30 de nov de 2014

sem auê


já não realizo despedidas,
como um evento, uma festa,
algo pontual, definitivo e preciso
- como se houvesse como se ter o momento exato em que a vida muda

despedida é coisa que acontece todo dia.

eu já não me despeço
já não acredito na precisão da partida
na pontualidade do final
na transformação definitiva
na premeditação da falta

falta é coisa que acontece.

e apesar de saber do tempo que vai se passar
e do que se muda, e do que se muda no outro, e do que se muda no jogo
e do que se muda na vida toda e no mundo
e no que se muda...
e que quando se volta, não se volta nunca
porque mudou
(e acho que já tinha mudado antes de ter ido
porque foi mudando aos poucos)

- e a despedida é apreender um mudar aos poucos -

eu não vou fazer auê.
desculpa, mas eu não vou avisar quando terminar
não vou dizer que acabou
se vou partir
se vai partir
não
eu não vou enganar ninguém
forçando algo que não tem como forçar.

eu vou sair de fininho
sempre que sair
e assim eu vou chegar.

tão sutil que só perceberá quem realmente merecer a despedida
que vem do silencio
da última tragada
da vista de cada janela
de cada fundo de cada olho

sem aviso por baixo da porta.

não, eu não vou fazer auê.

Nenhum comentário:

Postar um comentário