7 de jul de 2013

A Fase do Espelho de Lacan


   A fase do espelho, de Lacan, caracteriza-se pela formação do eu, entre os 6 aos 24 meses de idade, através de sua relação com o outro.
  O filho em com a sua mãe uma relação de desejo, em que eles se identificam. Nessa identificação com sua mãe, o bebê se constitui – através de uma imagem que lhe é dada, logo, imaginária.
Durante os primeiros seis meses de vida, a criança vive, predominantemente, uma falta de mielinização, contribuindo na falta de coordenação motora. A visão do bebê desenvolve-se de forma mais rápida do que a sua motricidade. A sua maturação, logo no início da infância, é caracterizada por essa relação de discórdia e desordenação intraorgânica. A criança, até então, não se percebe de forma integrada, pois a sua coordenação motora, como vários aspectos internos, não está madura. Portanto, ao visualizar a sua imagem virtual no espelho, a criança cria uma visão imaginária, pois há uma assincronia entre o desenvolvimento da motricidade e da visão. Esta se desenvolve primeiro. Tais fatos têm grande influência na relação desse sujeito com o mundo, desde então.
   Diante disso, surge a Primazia da Imagem na relação do homem com o mundo na teoria de Lacan. Essa imagem trata-se da imagem do semelhante.
    A estruturação do Eu ocorre sob o predomínio da visão. Na fase do espelho, ocorre um drama na vida do bebê, a criança passa a imagem fragmentada de si para outra referente à sua totalidade. No entanto, é um impulso precipitado, a criança assume ima identidade alienante – simbólica. Ela identifica-se com a imagem virtual como no semelhante, como com a mãe, e confunde com o real.
  As principais características dessa estruturação do Eu é a alienação, o desconhecimento e o simbolismo. O sujeito crê na totalidade e unificação de si mesmo e ignora que só é através do outro, que também pode só através de outra imagem virtual de si próprio. Portanto, o Eu está formado através da identificação com o outro  e quando não o sabe e não percebe que não existe fora de tal imagem, é um Eu alienado de quem mesmo é.

Quando a criança se identifica com a imagem antecipada que vê no espelho, completa e unificada, com funções que ainda não possui, produz a si mesmo o que Lacan denomina como antecipação funcional – se antecipa a uma totalidade da qual ainda não é.
O sujeito cria uma imagem especular, que vem do imaginário, e constitui o seu Eu Ideal. Nesse Eu Ideal que ele irá se refugiar da realidade de sua fragmentação e da angústia de não ser quem gostaria.
  A partir do imaginário, o sujeito traçará o seu próprio contato com o mundo. A realidade, de fato, sempre lhe escapa – a visão simbólica (a imagem virtual) sempre se antecipa aos outros sentidos. Há uma arena – usando das metáforas de Lacan – em que o sujeito constituirá o campo simbólico por meio do qual ira adquirir a sua perspectiva de mundo.

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