31 de mar de 2012

Evolucionismo Social

O objeto precisa ser vendido às massas
As massas precisam ter a mesma mentalidade
É preciso que pensem e ajam de uma forma única
"A propaganda é a alma do negócio"
A individualidade torna-se estereótipo
A imitação e o artificial são as novas espiritualizações
A opinião pública é irresistível
A produção em massa move o mundo
Mil homens são um só
Mil duplicatas
Mil vidas perdidas
As essências desaparecidas
E a constante evolução

O "grande homem" surge das cinzas industrias

O sentido abandona o Ocidente diariamente.

27 de mar de 2012

Homens

  O homem que, neste momento, assiste à televisão, absorvendo todas as suas futilidades e enriquecendo a sua ignorância, tem padrão intelectual idêntico ao daquele governante tão insultado pelo mesmo homem. Todos possuem a mesma carga cultural. A ignorância redunda por nosso país, por toda a hierarquia, em todas as classes. Um indivíduo que não sabe o significado da sigla ENEM é um senador*, e este é apenas mais um exemplo.
  O homem que não faz outra coisa a não ser reclamar da política de nosso país, se tivesse a oportunidade, faria a mesma politicagem. O que todos querem é poder.
  Não há diferença mental entre o rico e o pobre das massas alienadas, são todos uns impossibilitados mentalmente. Não há culpado, nem o político, nem o eleitor. Não são todos iguais, mas estão todos iguais. Aqueles que têm um pouco de conhecimento não sabem o que fazer com o pouco de conhecimento que têm. O que eles querem é ganhar esse jogo de poder.
 
  Ignorantes votam em ignorante. Ignorantes governam ignorantes. O mercado cresce, e o estado perde a sua relevância.

  Platão, eu concordo contigo. Por que não colocamos um pensador nos governar? Estaríamos prontos para um nova ideologia. Um liberalismo aristocrático, sem extremos, sem despotismo. Crescimento social em conjunto com o espiritual. Platão, eu também sei ser utópica.

 * Informação retirada de uma entrevista jornalística.

24 de mar de 2012

Dia Cinza

  As pessoas costumam olhar a vista de um dia chuvoso e pensar: "tempo ruim", quando deveriam, na verdade, enxergar o fantástico acontecimento que as envolveria se deixassem com os olhos mais agraciados possíveis.
  As chuvas, tal como os dias ensolarados e brandos, são um presente a nós enviado. E as mais terríveis tempestades são um manifesto no qual poderíamos unir nossas almas. No fim, resta sempre o arco-íris como símbolo da nostalgia que sentimos ao final de todo conflito interno, pois apesar de assustadores, dolorosos e instantaneamente sem sentido, os nossos momentos tempestuosos são os que deixam as cicatrizes mais profundas que modificam, melhorando completamente, nossas vidas. Por isso e por tudo valoriza a tua dor, valoriza os dias cinzas.

16 de mar de 2012

Dignos das Flores II

  - O que você sente por eles?
  - Ternura. Não a ternura que se sente por crianças que vemos cair e levantamos, esquecendo-nos no outro dia. Mas a ternura que sentimos ao pegar um irmão recém-nascido no colo. Ternura de um amor desconhecido e novo em nosso corpo e sentidos.
  - Por isso você os olha deste modo?
  - Que modo?
  - Como se seus olhos brilhantes e confusos os protegessem a todo segundo, a qualquer distância.
  - Acredito que sim.
  - Mas proteger do quê?
  - Das outras pessoas que não são dignas das flores.

11 de mar de 2012

Concreto e Asfalto

  Will olhou por um longo tempo a aliança dourada que brilhava no anular esquerdo de Anna. Então, pegando a sua mão para demonstrar melhor seu pensamento, disse em tom irônico seguido de um olhar curioso - não sabia que era casada.
  - E muito bem, por sinal - respondeu Anna retirando a aliança de seu dedo e entregando a ele.
  Longos segundos passaram-se para que a expressão confusa desaparecesse da face de Will. Compreendendo, leu o que dizia no interior da aliança e sobressaltou-se ao ver que era o próprio nome dela. - Perdão, não entendo - disse Will sem tirar os olhos do delicado anel.
  Anna limitou-se a pegar a aliança de volta com um sorriso, para Will, indecifrável.
  - A sua solidão não é apenas uma máscara - decretou Will num ímpeto, mais para si mesmo.
  - Quem bom que chegou a essa conclusão, mesmo que tenha demorado a perceber. Mesmo por que nem imagino quem gostaria de vestir uma máscara desse tipo. A solidão nunca fez ninguém feliz, Will. Sóbrios, sim, mas não felizes - disse Anna muito séria, como andava sendo sempre nos últimos dias.

