22 de fev de 2012

Blackbirds

  Os pássaros que passam por sobre minha cabeça andando na rua. E sentada na cadeira do jardim. O pôr-do-sol tem algo de triste e belo como todo fim de tarde. Como tudo que morre pra renascer.
  Os pássaros negros que voam no céu azul sem chuva nem nuvem. Tem sol.
  Os pássaros de minha gaiola estão presos porque os comprei. São meus. São tristes e feios e sem-vida nem canto. Não gosto de olhar. Mas são meus, que os comprei. Se os soltasse morreriam. E viveriam pela primeira vez. Quando abrissem as asas sentiriam a vida no vento. A felicidade na liberdade. E morreriam, enfim. Finjo que não os penso.

  O homem de minha vida nasceu antes de mim, e morreu idem. Desde então, fui a criança viúva dos pássaros negros. E a morte, para mim, sempre foi mais relevante que a vida. Viver é uma coisa que me dói sempre. E quando há sol entristece-me um pouco mais.
  A solidão habitual é algo que me pesa muito de vez em quando. E a minha falta de amor é conformada e contente. Os pássaros negros aparecem sempre no final da tarde (que é belo e feliz, e eu triste).

  Os pássaros fogem felizes da gaiola rumo à morte. Desespero-me. Finjo que não fui eu.

Um comentário:

  1. Bonito texto, mas senti uma tristeza intensa caso fora realidade
    Passa lá tbm... ;) Bjs
    http://estigmaangel.blogspot.com/

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