16 de dez de 2013

Voz e Vez aos Estudantes!

Reunimo-nos nessa segunda, dia 16 de Dezembro de 2013, estudantes de diversos semestres do curso de psicologia da UFSM e também da Unifra para discutir o autoritarismo dentro do curso e da universidade.

A discussão iniciou em torno do evento ocorrido na última semana, em que uma estudante teve a sua nota prejudicada pela alegação da professora da disciplina de que a primeira não fez um trabalho acadêmico que, na verdade, fez. Apesar da estudante afirmar ter feito o trabalho e se dispor a trazê-lo para a professora reavaliar, esta não aceitou e argumentou que qualquer um poderia ter assinado pela mesma.

Tal fato pode ser conceituado como assédio moral, que pode ter recorrência em instâncias superiores e acabar com a discussão. No entanto, fomos além.

O autoritarismo está presente nas relações de poder que perpassam em todos os âmbitos da universidade. Essa cena que ocorreu dentro da sala de aula traz tais relações de forma clara. Porém, sabemos que essa apropriação do poder de modo autoritário e hierárquico ocorre, além de dentro da sala de aula, em outras instâncias: em reuniões de colegiado, departamento, conselhos superiores, etc., em que temos uma representação estudantil simbólica (se tratando de menos da metade do número da representação docente, normalmente 15%) e, ainda sendo ínfima, essa representação não tem o pouco de voz presente nos conselhos respeitada.

Nós, estudantes, entendemos que podemos e devemos participar de modo ativo da nossa formação profissional e queremos ter voz e vez dentro dos espaços de decisão e atuação acadêmica. Portanto, sentimos a necessidade de nos colocarmos e nos expormos mais nos espaços que também nos dizem respeito, como os próprios conselhos que já ocupamos cadeiras e as salas de aula; propormos discussões sobre o plano de ensino, direitos e deveres dos estudantes e a construção do método pedagógico.

O plano de ensino, o método pedagógico e as deliberações institucionais têm de partir apenas d@s professor@s? Nós compreendemos que não. Temos, enquanto estudantes, perspectivas vivas quanto ao modo de obter conhecimento e de funcionar uma instituição que é, além de nossa, de toda comunidade.

Não estamos contentes como o modo que está colocado o sistema, que é hierárquico, autoritário e tem todo o seu poder de decisão nas mãos de professores; com as relações que se naturalizaram, em que o estudante pode e deve prestar atenção, por, em média, quatro horas, apenas no professor e não ouve o colega do lado nem tem direito à fala; com a formação profissional que se baseia, semestre à semestre, à redução teórica de uma única perspectiva (a escolhida pel@ profess@r responsável pela disciplina), empobrecendo todo um conhecimento que poderia ser criativo, renovado e fazer sentido ao estudante, sendo construído por ele em conjunto com @ profess@r.

Enfim, não estamos contentes com a estrutura das relações institucionais, com o nosso lugar secundarizado, com a formação “pronta” e posta para nós e com a ausência da voz estudantil.

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