29 de jul de 2014

Neurose Obsessiva



Um ponto relevante para começar a discorrer sobre um caso neurótico obsessivo: não há neurose obsessiva sem atividade sexual efetiva na infância.

Outro ponto é na dimensão da linguagem: a erótica existe na Representação. A excitação existe nas brechas da erótica.

Na dimensão da erótica, tem-se a Significação: há uma ação dirigida na formação de signos. Portanto, é fundamental que o sujeito fale.

Para Freud, o desenvolvimento sexual está na disposição indiferenciada da criança – aquém da diferença entre os sexos.

Ao discurso neurótico corresponde uma fantasia de ordem sexual. Ao perverso há correspondente uma ação perversa. “O neurótico fantasia o que o perverso realiza.”

O objeto psicopatológico sempre se apresentará em forma de questão. O motivo da neurose obsessiva, o pensamento compulsivo, liga-se a uma excitação que, como já foi exposto, não foi representada.

O termo neurose obsessiva em alemão é Zwangsneurose. Zwangs traduz-se como compulsão, algo que repele. Zwangsneurose = neurose de compulsão.


A neurose obsessiva é vivida no pensamento, diferentemente da histeria que é vivida no corpo, e tem o salto do anímico à inervação somática. O homem dos Ratos, caso de neurose obsessiva relatado por Freud, padece de representações compulsivas desde a infância.

Conteúdo do padecer: temores de que algo aconteça a pessoas amadas (mulher que admira e seu pai), e produções de impulsos.

O temor tem a marca da indefinição, ao contrário do medo (como o medo de escuro), que tem um objeto definido.

           O homem dos ratos tinha a ideia doente de que seus pais ouviriam os seus pensamentos – eis o início da doença para Freud. Para o sujeito mencionado, algo aconteceria se ele pensasse (sobre seu desejo de ver garotas nuas). Então, fazia de tudo para impedir o seu pensamento.

Pensamento – centro da neurose obsessiva, ocorrendo de modo compulsivo.





É característico do temor a indiferença. Mas ele não é a angústia, pois está prestes a se definir.

Medo – definido;
Temor – indefinido prestes a se definir;
Angústia – indefinível.

Neurose obsessiva

- O Eu se põe em contradição com esse desejo – caráter obsessivo do desejo.
- Neste caso, o Eu sente o desejo como alheio.
- O temor surge para contrariar o desejo.
- Ao temor obsessivo liga-se um afeto penoso.
- Este afeto origina impulsos.

O desejo obsessivo ocorre pela posição de contradição do Eu quanto ao desejo. Esta contradição coloca o desejo na posição de um dizer, que é contradito, que é negado. Este desejo é de outro.

1) Uma pulsão erótica e um levante contra ela – contradição do desejo.
Em O Homem dos Ratos, a contradição do desejo se expressa no temor de que algo aconteça a alguém que gosta muito.

O temor liga-se ao desejo através de elementos da linguagem.

- Encontra-se neste caso, “Uma espécie de delírio ou formação delirante”. Em O Homem dos Ratos, os pais saberiam seu pensamento.

O sem sentido está presente nas formações de neuroses obsessivas. No entanto, não se fala aqui em psicose. Portanto, não se trata de um delírio, mas de uma espécie de delírio.

Na cabeça de um neurótico obsessivo pensamentos se opõem com hostilidade.

Para Freud, na neurose obsessiva, há um descasamento entre o conteúdo e um afeto. Melhor falando, uma representação banal ganha um afeto intenso.
Este afeto pertence a outro conteúdo de representação, não ao propriamente conhecido.

“O amor intenso é uma condição para um ódio reprimido” – no neurótico obsessivo.

O Homem dos Ratos possui hostilidade para com o que perturba seus desejos sexuais. Então, ódio ao pai!






Ele fala, Freud, no texto de duas compulsões: 1) compulsão protetora, e 2) compulsão de compreender.

1)Por exemplo, o Homem dos Ratos enxerga uma pedra no caminho e a retira para que não aconteça nada de mal a mulher que ama. No momento seguinte, ele recoloca a pedra no lugar, dizendo a si mesmo que a retirada da pedra foi uma bobagem.

A vida do Homem dos Ratos é tirar e recolocar a pedra, o tempo todo, sem cessar. A sua cabeça é um retira e recoloca a pedra o tempo inteiro.

2) Há uma mistura de proteção e compreensão. Tudo passando pelos pensamentos.

15 de jul de 2014

24 de Julho de 2013

     Acordar para outra dureza de dia, cheio de avaliações e olhares avaliadores. É duro.

11 de jul de 2014

23 de Julho de 2013

     Há dias em que a vida apresenta-se como uma prova de resistência.
     Ainda assim, empolgante - vive-se.

     O inverno é anestesiante.
     Mas o sol aparece por alguns segundos, que é pra provocar aquela esperança de calor que volta em algum momento.
    

8 de jul de 2014

Escrevendo-se

     Coisa mágica é sentar para escrever, sem saber com certeza o que escrever
     - a certeza que falta de si mesmo -
     florescendo no papel a escrita e o sujeito.