  Depois de um e outro copo de vinho, Will foi para sua casa, e Anna ficou novamente sendo a sua única companhia. Já se acostumara e convivia bem com tal situação, talvez a única situação aceitável a si mesma. A sós com seus pensamentos, deu-se conta do quanto a cidade em que residia fatigava-a, já não havia novidades, tampouco pessoas que tivessem o mágico poder de prendê-la ali. Ir embora, novamente, seria a melhor alternativa - seus pensamentos caminhavam por essa trilha. Convencida, arrumou sua mala, não demorou muito, pois adquirira a virtude de não juntar muitos pertences, pois só atrapalhavam suas idas e vindas estrada a fora.

  O próximo avião ao Brasil sairia em três horas, comprou as passagens por telefone. Lembrou-se do quanto ansiara fugir de seu país sem neve e sem futuro e, ironicamente, não aguentava mais o frio e a prepotência da Inglaterra. E isso a fazia pensar se haveria algum lugar, neste mundo, do qual ela pudesse sentir-se em casa, sim, pois cansara de sentir-se em uma aventura sem fim. Queria descansar, olhar ao seu redor e pensar que, finalmente, o seu lugar foi encontrado. Uma vida normal, alguém ao seu lado sempre, um jardim todo seu, uma aliança verdadeira, filhos, quem sabe? Acreditava sinceramente que não, pois converter-se à normalidade nunca fora um desejo seu. As pessoas, os lugares, os conhecimentos, tudo a cansava. Precisava sempre buscar coisas novas. Mas, até quando? Foi feliz assim por muito tempo, mas a velhice solitária a preocupava. Precisava parar e  permanecer. Será que algum dia conseguiria, enfim, permanecer?

7 de mar de 2012

Dignos das Flores

  Naquele instante em que o mundo parece correr muito vagarosamente, consumindo todo o caos e penetrando na mais profunda e bela paz que existe, eu avistei o balanço dos cabelos castanhos, longos e leves dela, perfeitamente naturais. Mirando-a de costas, eu imaginava sua expressão serena de olhar doce, a mesma que era refletida nos olhos dele, porém ela estava sozinha agora, mexendo na terra, tão calma e fascinante que me aproximei.
  Ela, sentindo minha presença, virou a cabeça em minha direção, então, abriu seu sorriso fazendo-me, como sempre, rir espontaneamente em resposta.
  - Arrancaram esta flor com sua raiz pela manhã, e a esqueceram aqui, estou tentando plantá-la de volta - contou-me ela, mostrando o que estava fazendo.
  - Precisa de ajuda? - perguntei.
  - Não, já estou terminando - respondeu ela.
  Ao lado dela, observei-a terminar seu trabalho, absorvendo toda paz e loucura que eu pudesse.

  O menino dos cabelos castanhos, longos e leves chegou um pouco depois. Olhei os céus, estavam todos ainda mais azuis. Tudo estava completo. Eu me sentia completa. Eles estavam comigo, querendo estar comigo, isso bastava tanto...
  Eu nunca havia conhecido pessoas assim, com algo indecifrável, único e agradável, que eu jamais poderia explicar fielmente.
  O silêncio, as trocas de olhares entre eles fascinavam-me.
  Sensibilidade, fragilidade, lealdade ingênua, verdadeira inteligência... e os sorriso e olhares... Tudo absolutamente simples. Eles faziam um sentido enorme dentro de mim.
 
  E eu sinto uma vontade imensa de enchê-los de flores, de todos os tipos e agradecer. Agradecer... porque, para mim, a natureza possui a complexidade mais bonita que existe, no entanto muitas só vêem o superficial e preferem flores de plástico ou qualquer coisa sem vida. São poucas as pessoas que são realmente dignas de receber flores. E eu ainda vou enchê-los delas. E enquanto as contemplarem formarão a imagem mais contemplativa do mundo.

1 de mar de 2012

Por qualquer coisa

"O meu reino por uma boa noite de sono"
Disse o homem esgotado.

"O meu reino pela dama dos cabelos encaracolados"
Disse o homem cego de sentimentos.

"O meu reino por alguma coisa
                    ...por qualquer coisa"
Disse o homem vivo que não vivia.