24 de fev de 2013

A Psicologia Social em Pitch Perfect



     No filme Pitch Perfect (A Escolha Perfeita), uma adolescente está em busca de seu sonho: criar música pela mixagem. Apesar de não fazer parte de seu plano, o seu pai a convence, através de um acordo, sobre a ideia de permanecer na universidade. Na própria universidade é que Beca depara-se com a oportunidade de realizar o pretendido.
     A questão principal está no fato de como a personagem encontra-se com a música através de um grupo, porém, diferentemente do que imaginava, utilizando de sua própria voz. Assim, foi construindo a sua identidade e subjetividade através das experiências que obteve nesse grupo.

1.    Integração e Relações

     Beca não possuía nenhum amigo até o momento em que se integrou no Bellas, um grupo que produzia música a capela na universidade. Ela teve de passar por ritos de passagens; participou de festas e conheceu diversas pessoas devido a sua entrada no grupo. Este não dispensava de relações de poder, em que a sua permanência dependeu, por diversas vezes, de uma integrante que ocupava um lugar de organizadora do grupo, em que decidia os dias de ensaio até aqueles que deveriam retirar-se.
     A personagem principal submeteu-se às dificuldades de conviver em um grupo (regras; relações de poder, etc.) e ao simbolismo encontrados nos rituais de passagens e promessas de cumprir essas regras e respeitar a ordem, mantendo a hierarquia presente. Esse grupo pré-determinou o seu curso de ações, participando de competições de música, do mesmo em que foi construindo o seu próprio eu através das experiências nessas relações.

     Não era apenas o grupo Bellas que existia na universidade, havia o rival constituído por rapazes – Treblemakers. Neste, Beca encontrou Jesse, com quem envolve-se sentimentalmente.
     Beca obteve um grande enriquecimento pessoal integrando-se com o grupo, pois pode conviver com pessoas com diversas diferenças. Cada qual com seus traços incomuns.

2.    Identidade

     Representar-se e ter um conceito de si foi a principal conquista de Beca depois de integrar-se em grupo e adquirir diversas experiências através do mesmo. Através dos papéis sociais que desenvolveu e construção de sua personagem, ela pôde reconhecer em si mesma sentimentos e capacidades que sem o grupo talvez não pudesse.
     O papel do grupo foi essencial nessa descoberta de si mesma, pois é através da percepção da diferença do outro, dentro da pertença ao grupo, que se pode enxergar a própria unicidade.
      Nesse processo de integração com o grupo, a protagonista viveu a sua individuação, passando por transformações durante o trajeto – retratado no filme. Não apenas como autoconhecimento, mas tendo o outro como um ponto de partida de sua própria imagem – por exemplo, foi uma colega que descobriu a sua capacidade cantar e através dos outros viveu sentimentos como remorso, paixão e motivação. 

3. Grupo

     
     O grupo, obviamente, possuía um objetivo comum, em que, individualmente cada integrante almejava. Esse objetivo era a vitória em uma competição dos grupos a capela.
     No desenrolar da história, foi crucial perceber a necessidade em preocupar-se, não apenas consigo mesmo, mas também com os outros e desenvolver a cooperação. Para isso ocorrer, foi necessário iniciar e manter um contato profundo. Percebeu-se que cada indivíduo fazia diferença dentro do todo e qualquer alteração no mesmo alterava o grupo, prejudicando ou fortalecendo a sua busca pelo objetivo comum. Essa coesão pelo objetivo era essencial para o sucesso do grupo.
     No grupo, as pessoas podiam mostrar as suas diferenças ao mesmo tempo que eram interdependentes umas às outras.
     Constituído por indivíduos, dentro de suas eternas transformações, o grupo não escapava desse processo infinito. Enriquecido pela dialética, não estagnaria enquanto os seus integrantes continuassem evoluindo individualmente, influenciando e sendo influenciados pelo grupo. 

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