5 de mai de 2012

Inferno Lírico

     Todos, de alguma forma, têm a alma violentada e enxergam um monstro diante do espelho ou na face de outrem. Só que eu sou pior do que todos por enfrentar tudo de um jeito um pouco mais dramático e com falta de lucidez. Talvez, por isso, as turbulências da vida me afetem com mais intensidade. Coisas comuns a toda gente, como caminhar e conviver, são uma dificuldade para mim. O anti-natural é que eu gosto de todos e todos parecem gostar de mim, eu sinto uma admiração por tudo que é vivo e pensa. A verdade é que eu mudo minha visão de mundo e personalidade todos os dias. Eu tento compreender tudo, tornando menos compreensível a mim própria. Eu sou uma coisa que é o que não é de fato e nunca fui - eu não pareço o que sou. Eu sinto que as pessoas se enganam comigo e nunca consigo impedir. A minha personalidade é forçada e eu tenho asco da minha imagem.
     O fato é que, bom, você deixou bem claro o quanto deseja me conhecer, mas, como viu, nem eu sei do que me trato. Eu não valho a pena, obviamente, é só o que sei. 
     
     As minhas percepções tristes quanto a tudo fariam de mim uma boa poetisa, mas me faltou o talento para escrever poesias. A minha inutilidade é uma das poucas certezas que tenho sobre mim. E a falta de sentido do mundo é a única certeza que tive sobre a vida.

   Os olhos das pessoas, o céu, as flores e a música, apenas isso me vale a pena. Quanto a sentimentos eu seria incapaz sem sentir dor.

    



No fim, devo todo esse inferno lírico a que chamo de vida a um certo poeta que me ensinou a incoerência. E os olhos dele são a violência da minha alma, o seu sorriso o monstro do meu espelho e suas palavras aquilo do qual eu tento fugir todos os dias, mas está dentro de mim.

Um comentário:

  1. Eu nunca sei o que comentar em blogs, mas quando leio algo e gosto, quero pelo menos dizer que o texto foi lido e apreciado! (:

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