26 de set de 2012

Segundos

     E com a vontade de seduzir a ninguém, seduzia a todos com que cruzava.
     Não havia motivos para pausas. Estava apaixonada pelo movimento.

     Mas havia um sorriso que a paralisava e enchia seus pensamentos. Talvez a mais bonita coisa já vista.
    Palavras que, ficcionalmente, compreendiam-na. Pele que atiçava desejos desconhecidos. Vontade de adiar a partida. Sem dizer nada, permanecia por mais um minuto e assim sucessivamente.
    Era belo olhar um rosto tão pasmo ao admirar o dela própria.

    Um moço, simpático, de cabelos negros e olhos claros, que enxergou nela algo que a lisonjeava. Um moço sensível o suficiente para despertar a vontade de repouso vivo naquela moça tão comprometida com a ida e lamentações de um passado sempre presente. Esse moço, disposto a devolver um vida vivível plena e realmente, balançou aquela cabeça desordenada e perdida.

    Um rapaz comum, aparentemente. Como tantos outros. O ponto, o quê de diabólico, estava nela. No fim, soube, incontestavelmente, não era o rapaz, naturalmente, mas sim o momento que era certo. E permaneceu por um segundo.

     Por um único segundo.

19 de set de 2012

Desencontros

     Olho-no-olho. Um passo e meio para trás. Já era. E não era pra ter sido.

      No dia seguinte, a presa errada chega, dela arranca a blusa e sente a cintura mais próxima, com força, com fervor, ardor e um pouco de rancor. E num átimo o que está fazendo se torna um absurdo. Há tempo de dar um passo para trás. Não era pra ter sido.
     - Eu não consigo mais... desejar você.
    
     A humilhação da presa, com a vida preservada, em detrimento da outra mais fresca e livre. A humilhação de uma presa cuja carne esfria com o tempo. A vida que podia ter tido. E não era pra ter sido.
   
     - Eu gostaria de explicar.
     - Eu gostaria de entender.
 
     Mas não há palavras. Só há a repulsa, a dor, a infidelidade, o veneno. Há o que ela não quer. Há o que ele não tem. Há o que não era para ter sido e foi.

     Do outro lado do centro da cidade, dois olhos negros brilham na escuridão pensando no que era para ter sido. E podia ser. Mas jamais. Não há explicação. Não há entendimento. Apenas a continuação.

12 de set de 2012

No queremos sobrevivir, queremos vivir!

     São coisas que vemos nas ruas. São mulheres extremamente magras, apesar de grávidas, oferecendo "Programa" para poder se alimentar. São as crianças, filhos dessas mulheres um pouco crescidos, que dormem em um banco qualquer, com apenas um cobertor, nas noites frias, sem conhecer outra realidade para chamar de vida. Crianças essas que se tornam aqueles homens que ficam encolhidos nos cantos, sem profissão nem orgulho, pedindo um trocado porque chegaram no extremo da última opção, e ainda tem de ouvir a frase: não dou esmola pra bêbado-vagabundo - dita por alguém que nunca precisou apelar para a cachaça para esquecer o frio e o filho com fome e com frio dormindo em um banco qualquer, com apenas um cobertor. São coisas que vemos nas ruas sem ver de fato. Cotidianos que nos fazem esquecer que isso não é normal. Cotidianos de pessoas que vivem para sobreviver e só para sobreviver continuam vivendo.

E no fim, realidades não se invertem.

10 de set de 2012

Intervalo entre o Mundo Externo e a Razão

     O Mito da Caverna, de Platão, representa, hoje, para cada um de nós, a ignorância  quanto a realidade. Diversas pessoas simplesmente fogem à verdade por medo de enxergar o conhecimento irrefutável, mesmo por suas crenças. Ver o inegável e obter o conhecimento gera sofrimento, angústia e inquietude, portanto viver sem a verdade pode ser, aos olhos de alguns, mais agradável e simples.
     De qualquer modo, mantendo-nos na sombra da ignorância não alcançaremos a evolução humana através da sabedoria, que é a nossa segunda principal busca - a primeira, de fato, é a felicidade. Para sairmos da "Caverna" precisamos nos desfazer de nossas opiniões criadas pelo mundo das aparências e tentar olhar ao nosso redor com outra visão.
     Segundo Platão, a realidade está apenas no Mundo das Ideias, o qual podemos alcançar através da razão. Apesar de concordar que nossa mente tem o poder de modificar profundamente a vida que levamos e com o fato de que a perfeição, muitas vezes, não se encontra em nada material, ou seja, que o nosso intelecto influencia em nossas percepções empíricas. Eu não acredito que chegaríamos a qualquer conclusão sem o mundo sensível, pois o meio determina, inclusive, o nosso próprio autoconhecimento. Com isso, pode-se dizer que uma pessoa de nosso convívio, um lugar, uma canção ou um livro (fatores do mundo sensível) modificam algo em nós que, quase sempre, nem percebemos. Isso acontece devido ao fato de nossas ideias de "Forma Perfeita" não serem inatas, eternas e imutáveis. Entretanto toda mudança causada por fatores externos (sensíveis) apenas é boa quando associadas ao exercício da razão porque os sentidos podem enganar-nos, mesmo quando tudo nos parece evidente.

4 de set de 2012

Experimentos sobre a Mente Humana e a Ética


     As análises fisiológicas e ambientais sobre os mecanismos mentais são possíveis, invalidando qualquer coisa que não seja corpórea (visão comportamental).
     No entanto a aplicação de pesquisas práticas em humanos para compreender melhor o seu comportamento exigiria de um uso incabível do objeto de estudo da psicologia: o homem. Essa talvez seja a maior dificuldade da psicologia, aplicar os experimentos sobre o seu objeto de estudo, pois diferente de outras ciências, ele não é algo palpável e manipulável. O ser humano não pode, simplesmente, ceder o seu comportamento e suas experiências por um momento sem ser profundamente afetado, correndo o risco de ser prejudicado em sua relação com a vida.
      Por esses pontos negativos em relação à pesquisa científica na ciência cognitiva, a psicologia, os experimentos aplicados são limitados.