7 de ago de 2014

Reflexões sobre a Disciplina de Ética e Psicologia



As aulas de Ética e Psicologia trouxeram muitas questões para reflexão sobre o exercício da profissão.
Primeiro pela própria leitura do Código de Ética, que contribuiu para a formação pelo fato da necessidade de termos acesso a tal documento, por princípios básicos. Este se faz necessário quando pensamos em ações como a da psicóloga cristã.          No caso referido, ela garantia a realização da "cura gay", o que se torna absurdo em um país em que a liberdade quanto à orientação sexual é garantida por lei, e a homossexualidade não é considerada uma doença. 
Tal fato torna-se um absurdo diante de princípios gerais da profissão e da sociedade, garantidos pela constituição. Ou seja, a discussão que ocorre em torno do código de ética é que o psicólogo, sendo um indivíduo que é influenciado por diversas crenças, precisa ter suas ações profissionais permeadas por discussões realizadas amplamente com outros sujeitos que exercem a mesma função social, da forma que as suas ações condigam com as normas e a sociedade em si.
A palavra função social torna-se, então, um termo chave. É necessário perceber a profissão do psicólogo, assim como qualquer outra, a partir de seu papel social. Com isso, o sujeito profissional não pode estar deslocado de sua cultura e das leis que regem a sociedade, garantindo, em seus atos, os direitos e deveres civis. Por exemplo, se a constituição alega que o estado é laico, os profissionais devem evitar utilizar o seu registro da profissão para assegurar o desenvolvimento de suas ações vinculadas à religião da qual faz parte - tal ponto atinge questão muito além da religião, como ideologias, etc.
Outro ponto interessante das aulas foi discutir sobre a política que rege o código de ética da profissão de psicólogo. Por trás das regulamentações profissionais, há concepções relacionadas à constituição. Como se refere a cima, o Código de Ética garante que o profissional irá garantir os direitos dos sujeitos que se utilizarem de seus serviços. Sem contar que tal ponto coloca o próprio código como algo passível a constantes discussões e modificações, pois a sociedade não estável, e todo o seu processo leva a mudanças materiais, estruturais e da própria concepção de sujeito, alegando novos direitos e novos deveres.
Portanto, o profissional, mesmo depois de formado, precisa continuar se especializando e se informando. Tal especialização não se refere apenas a teorias e técnicas de saúde ou de psicologia em geral, mas dá própria situação política e social de seu contexto.
Diante disso, pode-se colocar a visão profissional bastante próxima da visão política, percebendo o quanto a última pode interferir na primeira. Ao discutirmos nas aulas temas polêmicos, como drogas, aborto, eutanásia, entre outros, percebemos o quanto precisamos trabalhar na nossa própria percepção política sobre um determinado assunto para a nossa prática profissional.
A intervenção em grupos, por exemplo, em torno de uma problemática ou conflitos em geral, requer pensamento crítico, histórico, social e político, desenvolvido com racionalidade e boa capacidade de argumentação. Acredito que a prática profissional do psicólogo, no contexto social, demanda tal modo de intervenção e as aulas de Ética e Psicologia fizeram com que fosse colocado em prática esse modo de pensar e se comunicar.

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