28 de abr de 2012

Anti-deuses

     O sensacionalismo está em todos os lugares. Pedras são jogadas no indivíduo por qualquer comentário infeliz ou ato impensado. Como disse M. Araújo, "os olhos da sociedade são mais cruéis que o açoite." A expressão pode ser livre, mas você pode pagar caríssimo pelo que diz.
     As pessoas esperam que você diga/faça alguma coisa vil. Elas esperam sempre por isso, fingindo o repúdio, enquanto estão adorando a posição do dedo apontado. É como se ver o demônio no outro fizesse de si um santo. Ninguém compreende ou tenta ou pensa que não foi por mal, afinal, o que eles querem é julgar. Eles têm necessidades de criticar o tempo todo. Precisam provar a sujeira do outro, para que se sintam um pouco mais limpos. O olhar dos lobos capta o mais ínfimo dos erros e, então, atacam.
    
     Em seu papel ficcional, as pessoas esperam que você nunca erre; que vista uma capa de postura e não se esqueça nunca de a retirar; elas desejam ver-lhe no padrão - intelectual, comportado e coerente. 
     Por fora, as pessoas não querem que você haja fora das normas. Por dentro, elas vibram quando isso ocorre.
    
    Eles precisam ser os superiores, os heróis, os bons, e para que isso ocorra é necessário ter alguém para ser o inferior, o bandido, o mau.
     O que não enxergam é que ninguém é essencial e completamente alguma coisa, as pessoas simplesmente são. Ninguém, por mais asquerosa que tenha sido a atitude, merece ser julgado, pois o intrínseco, o tempo, os espaço e as percepções são singulares, tornando cada ser indecifrável e fascinante.
   
    O homem falou/fez o que não devia porque ele é um homem, não um deus. E quando não se é um deus, não se sabe medir a perfeição. E não sabendo medir a perfeição, não se julga o imperfeito. Não somos deuses, entenda isso.
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     Sartre sabia o que dizia ao afirmar que o inferno são os outros. Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) fazia bem em "meter-se" pra dentro de si mesmo. Mário Quintana entendia o quão difícil é a convivência. 

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