14 de jul de 2013

Análise metodológica do artigo “Os jovens do ensino médio e suas representações sociais” de Maria Laura P. Barbosa Franco, Gláucia Torres Franco Novaes



     A investigação do artigo “Os jovens do ensino médio e suas representações sociais” revelou tanto a abordagem quantitativa quanto a abordagem qualitativa. Isso mostra que os métodos não se excluem em todos os casos, e podem vir a se complementar dependo da pesquisa.

1.    Abordagem Quantitativa
Apesar de os números não serem os elementos básicos da pesquisa, no artigo esteve presente análises estatísticas. Vê-se essas porcentagens na seção dos resultados, em Dados de Caracterização. Ao falar em “escolarização masculina”, por exemplo, nota-se a parcela de generalização contida na teoria.
2.    Abordagem Qualitativa

Os autores depuseram no artigo a sua interpretação na compreensão e descrição da teoria das representações sociais, esta, também, foi desenvolvida por eles. O seguinte trecho exemplifica essa afirmação de forma clara:


“Apesar de sua importância, o estudo das representações sociais não tem sido suficientemente explorado pela maioria dos educadores e nem mesmo pelos teóricos da psicologia tradicional, sob a falsa alegação de que ‘entre o que se diz’ e o ‘que se faz’ existe um abismo intransponível. Quando se fala em representações sociais, parte-se de outras premissas: a de que elas são elaborações mentais construídas socialmente, considerando a dinâmica que se estabelece entre a atividade psíquica do sujeito e o objeto do conhecimento."


     Apesar de usar de bases estatísticas, análises e ideias estão presentes em toda a teoria, de forma quase predominante. Outro ponto importante a afirmar é que, a partir da abrangência da investigação em todo o ensino médio, a pesquisa é bastante ampla e complexa.

      Já na seção Objetivos do artigo, nota-se a ampla busca por particularidades e forte dependência de contextos:
  • características pessoais;
  • origem familiar e perfil socioeconômico;
  • inserção potencial ou efetiva no mercado de trabalho;
  • representações sociais perante a escola, o prosseguimento dos estudos e o trabalho;
  • representações, expectativas e aspirações profissionais e o nível de sua consciência e participação social.
     O processo para retenção de informações ocorreu via entrevistas de estudantes de escola de ensino médio, considerando horários diferentes (noturno e diurno), e diferentes classes socioeconômicas. O questionário dessa entrevista foi feito de forma reflexiva, e o pesquisadores analisaram esses alunos, através de suas respostas, como receptivos e interessados, e chamaram a sua investigação de análise de conteúdo. Igualmente, pela abordagem ter recorrido ao recurso de entrevistas, pode-se dizer que os pesquisadores participaram do processo.

3.  Análise Fenomenológica

Pela investigação tratar-se de representação social vê-se, de início, nitidamente a descrição de aparências. A concepção de mundo (escolar) dos indivíduos, que é o foco da pesquisa é essencialmente singular.
     Busca-se um sentido para essas representações. Além do mais, ao tratar dessas questões considerando aspectos socioeconômicos e contextuais, estuda-se o fenômeno de modo particular e intuitivo.
 Apesar de aparecer no artigo alguns dados estatísticos e objetivos, a subjetividade se revela mais intensa, tanto na consideração singular dos participantes entrevistados, quanto na observação interpretativa dos pesquisadores.  
  O fenômeno não é reduzido a uma única dimensão. A produção das representações sociais da escola surge diante de diversos contextos, classes, gêneros, idades, etc. e sua essência é única, podendo conceber diversas novas essências, irredutíveis às anteriores.
  Considerando o fato de que o objeto só pode existir para um sujeito, segundo a concepção fenomenológica, e o princípio da intencionalidade (que a consciência é sempre consciência de alguma coisa), as representações sociais da escola (objeto) apenas existem dentro das consciências (sujeito) dos estudantes. É da escola enquanto percebida que estamos falando, não é da escola em si, então, da vivência desses estudantes enquanto concebem essa ideia. No artigo sobre representações sociais, é impossível sair dessa correlação objeto para consciência.
   A manifestação do sentido de representação social manifesta-se na vivência, apenas como um fenômeno. A consciência produz o sentido para isso. A escola aparece de forma singular na percepção dos alunos – e cada aluno entrevistado para o pesquisador. O objeto emerge da visão intuitiva deles.
  
4.  Considerações
Os pesquisadores utilizaram abordagens quantitativas e qualitativas para a metodologia de sua pesquisa. No entanto, pelo próprio caráter da teoria, o método qualitativo aparece de forma intensa. Assim como a análise fenomenológica, pois, representações sociais não são senão um fenômeno.

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