15 de nov de 2013

Psicologia de Grupos



Intervenção Psicossociológica

A intervenção Psicossociológica está pr’além de ser apenas um método de pesquisa, caracteriza-se também por ser uma prática social transformadora.
Fala-se de transformação porque tal prática trabalha com ações que não condizem com as tradicionais: troca, intervenção, mudança, elucidação, espontaneidade, coletividade e afeto.

Na nossa disciplina, Psicologia de Grupos, pude sentir essa intervenção sendo trabalhada. Por vários momentos o grupo foi afetado com a troca; intervenções de estudantes, professor e monitor; elucidação de questões; espontaneidade para romper com defesas bastante desenvolvidas por grande parte dos alunos; a coletividade, junto a um sentimento de grupo, com dinâmicas e terapias de grupos.
Essa aula trazia consigo o dever da exposição. Sem esta, restava apenas o sentimento de fracasso, pois diferente das aulas comuns, essa cadeira exigia abertura de todos no grupo que se formava naquela sala de aula, para a construção de algo em comum sobre o assunto em pauta – essa construção era coletiva, todos participavam em um processo ativo. Do contrário, surgia uma barreira que impedia a existência de um verdadeiro grupo, com afetos e percepções que perpassavam por todos. Havendo uma barreira, a aula não podia ir adiante. O silêncio era, então, uma forma de expressão preocupante.

Transformação e explicitação


 Como foi dito, a exposição, nas aulas, era fundamental para a construção do conhecimento e do próprio grupo. Essa exposição se dava através da linguagem e do diálogo. Um diálogo exposto que explicitasse, de forma espontânea, o que cada sujeito trazia consigo, em sua singularidade.
O professor (mediador) esforçava-se para que houvesse boas condições a esse diálogo. Esforçava-se, bastante, nem sempre obtendo os resultados que queria, pois a barreira já estava formada e fortalecida por outras experiências que afetaram esses alunos.
Essa barreira é responsável pelo sistema de defesas que existia, com intensidades diferentes, em cada um dos estudantes. Ela impedia a explicitação, a exposição, a espontaneidade, a troca e a experiência do afeto.
O silêncio era gritante. E gritava a necessidade de transformar esse sistema de defesas, para que os estudantes sentissem a intensidade da experiência que a palavração trazia, quando explicitada.

Por essas questões, que defendo que esse modo de pesquisa, que nessa cadeira se revelou como uma prática, é transformadora. À medida que as aulas passavam, sentíamos o sistema de defesas, de cada um de nós, alunos, enfranquecer. Estávamos cada vez mais abertos, expostos, explicitando de forma espontânea o modo como aquela experiência nos afetava.

Coletividade e Espontaneidade

O professor cumpriu o papel de mediador. A pesquisa, o diálogo e a transformação não eram provocados por ele, nem controladas. Ele se colocava como facilitador do diálogo entre o próprio grupo. Este é quem dava os rumos da conversa – ou a inexistência dela. O processo era completamente coletivo.
Um ponto incomum e essencial nesse trabalho, sobre o professor-facilitador, é que durante todo o tempo ele trabalhou em si mesmo a espontaneidade, deixando que os afetos do grupo o perpassassem e o transformassem, como os outros participantes.
A linguagem utilizada por ele era a mais espontânea possível - racional, sentimental, organizativa, dependia apenas do instante. Isso o aproximava bastante do grupo e desenvolvia a sensibilidade de todos.

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