1 de jan de 2014

Em clima de último dia de ano:

O que de mais significativo pode se esperar da vida senão um amontoado de memórias? Como a Thani Prunzel metaforizou um dia, a vida como uma colcha de retalhos, em que uns retalhos tem mais cores que outros. Retalhos, esses, que são eventos, relações, causas... pessoas - as marcas e afetos que trazem o sentido da vida, que formam quem somos.

Eu gosto de pensar nos meus retalhos costurados, uns por cima dos outros, uns (quase) intocáveis, uns ocultados.

Ah, memórias, que tesouro poderia ser mais valioso?

E os encontros que nos proporcionam as memórias que mais mancham, marcam, pintam... se contrastam nessa colcha de retalhos, de memórias... Encontros que se tratam não do encontro comum, diário, cotidiano com as pessoas, nos corredores, na aula, no bar da esquina (esses também vão pra colcha, mas sem um colorido tão vivo), mas do encontro que faz se perder, que entra, que muda o caminho, a percepção do mundo; que abre os teus olhos... ou fecha; que é um baque, que quebra o silêncio - ou traz o silêncio. Falo de encontros com gente que entra nas tuas brechas e te transborda, que te descobre, te reinventa e que você descobre, no outro, o outro, e se descobre... Falo do encontro com aquele que fica, mesmo que parta. Mesmo que suba em seu barquinho, atravesse o oceano e pense em não voltar - fica na colcha, mesmo que algo de ti se vá também. E algo de ti sempre está indo, mas a colcha... a colcha não perde um único retalho. Por mais que algumas cores se apaguem e outras se manchem, por mais que alguns retalhos cubram outros à medida que a colcha cresce, os retalhos permanecem. E a cada ano somam-se pedaços de retalhos, de memórias. Alguns são mais vibrantes, né, Thani?
Alguns retalhos trouxeram todas as cores pra minha colcha, em 2013.



E não falarei do futuro nem da partida.

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