessa produção de discurso, que apenas pode ocorrer com o outro.

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