1 de dez de 2013

Vento Solar

É tão mais fácil deixar ir do que segurar pela mão.
Sentir o vento e sentir saudade. E não falar nada.
Ver se perder sem se perder.
Cuidar de si antes.
Acender um cigarro.
E ver partir.
Sem responsabilidade.
Os ganhos, as perdas, as memórias, a dor...
O cigarro
E o girassol
E a morte de novo logo ali
A cor da camisa
O cheiro da camisa
O calor por trás da camisa.
A crueza da carne
A crueldade da carne.

Poderia ter esperado mais um pouco
Repousado um pouco mais a sua cabeça no meu colo
O seus olhos na minha cabeça
As suas mãos nas minhas coxas.
Ofegado um pouco mais no meu pescoço.

Não precisava ter tanta pressa para o momento de partir
Deixar o cais
Trocar de porto

Outro porto.
Outra poesia.
Algo novo.
Eu também gosto.

Mas ainda mais de ter ver.

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