26 de ago de 2012

A Dor como um Experimento


    Há experimentos sobre o funcionamento da mente baseado nos comportamentos sujeitos a condicionamentos operantes e respondentes e/ou outras relações de estímulo-resposta.
     A dor, característica intrínseca dos seres possuidores de sistema nervoso, causada por questões fisiológicas, biológicas e ambientais, funciona como um condicionamento.

"De uma maneira geral, o estudo da dor está inserido no estudo do controle aversivo do comportamento: são analisadas as relações onde a ação do indivíduo produz a inserção de estímulos geradores de desconforto/sofrimento (punição positiva), outras onde sua ação pode evitar ou eliminar algo desagradável (esquiva e fuga, respectivamente) ou, ao contrário, gerar a perda de algo desejável (punição negativa). São também condições geradoras de sofrimento aquelas nas quais o indivíduo não atinge os critérios para reforçamento, outras onde ocorre a interrupção de ganhos ou de situações prazerosas que vinham sendo usufruídas (extinção), e aquelas onde o estímulo aversivo independe de qualquer ação do indivíduo (incontrolabilidade). Por fim, é crítico que aspectos do ambiente pareados a essas condições podem se tornar igualmente desagradáveis ou fontes de sofrimento, ou seja, podem se tornar novos aversivos para o indivíduo. Se todas essas condições podem ser fontes potenciais de dor, e se não há contingência que não envolva ao menos algum desses componentes aversivos (Perone, 2003), isso equivale a dizer que dor, nas suas diferentes nuances, é um sentimento inerente à vida: pode ser minimizada, mas não excluída; pode ser benéfica, necessária à sobrevivência, mas pode também se tornar um problema. O enfrentamento dessas contingências, que pode depender de haver ou não outras alternativas vigentes, vai determinar a qualidade de vida dos indivíduos a elas submetidos."
(Hunziker,2010)

22 de ago de 2012

Conexionismo


     O sistema neural forma uma rede com todos os sistemas dos corpos vivos. Desse modo, as atividades que entram no organismo passam por diversas situações de percepção, formando os modos como conhecemos as sensações e o pensamento. Há uma ligação dos neurônios com as funções de alto nível, assim as informações são repassadas por nosso corpo. Como a esquematização de um relógio, todas as partes dependem uma das outras para funcionar corretamente. Essa associação, conhecida como conexionismo, é o que dá vida a todos os nosso movimentos e forma o que chamamos de mente, que não está fixa em um lugar isoladamente.

20 de ago de 2012

Métodos da Neurociência Cognitiva


     A maior parte das pesquisas neurocientíficas que ocorreram no passado foram realizadas em animais. Essas pesquisas tratavam-se, muitas vezes, da remoção de partes do córtex para visualizações dos possíveis problemas que sucederiam essas operações. Em outros casos, pesquisas ocorriam através de estímulos elétricos em determinadas regiões neurais. Esses estímulos possibilitavam a observação do potencial dos neurônios. Entretanto, a enorme diferença de cognição entre os animais e humanos é uma impossibilidade a esse tipo de experimentos. “Com a possível exceção de outros primatas como os chimpanzés, é difícil fazer com que outros animais se envolvam nos tipos de processos cognitivos nos quais os seres humanos se envolvem” (Anderson, 2004, p.15).
     O estudo de populações é uma das principais fontes para os estudos sobre o comportamento do cérebro humano. Pessoas que sofreram derrames causadores de problemas com a linguagem possibilitaram que pesquisas chegassem ao resultado de que o hemisfério cerebral esquerdo é responsável pelo processo da mesma.

     O método fMRI possibilitou alguns avanços sobre o conhecimento das atividades cerebrais. As ondas de rádio, devido aos sensores magnéticos, captam, pela intensidade do sinal magnético, os locais mais ativos. Indivíduos sujeitos a práticas sucedidas de resoluções de problemas complexos ajudaram nessas pesquisas sobre o funcionamento de cada seção do cérebro em determinados momentos. 

     O sistema sensorial é o responsável por todas as percepções dos indivíduos, tudo o que passa em seu organismo e é traduzido por pensamentos. “Nosso corpo está literalmente repleto de sensores para detectar visões, sons, odores e contatos físicos. Bilhões de neurônios processam informações sensoriais e repassam o que encontram aos centros superiores do cérebro” (Anderson, 2004, p. 21).
     Na perspectiva analítico-comportamental, os sentimentos, como a dor, são tratados apenas com base fisiológica, pois a dicotomia alma/corpo não é adotada.

