21 de ago de 2013

Aquilo que somos antes da vida

     De tempos em tempos deseja-se voltar a ser criança. Não se quer mais as responsabilidades nem os direitos da vida adulta. Não se deseja mais o ciclo nem o sexo. O movimento ou o desenvolver-se... só se quer a mãe, a falta de medo e o viver sem o sabor da morte.
     Não se quer o tempo, o crescimento, a paixão e o objetivo... se quer deitar na grama de chocolates e nuvens de algodão.
     Não se pode com o vazio, a angústia; ansiedade. Não se aguenta de amor inconsequente.
     Vem do fundo o desejo de cegar-se ao imaginário da vida e os simbolismos do mundo. As injustiças; desigualdades, intolerância, ódio, rancor e imperfeição... não se quer notar.
     São tempos em que o desejo é que o mistério de tudo volte a ser motivo de riso e fascínio.
     Há tempos que o que se quer, e apenas, é voltar ao útero.

Nenhum comentário:

Postar um comentário