11 de mai de 2013

Mães

Existem mães e mães por aí. E me arrisco a dizer: não há nada em comum entre elas, absolutamente. Há mães que deram à luz, mas não criaram. Outras que criaram sem dar à luz. Há mães que são também pais. Há vós que se tornaram mães. Há crianças que tem duas mães - e, perdão moralistas, mas que sorte dessas crianças que tem um lar que é diferente e bonito também.

Diferentemente do que pensamos, mães não são heroínas, não têm superpoderes. Ela cometem erros, choram e nos fazem chorar, preocupam-nos e nos exigem atenção. E merecem sempre o nosso perdão, por tanto que nos perdoam todos os dias.


Hoje é o dia de parar para agradecer pelo ciclo da natureza nos dar uma mãe logo ao nascer. Essas mães são o ponto de repouso de tanto movimento que há em nós - ponto de repouso que um dia se vai para sempre, levando o pouco de segurança que tínhamos quanto à vida, e nos fazendo pensar na finitude do tempo...
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Às mães que sofrem para carregar no ventre e para criar seus filhos no meio de tanta miséria, obrigada. Às mães que sofrem violências e repressões de todos os tipos nessa sociedade e em outras, obrigada. Às mães que lutam sozinhas todos os dias para ver o seu filho crescer nas melhores condições possíveis, obrigada. Às mães que não abandonam, parabéns por este e por todos os dias de nossas vidas!

5 de mai de 2013

Precipício

E de novo se encontrava diante daquele velho precipício: os próprios olhos no espelho. Sem controle de si. Sem porto nem segurança.
O corpo estava machucado - a fragilidade transbordou por todos os cantos. Quanto tempo se aguenta nesse estado? E quanto se perde?
Há algo que nos espera que não nos deixa parar o movimento. Mesmo que se queira ficar, parte, parte sempre. E se parte todo. Se quebra por inteiro. E se doa. E se vende. E se perde...
... Se encontrando em algum abismo, aquele de sempre.
Um verme lutando com sua farda de soldado. Um sorriso nojento expondo a total falta de contato com a realidade. A falta daquele cheiro...

- Havia um cheiro que era a melhor coisa do mundo.

Mas tudo sempre se perde...

Aí se ergue, se sustenta, se re-encontra... só pra se perder outra vez

- E aquele cheiro... não reconhecia cheiros, mas daquele se lembrava bem.

 Pra ver que não há caminho outro que não esse mesmo

- Como se arranca um cheiro da própria cabeça?

E segue ficando querendo partir

2 de mai de 2013

Relatório sobre a Escola Manoel Ribas



     1.Introdução

     O presente relatório é uma síntese e análise das observações e conversas ocorridas na Escola Estadual de Ensino Médio Manoel Ribas, de Santa Maria/RS. Tal escola encontra-se na região central e possui uma boa estrutura. O seu modelo não difere do tradicional – tanto em sua hierarquia, quanto ao seu funcionamento e objetivos finais. A média de idade de estudantes está entre quatorze e vinte anos. Questionou-se e foi observado o tratamento e a interpretação que os estudantes denominados problemáticos recebiam (tanto ao responsável pelo acolhimento, quanto aos professores e estudantes) e as relações sociais presentes na instituição.

     2. Abordagem e Recursos
  
     Na escola não havia psicólogo ou assistente social no momento. A pessoa que realizava o acolhimento estudantil não tinha formação acadêmica para tal atuação – sem entrar no mérito de qualificação. Ela demonstrava valorizar muito a atenção e o diálogo com estudantes “problemáticos” que surgiam até a sua sala. Em sua perspectiva, o principal problema era o desinteresse pelos conteúdos repassados por professores em sala de aula (não havia outro âmbito de desenvolvimento social), e, segundo a mesma, esse desinteresse existia devido a desestruturas familiares. Foi possível observar o atendimento a um rapaz de que foi levado à sala de acolhimento por não estar copiando a matéria que o professor deixava na lousa.
     A responsável por esse tipo de atendimento informou que quando o caso parecesse ir além do que a escola poderia ajudar, o aluno era direcionado a um psicólogo da rede municipal de saúde.


     3. Processo de Socialização


     Uma das principais queixas de muitos professores e da própria responsável pela assistência psicológica aos estudantes era o desinteresse deles pela escola. Em nenhum momento houve o questionamento sobre o método de ensino dos professores por eles mesmos. A causa desse desinteresse, segundo os educadores, estava nos próprios alunos. Estes, em sua maioria, afirmaram o mesmo. “Meus colegas não se interessam no que o professor nos passa em aula. Acho que não estão preparados. Reclamam que o professor é rígido, exige muito, e não aproveitam o que ele oferece” – disse um estudante de primeiro ano.
    O método de ensino tradicional, em que o professor é considerado o detentor primeiro do conhecimento e o estudante tem seu papel passivo de apenas receber as informações, é bem aceito por quase todos no âmbito escolar. As posições sociais também eram bem definidas. O diretor representava a entidade máxima. Alguns estudantes demonstraram ter receio de construir alguma relação com ele. A consciência de todos quanto a essas posições era a de funcionasse como deviam. Mesmo quando questionados, não imaginavam outra forma de funcionamento para a instituição.
     Os estudantes não tinham a oportunidade, dentro da escola, de participar de espaços de socialização além da própria sala de aula; de desenvolver suas potencialidades singulares, dentro de outros conhecimentos (como artes, populares, de suas comunidades); de ter alguma motivação de fato para se interessar pelo que estudava. A escola não parecia disposta a se adaptar aos estudantes, e sim o contrário. Eles deveriam tornar a realidade escolar a sua, mesmo que fosse completamente diferente do que era usual ou esperava.

     4. Considerações Finais
    
     Na escola não eram presentes psicólogos, e talvez houvesse certa falta de preparo por quem cuidava da assistência aos estudantes. As relações sociais estavam prejudicadas. Os professores demonstraram falta de preparo pra lidar com a diversidade de problemáticas que os alunos lhes traziam e resistência em mudar seus métodos. Os estudantes afirmaram, muitas vezes, estarem desinteressados no que a sala de aula lhes oferecia, mas não sabiam especificar um motivo ou uma solução.
     A estrutura dessa escola – e de outras – está despreparada para desenvolver os reais potenciais das crianças e da juventude. Parece existir para impor conhecimentos prontos e esperados pela sociedade, fazendo com que as crianças se obriguem a adaptar-se. Os professores não estão abertos a mudanças e a ver os estudantes como potenciais singulares. A hierarquia é um elemento dominante.
     Como em toda a sociedade, as escolas reproduzem essas relações de poder.