30 de ago de 2014

Reestruturação

     Dizem que perder algumas coisas, nessa vida, serve para dar espaços a coisas novas.
     Então, a perda, o fim, a despedida tem o seu consolo: o novo. Ah, o novo, a nova escrita, o novo olhar, a nova pessoa, o novo objetivo, a nova vida, o novo. Eu... A mudança que ocorre pelas bordas, o problema que vira memória, aquilo que te bagunça...
      Ah, a reestruturação. A questão é: aquela reestruturação de algo tão central na sua vida que já não tem mais.

      Alguém tão importante, que te mostrou um novo jeito de ser no mundo, que te tirou dando mais, bagunçou pra disciplinar de um jeito que nunca se teve tanto. Foi-se. Com os olhos azuis, o blusão de listras verde e branco, o seu controle sobre o mundo, sobre o meu mundo, o jeito pesado de dormir, de fumar.Foi-se. E dessa vez é sério.

     E esse jeito novo de ser no mundo que vai chegar a partir desse buraco?
     
     E me pergunto: o que há de ser de mim sem você?
     Não com melancolia.
     Não com angústia ou ansiedade.
     De forma nenhuma com alegria.
     Apenas com a lucidez e a precisão dessa pergunta.
  

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