14 de nov de 2012

Seriedade

Só não vá me levar a sério
Nem se levar a sério
Ou levar qualquer coisa a sério

Deixando de viver.

10 de nov de 2012

Um breve tratado sobre Relações Sérias


Se cada pessoa nos desperta um tipo de sensação – há, a meu ver, certas coisas dentro de nós que só conseguimos expor com um sujeito específico, e cada sujeito desperta algo de diferente em nós – e, se somos feitos de diversos sentimentos, vivemos em constante transformação das sensações, e atraídos eternamente pelo novo, como eleger uma única pessoa para permanecer ao nosso lado? Como exigir a permanência de nós mesmos?

Fidelidade (no sentido da monogamia), termo conhecido e venerado hoje em dia, requer exclusão de outras possibilidades de relacionamentos românticos, logo, um grande empobrecimento de quem somos e nossas potencialidades, pois, permanecendo com a mesma pessoa por um longo tempo, e apenas com ela, deixamos de ver as sensações diferentes surgirem em nós através de outras relações. E a evolução se dá de um modo bem menor do que se daria caso os sujeitos que compõem o casal tivessem maior possibilidade de se desenvolver por outras relações, passando um para o outro um pouco desse crescimento.

Se a vida urge dinâmica e contraditória. Se a nossa visão de mundo inverte-se constantemente. Se as nossas sensações permanecem em movimento.  Se a cada segundo que passa deixamos de ser quem éramos para nos tornarmos quem somos (como pede Fernando Pessoa) – e isso ocorre do mesmo modo com quem nos relacionamos. Como exigir de nós mesmos seriedade e permanência nas relações?

Pela manhã nos sentimos de uma forma, pela noite de outra quase oposta – ou não, e no outro dia nos tornamos irreconhecíveis. A verdade é que mudamos de sentimentos e pensamentos constantemente.

Eis a questão: somos uma terrível e maravilhosa variedade, regidos por um caos que surge de quando em quando para nos lembrar de que vivemos de fato na insegurança, e de que a segurança é uma ilusão que nos enfiaram na cabeça para buscarmos permanência ao invés de evoluir, fluir e urgir, simplesmente, como se vive, como se é.

Onde está o sentido, o fundamento, a base teórica dos tais relacionamentos sérios e contratuais? Em que momento deixaram a finitude perder-se junto com a leveza e beleza da vida. 
Afinal, por que o receio? Por que tanta necessidade em definir – quem somos, o que fazemos, quais as nossas relações? 

De onde vem essa necessidade de não mudar e não deixar que os outros se transformem e nos transformem?

5 de nov de 2012

O novo

Nota mental para a partir de já: viver urgentemente.

Um segundo após o outro, e assim sucessivamente.
A vida substitui-se o tempo todo

O que passou já era, a todo instante.

O necessário é desfazer-se e refazer-se,
Assistir ao ontem com uma saudade real do que não pode ser refeito
E voltar a cabeça, de novo, pra vida que urge sem pena.