2 de mai de 2013

Relatório sobre a Escola Manoel Ribas



     1.Introdução

     O presente relatório é uma síntese e análise das observações e conversas ocorridas na Escola Estadual de Ensino Médio Manoel Ribas, de Santa Maria/RS. Tal escola encontra-se na região central e possui uma boa estrutura. O seu modelo não difere do tradicional – tanto em sua hierarquia, quanto ao seu funcionamento e objetivos finais. A média de idade de estudantes está entre quatorze e vinte anos. Questionou-se e foi observado o tratamento e a interpretação que os estudantes denominados problemáticos recebiam (tanto ao responsável pelo acolhimento, quanto aos professores e estudantes) e as relações sociais presentes na instituição.

     2. Abordagem e Recursos
  
     Na escola não havia psicólogo ou assistente social no momento. A pessoa que realizava o acolhimento estudantil não tinha formação acadêmica para tal atuação – sem entrar no mérito de qualificação. Ela demonstrava valorizar muito a atenção e o diálogo com estudantes “problemáticos” que surgiam até a sua sala. Em sua perspectiva, o principal problema era o desinteresse pelos conteúdos repassados por professores em sala de aula (não havia outro âmbito de desenvolvimento social), e, segundo a mesma, esse desinteresse existia devido a desestruturas familiares. Foi possível observar o atendimento a um rapaz de que foi levado à sala de acolhimento por não estar copiando a matéria que o professor deixava na lousa.
     A responsável por esse tipo de atendimento informou que quando o caso parecesse ir além do que a escola poderia ajudar, o aluno era direcionado a um psicólogo da rede municipal de saúde.


     3. Processo de Socialização


     Uma das principais queixas de muitos professores e da própria responsável pela assistência psicológica aos estudantes era o desinteresse deles pela escola. Em nenhum momento houve o questionamento sobre o método de ensino dos professores por eles mesmos. A causa desse desinteresse, segundo os educadores, estava nos próprios alunos. Estes, em sua maioria, afirmaram o mesmo. “Meus colegas não se interessam no que o professor nos passa em aula. Acho que não estão preparados. Reclamam que o professor é rígido, exige muito, e não aproveitam o que ele oferece” – disse um estudante de primeiro ano.
    O método de ensino tradicional, em que o professor é considerado o detentor primeiro do conhecimento e o estudante tem seu papel passivo de apenas receber as informações, é bem aceito por quase todos no âmbito escolar. As posições sociais também eram bem definidas. O diretor representava a entidade máxima. Alguns estudantes demonstraram ter receio de construir alguma relação com ele. A consciência de todos quanto a essas posições era a de funcionasse como deviam. Mesmo quando questionados, não imaginavam outra forma de funcionamento para a instituição.
     Os estudantes não tinham a oportunidade, dentro da escola, de participar de espaços de socialização além da própria sala de aula; de desenvolver suas potencialidades singulares, dentro de outros conhecimentos (como artes, populares, de suas comunidades); de ter alguma motivação de fato para se interessar pelo que estudava. A escola não parecia disposta a se adaptar aos estudantes, e sim o contrário. Eles deveriam tornar a realidade escolar a sua, mesmo que fosse completamente diferente do que era usual ou esperava.

     4. Considerações Finais
    
     Na escola não eram presentes psicólogos, e talvez houvesse certa falta de preparo por quem cuidava da assistência aos estudantes. As relações sociais estavam prejudicadas. Os professores demonstraram falta de preparo pra lidar com a diversidade de problemáticas que os alunos lhes traziam e resistência em mudar seus métodos. Os estudantes afirmaram, muitas vezes, estarem desinteressados no que a sala de aula lhes oferecia, mas não sabiam especificar um motivo ou uma solução.
     A estrutura dessa escola – e de outras – está despreparada para desenvolver os reais potenciais das crianças e da juventude. Parece existir para impor conhecimentos prontos e esperados pela sociedade, fazendo com que as crianças se obriguem a adaptar-se. Os professores não estão abertos a mudanças e a ver os estudantes como potenciais singulares. A hierarquia é um elemento dominante.
     Como em toda a sociedade, as escolas reproduzem essas relações de poder.

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