17 de abr de 2012

To wish impossible things

     Sobre o porto, ela observava as ondas incansáveis em seu ciclo eterno. Naquele fim de tarde o mundo tornava-se, aos poucos, verde na linha do horizonte. Onda após onda. Ela lembrava-se de um passado que a assombrava constantemente. Onda após onda. O passado permanecia. Onda após onda.
     Há vinte metros dali, ele observava, no mesmo porto, as mesmas ondas, esperando por algo deixado em um passado eterno. Onda após onda. Ia e voltava.
     Se apenas olhassem ao lado, veriam que nunca haviam deixado um ao outro. Sempre retornavam ao mesmo lugar. Na memória e no porto. Nas ondas e no pôr-do-sol. Nas dores mais profundas.  Nas canções. No mar. Nas estradas vazias. Na lua que nascia por entre seus dedos. Nas certezas e dúvidas. No presente e passado. Onda após onda. Lá estavam eles... sem nunca olhar para o lado.

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