16 de ago de 2012

Possibilidade de Experimentos sobre a Mente Humana


     O funcionamento da mente humana é motivo de divergências de opiniões em todo campo das ciências cognitivas, assim como a realização de experimentos sobre a mesma. Teóricos comportamentais analisam apenas o que pode ser observável no indivíduo, como a relação estímulo-resposta, e não adotam a dicotomia mente/corpo. Enquanto os estruturalistas tentam compreender o que se passa por dentro do indivíduo, algo além do organismo, a própria alma. A psicologia cognitiva estuda as questões fisiológicas do indivíduo para dar base em seus experimentos sobre o comportamento humano.
     (...) Muitos desses experimentos (sobre funcionamento da mente com bases neurológicas) e seus estudos se deram pelo chamado conexionismo, definição que se dá a interligação dos neurônios com funções de alto nível (Anderson, 2004).
 
     Os processos mentais ocorrem de modo individual, vê-se nisso um grande desafio à psicologia, em que há a falta de generalizações necessárias a todas as ciências. A neurociência cognitiva vem construindo métodos, como os modelos conexionistas, que podem nos ajudar a compreender um pouco mais o cérebro e o funcionamento da mente humana.     
     Os estudos sobre o funcionamento do cérebro por métodos com o fMRI, avaliando as atividades de suas partes, contribuem na questão de analisar o comportamento humano e a sua mente, partindo de uma análise que não leva em conta experiências além do organismo. As observações concentram-se na rede que os estímulos, neurônios e cérebro formam, causando, então, as sensações e percepções do indivíduo, que podem ser chamados de estados mentais.

12 de ago de 2012

Black

     "Eu tenho esperanças de que tenha sido um engano. Eu esperei por mais de quatro horas. E se realmente o foi, me diga o que aconteceu. Mas se você sequer embarcou naquele avião, então, não precisa dizer nada mais. Nada mais..."

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     Cinco noites seguidas ouvindo essa mensagem no celular, sem responder. Como poderia dizer a ele que jamais teria coragem de encarar a sua face. E agora a sua cabeça girava, pensando em tudo que estava quebrado, eternamente. Cinco noites seguidas ele se perguntou o porquê.
     O lugar dele e o lugar dela não eram próximos um ao outro. No fundo sempre souberam disso. As esperanças criadas em vão serviram apenas para gerar vida em quem há tanto não vivia. Mas no fim, ele sabia, ela jamais pertenceria a ele. Ela jamais deixaria a sua cidade calma do interior; jamais deixaria a si mesma.
     Houve um momento em que foi cogitado por ela que se encontrasse, que se aquietasse, que vivesse um pouco mais e um pouco além da vista de sua janela; mas o momento se foi com o vento. E a hipótese ficou na cabeça, num lugar protegido da alma.
     Ele viveria, superaria, reagiria. Sabia ser forte. Sabia chorar e depois sorrir e assim sucessivamente. Sabia viver como um ser humano deve; como um ser comum é perfeitamente capaz. Nasceu pra ser gente como toda gente nasce. E jamais entenderia que ela não. E por isso, apenas por isso: por não ter nascido gente como toda gente que ela não entrou naquele avião para, ao invés disso, ficar em seu quarto habitual pensando em como seria bom ter vivido uma única vez.

7 de ago de 2012

I'll never be clean again

[...] a casa está limpa e minha cara está limpa e a alma está suja suja suja e eu estou cheia de não ter nada por dentro além de sujeira que vai aumentando e doendo sem eu sentir porque já não sinto e não sei e não quero e não posso e não sou e não ser é tão triste quanto a morte e a morte que não vem nunca nunca nunca e eu quero e eu preciso pois não aguento não aguento não aguento mais te pensar. Por um momento eu quero esquecer e viver sem me dar por conta da vida indo incessante pelo caminho dela e sem me dar por conta da dor que é olhar pra trás e olhar pra frente e olhar para o lado e não ver você e não ver ninguém nem eu mesma com a minha cara limpa e alma suja e machucada e doente e morta num corpo que é vivo e não vivo não vivo não sei mais viver porque penso penso penso e pensar é triste e a morte é o pensamento sobre a vida que é dor. A mesma dor a mesma dor a mesma pessoa me causando a mesma dor incessantemente e a morte que não chega nunca então eu espero com a casa limpa e minha cara limpa e alma suja suja suja e cheia de nada [...]