16 de nov de 2013

Substância



Por substância entende-se aquilo que existe em si mesmo. O seu modo constitui-se por suas afecções, e apenas existe em outra coisa, em que também é concebido. A essência da substância é constituída por atributos, percebidos pelo intelecto. São esses atributos que exprimem uma essência eterna e infinita. No entanto, apenas Deus, a entidade absoluta e infinita, possui todos os atributos. (Spinoza, 2007)

1.1.        Substância, seus atributos e afecções

Como já dito, a essência substância é constituída por atributos que exprimem uma essência eterna e infinita, e o seu modo se constitui por suas afecções. Portanto, as diferenças entre duas substâncias são, justamente, os seus atributos e afetos. Essa distinção justifica-se por cada atributo produzir os seus modos de forma independente, sem qualquer relação causal entre eles. Apesar dessa ausência de causalidade, os atributos agem por uma mesma ordem, isto é, as causas não são as mesmas, mas estão conectadas, seguindo-se, então, uma relação paralela entre as coisas. (GLEIZER, M. A, 2005)
Os modos, que existem em outro e são concebidos por outra coisa, caracteriza-se por ser finito, sem disposição de autossuficiência e por sua dependência na relação existencial, substancial e causal com a substância e outras causas finitas. A finitude da qual dispões os modos e caracteriza a substância perde o seu caráter fechado quanto passa a se tratar da abertura ao seu processo de constituição. Esse processo, que é a própria produção da existência, faz parte “de um nexo infinito de causas finitas”, segundo Spinoza, em Gleizer, e os modos existem de forma necessária no entrelaçamento entre os mesmos, tendo a sua potência de ação nos encontros desse entrelaçamento.
A essência da substância forma-se por essa relação de atributos e afetos. Relação, essa, sem causalidade, mas entre as causas, que acaba por trazer sempre o movimento e transformação à substância – transformando-se a cada afeto, e fortalecendo a característica da distinção entre as substâncias.

1.2.        Vontade necessária

Contrariando as argumentações a favor do livre-arbítrio, a vontade é unicamente necessária. Partindo do pressuposto que a sua existência é determinada por uma causa, que é determinada por outra causa, e esta por outra, seguindo dessa forma infinitamente. (SPINOZA, 2007)
A vontade não se trata de uma ideia infinita de substância, mas da expressão de uma essência infinita pelo atributo dessa substância. Portanto, nessa parcela de expressão da substância, a vontade existe e opera por Deus.
Spinoza argumenta que os homens acreditam estar conscientes de suas vontades, por isso se creem livres. Porém, ao mesmo tempo, eles ignoram as causas dessas vontades, com isso, a própria ausência de livre-arbítrio.
Esses homens, ignorando as causas de suas vontades, seguem realizando ações para chegar em um fim que lhes parece útil. Nessa busca, encontram diversos meios e instrumentos naturais que lhes parecem existir para a sua utilização, fazendo-os pensar que realmente foram “feitos” para sua utilização. Por não terem produzidos esses meios e instrumentos, mas os encontrado à disposição, acreditam, então, terem sido feitos e dispostos por outrem. O que não consideram, de forma nenhuma, é que essas coisas existam de forma necessária, ou seja, tenham sido feitas por seu próprio valor (SPINOZA, 2007).

1.3.        Afetividade

A imaginação também é constantemente afetada pelos atributos, gerando modos de pensar sobre as coisas. São os afetos que dão às pessoas a noção de que as coisas foram feitas para elas, por exemplo. O entrelaçamento dos modos, a relação a partir do encontro entre as causas e os atributos das coisas (e outras pessoas), afetam de forma singular cada um.
Dessa teoria sobre afetividade, de Spinoza, saem diversas especulações e teorias sobre Psicologia Social. Em que os indivíduos estão nesse processo de constituição a partir dos atributos, que expressam, cada um, sua essência e dos afetos que surtem nos modos, incluindo das noções, deles.

Considerações Finais

Substância trata-se daquilo que é concebido por si mesmo, mas a sua essência é constituída por atributos e formas de relações entre eles e causas, atributos e afetos que se encontram nas coisas do mundo. Esses atributos são necessários, ou seja, não foram escolhidos, na verdade, constam na substância por uma relação infinita de causas. Os afetos que determinam a noção das coisas em um indivíduo também existe por uma relação com causas necessárias, ou seja, demonstra-se a inexistência do livre-arbítrio.

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