7 de mar de 2012

Dignos das Flores

  Naquele instante em que o mundo parece correr muito vagarosamente, consumindo todo o caos e penetrando na mais profunda e bela paz que existe, eu avistei o balanço dos cabelos castanhos, longos e leves dela, perfeitamente naturais. Mirando-a de costas, eu imaginava sua expressão serena de olhar doce, a mesma que era refletida nos olhos dele, porém ela estava sozinha agora, mexendo na terra, tão calma e fascinante que me aproximei.
  Ela, sentindo minha presença, virou a cabeça em minha direção, então, abriu seu sorriso fazendo-me, como sempre, rir espontaneamente em resposta.
  - Arrancaram esta flor com sua raiz pela manhã, e a esqueceram aqui, estou tentando plantá-la de volta - contou-me ela, mostrando o que estava fazendo.
  - Precisa de ajuda? - perguntei.
  - Não, já estou terminando - respondeu ela.
  Ao lado dela, observei-a terminar seu trabalho, absorvendo toda paz e loucura que eu pudesse.

  O menino dos cabelos castanhos, longos e leves chegou um pouco depois. Olhei os céus, estavam todos ainda mais azuis. Tudo estava completo. Eu me sentia completa. Eles estavam comigo, querendo estar comigo, isso bastava tanto...
  Eu nunca havia conhecido pessoas assim, com algo indecifrável, único e agradável, que eu jamais poderia explicar fielmente.
  O silêncio, as trocas de olhares entre eles fascinavam-me.
  Sensibilidade, fragilidade, lealdade ingênua, verdadeira inteligência... e os sorriso e olhares... Tudo absolutamente simples. Eles faziam um sentido enorme dentro de mim.
 
  E eu sinto uma vontade imensa de enchê-los de flores, de todos os tipos e agradecer. Agradecer... porque, para mim, a natureza possui a complexidade mais bonita que existe, no entanto muitas só vêem o superficial e preferem flores de plástico ou qualquer coisa sem vida. São poucas as pessoas que são realmente dignas de receber flores. E eu ainda vou enchê-los delas. E enquanto as contemplarem formarão a imagem mais contemplativa do mundo.

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