31 de ago de 2014

Nunca mais do mesmo

      Em cima da montanha. Lá do alto. Fumando o cachimbo. Doce. A fumaça vai subindo. Parece, quase, se misturar com as nuvens. Por fora, nada. Por dentro, tudo.
      Saudades dele, sim. Saudades dela, sim. Saudades do cheiro. Saudades de tudo. Gentle Giant, toca ao fundo, toca em tudo. A vida é um conto de memória e de saudade e de aventura.
      Você foi embora, mas eu tenho os pássaros. Eu tenho tudo. E tem gente que volta. E traz algo novo.
   
       Não do mesmo
       Nunca mais do mesmo

      E eu olhei um monte pra você, querendo entrar naquele momento, estar o mais que pudesse, até com o pensamento dentro daquele quarto. Olhando pra você. Até não ter mais como olhar. Em silêncio. Olhando muito pra você.
      Concentrado. Arrumando as suas coisas.Arrumando a sua cabeça. Se despedindo por dentro.
      Eu olhava pra você porque eu sabia que ia querer olhar muito depois. Eu olhei pra você porque, sem drama, sabia que seria a última vez. Eu olhei pra você porque não havia outra coisa a fazer.
   
       Eu ainda não chorei. Talvez de tanto olhar. Eu não pude chorar. Mas admito, que também não consigo engolir. Admito, o choro na garganta.

      A janela aberta. O céu azul as nuvens a fumaça o cigarro o cachimbo o cabelo branco a cabeça pesada o choro na garganta tudo que valeu a pena as memórias o porvir o que voltou o que não vai voltar...

   




       Eu só queria olhar um monte para você mais uma vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário