3 de nov de 2014

Nação


A arrogância gaúcha me incomoda. Sinceramente. Me contorce o estômago. "Vamos separar o Rio Grande do Sul do resto do Brasil". Eis a nossa "eterna batalha". Eu só consigo pensar: deus me livre!

Deus me livre perder o nordeste, a raiz cultural mais bonita desse país. Mais nossa. Mais a gente. O pedaço da história mais emocionante. A processo de produção mais doído. A vegetação mais teimosa.
E a chuva que não-se-sabe. E a água que não tem. E quando tem, tem que buscar, num chão de sertão, que é sertão mesmo (e não como aqui, que a gente faz piada em dia muito quente, chamando nosso calor de calor de sertão).

Deus me livre perder a força do sertanejo!

Lá chove pouco, sim. A gente não sabe que é difícil quando não chove?
A exploração e o descaso dos europeus, no início do que chamamos de descoberta e desenvolvimento do Brasil, se deu de modo mais brutal no sertão. A gente não sabe que a coisa toda não começou hoje?

O que se ouve, com mais frequência, pós-eleições: o nordestino é preguiçoso. O nordestino é burro. O nordestino não sabe votar.
A gente não sabe que isso não tem cabimento?
A gente não sabe ou não quer saber para não perder a pose de macho do país?

Porque, para estar a cima, precisa haver quem esteja por baixo.
E, de modo perverso, elegemos o nordeste.

Um comentário:

  1. Fez-me lembrar de "Perfeição", em que Renato Russo já cantava... "Vamos celebrar... O nosso estado, que não é nação."
    GK

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