22 de jun de 2014

TeoriAção

     Até que ponto temos a prática desvinculada da teoria? Nos questionamos no grupo onde estava a prática e por que não saíamos das discussões.
    Tal fato me remete às reuniões do Movimento Estudantil, em que participamos de reuniões que duram, em média, umas cinco horas. Compartilhando um espaço de fala e escuta. Cada qual anuncia a sua perspectiva. E, de forma mágica, no fim da reunião "surgem" encaminhamentos.
     Num passe de mágica as tantas falas (in)coesas dão lugar a uma estratégia de futura ação.
     Depois de todas as manifestações, eis o consenso. Não por que alguns abriram mão de sua opinião própria e se alienaram ao pensamento alheio. Mas por que um espaço de discussão trata-se justamente, de um espaço de construção e desconstrução de ideias; de reflexão e significação. Trata-se de ação.

10 de jun de 2014

Entrevista sobre Diagnóstico Clínico na Abordagem Psicanalítica



1. Introdução

A entrevista foi realizada com uma psicóloga clínica de abordagem psicanalítica. O tema psicanalítico não foi premeditado, gerando, posteriormente, questões quanto ao diagnóstico na psicoterapia, e suas diferenciações relacionadas aos princípios teóricos que regem o tratamento.
Inicialmente, na perspectiva da psicanálise, pareceu haver incompatibilidades profundas de tal área com o uso do diagnóstico. No entanto, em um segundo momento pós-entrevista preenchido com estudos teóricos, foi percebido um uso parcial do diagnóstico em psicanálise, porém sem a mesma ênfase que se encontra em outras abordagens.

2. Diagnóstico na abordagem psicanalítica

As investigações clínicas rumo à resolução dos problemas do paciente se dão na dimensão do dizer, segundo a psicanálise. A atuação do psicólogo caracteriza em dois momentos distintos: 1) o momento da psicoterapia em si, a partir da relação com o sujeito e a escuta do psicoterapeuta, e 2) o momento pós-psicoterapia, com a teorização e conceituação do desenvolvido pelo sujeito, e a construção do pensamento diagnóstico. Este pensamento orienta o tratamento, no entanto não o limita (Rosa, M. D., 1996).
Ao diagnosticar, o psicoterapeuta relaciona-se a partir da dimensão sujeito-objetivo com o paciente, incidindo desta forma em sua identidade. Torna-se propício que o último passe a tratar-se também como um objeto, aceitando a explicação prévia, o diagnóstico do psicólogo, como uma forma de controlar a si mesmo– e, por si só, praticando o autocontrole e utilizando das explicações científicas. No entanto, ao contrário de outras abordagens, na perspectiva psicanalítica, tal situação é negativa, pois esse controle sobre si mesmo trata-se apenas de uma impressão ao sujeito.
Outro ponto relevante é o fato de que, em um contexto psicanalítico, os conflitos psíquicos do paciente, que se expressam em sinais e sintomas. Estes não possuem valor diagnóstico em si, pois podem compor diversas formas de quadros clínicos em indivíduos diferentes, do mesmo modo que um quadro clínico pode expressar sintomas e sinais diferentes em sujeitos distintos. A interação do sujeito com




o seu meio e a adaptação do primeiro que trazem consigo uma importância diagnóstica (Romaro, R. A., 1999).
A partir de 1895, Freud passou a alertar sobre a ambiguidade do processo diagnóstico no tratamento clínico psicanalítico: positivamente, falava da necessidade dos apontamentos precoces de um diagnóstico para a condução à cura; porém, ressaltando o fato de que o mesmo só poderia ser confirmado após uma quantidade relevante de tempo do tratamento (Dor, 1994 apud Romaro, R. A., 1999).

3. Entrevista

Linha teórica: Psicanálise.

Sobre o desenvolvimento do diagnóstico: não costuma usar, pelo fato de muitos pacientes chegarem à psicoterapia se autorrotulando (ex.: “eu sou bipolar”). O diagnóstico, na visão da psicóloga entrevistada, acaba limitando o paciente, não permitindo que o discurso flua de forma espontânea. 

Sobre a necessidade do diagnóstico: Para o psicoterapeuta que segue a psicanálise, é importante ter noção da estrutura de base (neurose, psicose etc.) do paciente, para saber como proceder com o tratamento. Mas o diagnóstico que a psiquiatria segue (DSM, CID) não se faz necessário para que ocorra o processo terapêutico.

4. Conclusão

O uso do diagnóstico clínico tem sua relevância diferenciada dependendo da abordagem pela qual é utilizado.
A psicanálise utiliza-o como instrumento, compreendendo a sua importância em certo direcionamento à cura. Todavia, não trata o diagnóstico como ponto crucial para o desenlace do tratamento, tomando, inclusive, cuidado para que o diagnóstico não acabe por limitar a psicoterapia no momento do discurso do paciente.  




Referências Bibliográficas


Rosa, M. D. (1996). O diagnóstico psicanalítico e os métodos projetivos. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 16, nº. 2, Brasília.

Romaro, R. A. (1999). O estabelecimento do diagnóstico em psicanálise. Revista Psicoufsc, v. 3, nº. 2, p. 23.