28 de jan de 2013

Santa Maria, 27 de Janeiro de 2013

Vai ser difícil esconder a morte, hoje.
Não sentir seu cheiro, não encará-la, não ser tocado por ela.
Vai ser difícil fingir que ela não existe.
Não sentir a vida escorrendo por entre os dedos... saber que nunca se tem o controle.

Vai ser difícil não encontrar, entre 245 mortos, algum conhecido.
Vai ser difícil não condenar os erros... Dos seguranças, da banda, da pópria casa.
Mas isso não é necessário. A verdade é que ninguém teve culpa.
E todos nós tivemos.

Vai ser difícil, bem difícil, equanto tantos insistirem em não atender a porcaria do telefone... E não mentalizar todos que possivelmente estavam lá ontem e hoje não se sabe.

Vai ser um dia bem difícil porque hoje a morte é real e presente.

E fica um convite de silêncio.

20 de jan de 2013

Representação Social


     A vida social humana constrói-se através de uma rede de significações. O indivíduo nunca está livre de simbolismos, em qualquer âmbito social em que se encontre. Uma identidade é apresentada e, em seguida, torna-se realidade ao ser interpretada.
     As características do sujeito ou objeto manifestam-se, sendo simbolizadas e ganhando significados.
    
     O real é composto por objetos palpáveis e fenômenos visíveis. No entanto, não se vê a realidade de modo cru. As relações, modos de vida, objetos utilizados diariamente, etc., são constituídos simbolicamente. Os seres humanos são feitos de símbolos e usam de significados que eles próprios atribuem às coisas. Representam e são representados.
     A nossa elaboração psicológica interfere no social e o social interfere em nossa elaboração psicológica (Jodelet, 1990).
     As relações e objetos são encaixados em categorias e nomeados. Dessa forma os sujeitos podem comunicar-se e interagir dentro de uma mesma realidade concreta.
     Um indivíduo nunca deixar de ser social, mas para que isso ocorra é necessário objetivar o subjetivo. Tirar da própria cabeça uma ideia e simbolizar para torná-la concreta. Dar significado ao pensamento para ser compreendido, promovendo as relações interpessoais.


     A Representação Social como Fenômeno - Não se concebe de forma alguma a linha que separa o individual do social porque esta não há. O indivíduo tem no ambiente em que se desenvolve a visualização dos próprios pensamentos e o seu interior indissolúvel do exterior. Nesse desenvolvimento, ele é orientado, não fisicamente, mas socialmente, a fazer o que faz sem tomar consciência do processo.
       Para Moscovici, a Representação Social é fluida, em constante transformação pelas ações dos indivíduos – refletindo o modo de ser do próprio sujeito. Este é atuante e passível de transformações. As relações perpassam-no e ele constrói o que lhe é individual dentro da realidade social, e joga de volta, devolvendo ao ambiente a sua interpretação subjetiva objetivada. As imagens e conceitos são constante e intensamente reconstruídos e ganham, de tempos em tempos, nos significados.

         A partir das relações sociais o sujeito desenvolve-se, influenciando enquanto é influenciado; torna-se parte do ambiente exercendo as suas ações sobre o mesmo enquanto sofre pelas ações ambientais.
     A formação do indivíduo é intrínseca ao social – e vice-versa. O modo como traz a realidade a si mesmo e localiza o subjetivo no ambiente, constituindo as suas percepções é a própria representação social.

15 de jan de 2013

Transtornos Dismórficos Corporais



     O Transtorno Dismórfico Corporal é percebido a partir das preocupações imaginárias e acentuadas com a aparência, causando prejuízos na vida social e profissional do sujeito. Essas preocupações surgem por detalhes, muitas vezes, imperceptíveis, como manchas no rosto (comuns a muitas pessoas), acne, pelos, etc. ou pela própria imaginação do sujeito. Percepções distorcidas da realidade são demonstradas nos sujeitos que enxergam defeitos nas partes normais de seu corpo.
            Os indivíduos que sofrem com esse distúrbio foram entrevistados e relataram as suas histórias de contingências, assim, encontrou-se semelhanças entre os casos.
                 As consequências nos casos de TDC dos indivíduos que participaram das entrevistas foram de comportamentos depressivos, obsessivos compulsivos (TOC); depressão; delírio; estímulos discriminativos, como checagens excessivas no espelho de um determinado local “defeituoso”; pensamentos repetitivos; esquiva experiencial, etc.
        Pesquisas mostram tratamentos comportamentais que possibilitaram possíveis melhoras dos clientes que apresentaram TDC.

1.    Análise das Contingências

     Pessoas que apresentavam o transtorno dismórfico corporal foram selecionadas para participar de uma pesquisa, na qual relataram fatos marcantes em sua história de vida que pudessem ser classificados como parte das contingências que as levaram a obter tal transtorno.
     Os relatos possuíam muitos pontos em comum entre os sujeitos entrevistados na pesquisa.

1)    Poucos amigos – A maioria dos participantes agia com dificuldades quanto a interação com outras pessoas. A habilidade social dos indivíduos com TDC foram, em seu desenvolvimento pessoal-social, extremamente precária.

2)    Punições educativas – Todos os participantes da entrevista passaram por repressões bastante rígidas nas práticas educativas durante a infância, com frequência considerável.

3)    Valorização da beleza – Os familiares e amigos dos indivíduos com TDC os comparavam regularmente com outras pessoas, ressaltando sempre as qualidades alheias ao participante.

4)    Eventos principais – Com o decorrer do tempo, os sujeitos que sofriam com o transtorno dismórfico corporal passaram por situações que despertaram a atenção discriminativa voltada às partes específicas do corpo com as quais se preocupavam, como acidentes; cirurgias; comentários, etc.

Analisou-se também, além das contingências históricas, as contingências atuais dos indivíduos que apresentaram TDC na pesquisa.

1)    Pensamentos Repetitivos – As pessoas com o transtorno têm tendências a retornar sempre ao mesmo pensamento relacionado a parte de seu corpo onde encontra o defeito.

2)    Estímulos discriminativos – A checagem excessiva do próprio corpo em espelhos é comum nesses indivíduos, sempre focando no que acredita estar errado anatomicamente, discernindo das outras partes do corpo, como se tal parte fosse um erro físico.


3)    Baixa variabilidade comportamental – Por receio de que as outras pessoas olhem para a parte do corpo da qual enxergam um problema, os sujeitos que sofrem de TDC evitam sair de casa e participar de atividades saudáveis socialmente, reforçando negativamente o comportamento: não saindo de casa, não recebem olhares (na maioria dos casos, esses olhares são imaginários).


2.    Tratamentos Comportamentais

Verificou-se, primeiramente, o comportamento a ser analisado, sua frequência, ocasião em que ocorre a resposta e reforços para que tratamentos fossem propostos.  1) Relaxamento e dessensibilização sistemática; 2) Treino em habilidades sociais; 3) Exposição com prevenção de respostas; 4) Aplicação da terapia comportamental cognitiva.