19 de jul de 2013

Pedagogia Emancipatória


  1. Sobre as aulas de Psicologia e Escola    


     Durante as aulas de Psicologia e Escola nunca faltaram temas propícios a uma discussão crítica e, ao seu fim, restavam sempre muitos pensamentos em transformação. As discussões perpassavam pela teoria e práticas cotidianas. As aulas, claramente, não se baseavam em conceitos prontos, alguns livros sobre psicologia e escola, etc. – talvez isso fosse motivo de muitas reclamações de estudantes habituados com tal método de ensino. Porém, esse método de aprendizagem dá certo em diversos outros espaços dos quais eu participo – grupos de estudos, coletivos políticos, etc. Imagino que seja necessário certa abertura dos estudantes para o diálogo e a troca de conhecimentos – saber ouvir e saber falar.


     Os textos sobre educação e poder – em que tinham Foucault como um autor muito citado – foram uma oportunidade de refletir sobre questões já tão naturalizadas em nosso dia a dia. Para que serve a educação atual? E para o que deveria servir?
     Uma das conclusões para a primeira pergunta é que a escola tradicional era uma das instituições, junto com outras como a família e a prisão, que serve para reproduzir o sistema para os indivíduos. Tradicionalmente, vê-se as escolas como instituições de reprodução de uma ideologia dominante, junto com outras como a família e a prisão. A educação dá-se tendo o aluno como objeto em que o professor preenche de conhecimentos prontos e desconexos com a realidade do primeiro. O aluno é passivo e o principal sentido de se estar na sala de aula: copiar e ouvir o conteúdo que é dado pelo professor, visto como detentor único do conhecimento.
      Um aspecto marcante da escola tradicional é que esta parece estar à parte da realidade dos alunos. Pode-se notar, também, que a diversidade de etnias, quando levada à sala de aula, não é respeitada nem explorada de forma positiva. O professor não sabe manejar com a pluralidade na sala de aula. Discutiram-se, então, nas aulas de Psicologia e Escola, as fraquezas na formação pedagógica.
      As fragilidades das escolas tradicionais também foram discutidas. Sabe-se que a interferência é educação na vida do sujeito é enorme, e o professor tem papel principal nisso. O erro em não pensar para fora da instituição é uma das maiores fragilidades da educação que se tem hoje.
         O que se quer da escola, afinal? A emancipação do sujeito através do conhecimento crítico, supõe-se. Hoje o que vemos são as reproduções do sistema individualista, competitivo, superficial e hierárquico - em que, quando se é novo, se submete a um professor, e, em casos graves, ao diretor – e isso é uma preparação para a submissão da qual se enfrentará quando adulto. Alguém sempre se apresentará sobre nas relações de poder. A aprendizagem ocorre apenas sob a lente do professor, sem exploração do aluno em sua própria realidade. Mas qual o papel da escola para se chegar nessa emancipação do sujeito? Promover questionamentos sobre os preconceitos, reflexões sobre as diversidades, respeito mútuo, construção conjunta de conhecimento, interdisciplinaridade e exploração dos potenciais singulares.


     Faz-se necessário, para mudar a estrutura da sociedade, mudar a estrutura das instituições, principalmente a escolar. A escola deve ter sua função para formar sujeitos atuantes, com ideais próprios e críticos, que obtém seus conhecimentos em contato com a realidade e prontos a jamais submeter-se.

     Esse ponto de vista tratado especificamente sobre o papel da escola tradicional na formação do sujeito é o que urge na minha mente.



     No entanto, há outras formas de educação, há a metodologia da alternância nas escolas dos assentados que lutaram pela reforma agrária, há escolas itinerantes, e há outras alternativas de educação para a formação do sujeito.
     
     As escolas itinerantes tratam-se de um desafio para a educação atual. Para que funcionem em seus moldes, é necessário muita abertura pela parte dos educadores e organizadores em geral, para compreender a dinamicidade do movimento. Talvez, dessa forma, seja uma educação mais próxima da compreensão da dinamicidade da própria vida.    
     Uma característica essencial das escolas itinerantes é a questão política – presente, de forma clara, em sua educação.

2.    Quando a Educação é Invenção Democrática de pesquisa-ação, texto de Helena Singer

     A pedagogia é um termo que sugere a indissociabilidade entre a teoria e prática educativa. Uma forma diferente de compreender o fenômeno educativo.
     O texto cita a tensão entre teoria e prática no ensino científico. De um lado temos as expectativas de que a educação das universidades sirva para formar professores com boa didática em salas de aula, que saibam reproduzir um conhecimento sem grandes novidades. De outro lado, temos aqueles que priorizam as reflexões teóricas – e sobre as práticas educadoras, as compreensões quanto os processos sociais, relações entre fenômenos educativos e desenvolvimento humano.
    
     A pesquisa-ação é um modo de obter conhecimento em que o sujeito e o objeto não estão separados, assim como a prática e a teoria. A aprendizagem se dá no processo, no ciclo de planejamento, desenvolvimento e análise de uma transformação social.
     Isso tudo faz parte de uma característica de pensamento humano – a reflexão sobre a experiência. Nos estágios de pensamentos propostos por John Dewey (1933) vemos:

1.            A experiência; 2. A necessidade de dados para suprir as condições indispensáveis à análise da dificuldade que se apresentou naquela situação; 3. Sugestões, inferências, interpretações conjecturais, suposições, explicações, ideias; 4. Novas experimentações com base nas novas ideias.

     Com esse método se tem a afirmação de que a pedagogia não se trata apenas de transferir um pensamento a uma outra pessoa, mas sim em pensar inteligentemente sobre a experiência, investigar, interpretar contextos e produzir algo novo.

     Outro ponto importante é assumir a impossibilidade de neutralidade nas produções científicas. O sujeito que produz o conhecimento não está livre de perspectivas e crenças pessoas no seu processo de busca e produção. O próprio pesquisador pode alterar o que está pesquisando. Além do mais, todo sistema é algo bastante complexo e dinâmico, portanto de impossível previsão.
     A única coisa prevista para o futuro são as alternativas – que dão espaço à criatividade. O futuro é plural e as certezas merecem o seu fim.

     A pesquisa-ação sugere que a realidade não se dá para nós como algo estático, mas justamente na dinamicidade em que ocorrem os fenômenos. Os grupos não podem ser reduzidos a objetos de pesquisa para conhecermos a sua realidade, pelo contrário, a população deve ser participante do conhecimento.
     A realidade é todos os fatos e mais a percepção obtida pelos sujeitos envolvidos. Ela não pode ser reduzida a fragmentos para estudo.

    A educação ocorre na interação do processo de interações de comunicação. Por isso, é importante ressaltar a relevância do compartilhamento de ideias, potencialização dos relacionamentos e da produção coletiva.

    Hoje em dia podemos presenciar a falta de credibilidade a conhecimentos populares (indígenas, camponeses, etc.), que são julgados, muitas vezes, inclusive como saberes ignorantes e não contribuintes para o progresso. Tal fato se fortalece com a dissociação entre teoria e prática na pedagogia.
     Aproximar a reflexão da vivência é fundamental para pensar em projetos emancipatórios, assim como reconhecer os saberes populares e todo conhecimento que nasce através das experiências.

     O desafio principal para evoluir na questão da pesquisa-ação é desconstruir a visão que emerge do conservadorismo que resiste a mudanças do que é previsto em instituições disciplinares e às práticas. Apenas dessa forma teremos uma educação emancipadora, integrada na comunidade, desafiadora, flexível, inovadora, imaginativa, dinâmica e democrática, uma educação que não exista sem teoria e sem prática.
    

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