8 de nov de 2013

Roda de Conversa sobre Políticas de Cultura para Juventude

     Na roda de conversa sobre políticas de cultura para juventude, em que o Nei D'ogum, grande referência na luta negra, periférica, homo/bi/transexual, abriu o debate com a importância do rompimento da hegemonia que rege a nossa cultura de hoje, possibilitando a inserção dessas referentes classes (negra, periférica, homo/bi/transexual) no âmbito de cultura de acesso amplo na cidade. 
    A conversa iniciou e perdurou por essa linha: a nossa necessidade de uma cultura mais viva, com ausência de preconceitos, em que podemos nos mexer, ver o outro se mexendo e aceitar as diferentes cores; os diferentes modos de criar, e toda a diversidade da qual dispomos - e como as políticas públicas são importantes para isso, para o direito ao acesso de tod@s a essa produção e demonstração, pois, hoje, o acesso à cultura de Santa Maria depende de grande quantidade de recursos financeiros, e, ainda assim, não vemos de toda diversidade que poderíamos. 

   A cidade de Santa Maria é conhecida como cidade cultura - com mérito, pois muita cultura é produzida nessa cidade. No entanto, há um verdadeiro vazio no que se trata de meios e instrumentos para a produção e demonstração dessa cultura - o que nos garante o estatuto da juventude de 2013.

    Mais do que apenas reivindicar o direito a cultura, é necessário ter espaços públicos como meios para a produção da mesma.  Reivindicamos, portanto, outra coisa que é óbvia: espaço, para lazer, para esporte, para cultura - espaço para simplesmente ser de forma social e criativa.
     Vemos uma leva desses espaços públicos e  nossos sendo fechados na cidade, por motivos ditos estruturais (mas que são também políticos), e uma preocupação mínima, pra não dizer nula, do poder público quanto a abertura de outros, principalmente para os jovens.  Estes ficam sem os meios que, como foi dito, são garantidos por lei, para a sua produção artística e integração.

     Voltando à roda de conversa, os presentes foram bastante amplos em suas contribuições. Falou-se do picho, sua representação social e o que realmente significa sob o olhar e realidade de quem o faz. O picho é mais do que uma forma de transgressão entre os jovens, é uma forma de manifestação; de arte; do sujeito se fazer ver e "ouvir", e, principalmente, de ocupar um lugar que era para ser dele - mas que, de alguma forma injusta, não é. 
     Outro assunto bastante tratado nesse dia, foi o da desmilitarização. Tivemos na conversa um ex-militar que colocou a importância de termos, por exemplo, transexuais dentre esses tipos de agentes públicos para modificar o olhar sobre os mesmos. 

     Pode-se ver, diante de tantos temas debatidos em uma conversa sobre políticas de cultura para juventude e espaços públicos, que o problema social, como todos, não existe apenas em si mesmo. Mas existe em uma rede de problemas provocados por um sistema falho quanto às demandas reais da população.

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