28 de jul de 2012

Câncer no Intestino espalha-se e atinge o Pulmão

     Sequer digerimos direito a notícia e choramos. Já sabemos.

     Perder alguém devido a um câncer é a pior forma de perder alguém. Ver o corpo de uma pessoa que você ama desfalecer aos poucos e não poder fazer nada. E ter de ser forte.
     O sofrimento explícito na face da pessoa que sabe que morre dia após dias. Ter de segurar a sua mão, não chorar e demonstrar força.
     Força. Força. Acorda. Levanta. Vive. Reage. Não chore.

     Caroline afundou-se no travesseiro depois de duas noites desperta, completamente exausta, mas, ainda, sem conseguir dormir. A sua mãe acabara de tomar morfina, novamente, para conseguir suportar a dor. A dor constante.
     Ela jamais compreenderia por que tal fatalidade acontecera justamente com ela. Sabia que ninguém decidira por isso; que o acaso pode ser cruel quando menos esperamos. Mas quando se vive o inferno sempre queremos um porquê que, no fundo, sabemos ser inexistente. Não há motivos, simplesmente aconteceu. Não é que tivesse de acontecer, mas aconteceu. Aconteceu. Aconteceu. Aconteceu.............
      Não havia causa. Não havia conforto. Não havia nada além da falta de motivos para a morte e o sofrimento de sua mãe. E isso a atormentava mais do que qualquer outra coisa. Mais do que a dor. Mais do que o fim. A falta de motivos é que era o diabo.

     Caroline lavou o rosto. Tentou esconder o máximo que pôde o rosto inchado de tanto chorar. Trocou a expressão preocupada e sofrida por algo esperançoso e espirituoso - ou o mais próximo disso. E entrou no quarto de sua mãe com uma sopa absurdamente leve e outra dose de morfina. Afagou com tamanha delicadeza os raros fios loiros de cabelo que restaram na cabeça de sua mãe depois das diversas quimioterapias, que essa não chegou a sentir o toque. Disse que tudo passaria, que o tempo daria um jeito, as coisas ficariam bem de novo. A face tão cansada da senhora que há muito não sentia o próprio corpo esboçou o que pareceu muito com o sorriso, que foi reforçado pelo brilho nos olhos. Sim, ela pensou, tudo vai ficar bem. O tempo sempre age da melhor forma. Morreremos, enfim, todos.

     Morremos, enfim.
     E apenas sofre quem continua vivo.
     Aquele que morre não sofrerá nunca mais.
     A quietude foi encontrada, finalmente. E tudo é apenas paz.
     Mas quem ainda vive, não, quem ainda vive nunca saberá disso.

Um comentário:

  1. o acaso as vezes é justo ou injusto com as pessoas e nunca tem um motivo ou um por que para explicar.

    é complicado mesmo

    http://blogdoitalogomes.blogspot.com.br/

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