12 de ago de 2012

Black

     "Eu tenho esperanças de que tenha sido um engano. Eu esperei por mais de quatro horas. E se realmente o foi, me diga o que aconteceu. Mas se você sequer embarcou naquele avião, então, não precisa dizer nada mais. Nada mais..."

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     Cinco noites seguidas ouvindo essa mensagem no celular, sem responder. Como poderia dizer a ele que jamais teria coragem de encarar a sua face. E agora a sua cabeça girava, pensando em tudo que estava quebrado, eternamente. Cinco noites seguidas ele se perguntou o porquê.
     O lugar dele e o lugar dela não eram próximos um ao outro. No fundo sempre souberam disso. As esperanças criadas em vão serviram apenas para gerar vida em quem há tanto não vivia. Mas no fim, ele sabia, ela jamais pertenceria a ele. Ela jamais deixaria a sua cidade calma do interior; jamais deixaria a si mesma.
     Houve um momento em que foi cogitado por ela que se encontrasse, que se aquietasse, que vivesse um pouco mais e um pouco além da vista de sua janela; mas o momento se foi com o vento. E a hipótese ficou na cabeça, num lugar protegido da alma.
     Ele viveria, superaria, reagiria. Sabia ser forte. Sabia chorar e depois sorrir e assim sucessivamente. Sabia viver como um ser humano deve; como um ser comum é perfeitamente capaz. Nasceu pra ser gente como toda gente nasce. E jamais entenderia que ela não. E por isso, apenas por isso: por não ter nascido gente como toda gente que ela não entrou naquele avião para, ao invés disso, ficar em seu quarto habitual pensando em como seria bom ter vivido uma única vez.

3 comentários:

  1. Ótimo blog,com ótimos contos,e muito confortante visualmente !! Com certeza - Seguindo... ->

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  2. Belo blog continua assim :)

    http://portalm5.blogspot.com.br/

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  3. Gostei da forma que vc escreve...muito bom msm ^^

    http://simplesmenteumesmo.blogspot.com.br/

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