5 de mai de 2013

Precipício

E de novo se encontrava diante daquele velho precipício: os próprios olhos no espelho. Sem controle de si. Sem porto nem segurança.
O corpo estava machucado - a fragilidade transbordou por todos os cantos. Quanto tempo se aguenta nesse estado? E quanto se perde?
Há algo que nos espera que não nos deixa parar o movimento. Mesmo que se queira ficar, parte, parte sempre. E se parte todo. Se quebra por inteiro. E se doa. E se vende. E se perde...
... Se encontrando em algum abismo, aquele de sempre.
Um verme lutando com sua farda de soldado. Um sorriso nojento expondo a total falta de contato com a realidade. A falta daquele cheiro...

- Havia um cheiro que era a melhor coisa do mundo.

Mas tudo sempre se perde...

Aí se ergue, se sustenta, se re-encontra... só pra se perder outra vez

- E aquele cheiro... não reconhecia cheiros, mas daquele se lembrava bem.

 Pra ver que não há caminho outro que não esse mesmo

- Como se arranca um cheiro da própria cabeça?

E segue ficando querendo partir

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