29 de jan de 2012

Uma luz no fim da ignorância

  Conhecer é captar a essência da realidade, é mudar toda a nossa ignorante e ingênua percepção sobre o que está à nossa volta. Quando conhecemos, colocamos à prova o senso-comum; passamos a enxergar com uma visão até então desconhecida: a nossa, intrínseca e verdadeira.
  A realidade chega a nós de forma explosiva através dos sentidos, desde quando nascemos As novidades experimentadas são constantes, e esse é o nosso primeiro contato com o que podemos chamar de verdade: a experiência, segundo John Locke.
  No entanto, os nossos sentidos junto a nossos pensamentos enganam-nos, pois analisando apenas as antigas experiências acreditamos que estão completamente corretos, quando, na verdade, a realidade está oculta, e precisamos refletir para ter certeza de nossos sentidos, segundo o racionalismo de Descartes.

  Para acreditarmos nos sentidos precisamos da razão.

  Quanto ao ceticismo radical, por acreditar que tudo é ilusão e negar toda e qualquer possibilidade de "verdade", ele não aceita que exista um fato dito ou pensado.

 Há várias formas de conhecer, cabe a nós não aceitarmos a ignorância e buscarmos a verdade, por mais  que não encontremos a resposta, o importante é não deixar de buscar, jamais.

26 de jan de 2012

House of Cards

...um sotaque alemão, um olhar escancarado, um oi comedido, uma cerveja barata, um céu azulado, radiohead tocando ao fundo, um cheiro estranho, gosto de cigarro, um negro contornando os olhos, algo de profundo e hediondo, um café insuportavelmente quente, cabelos embaraçados, um andar triste e outro andar feio, aspecto esquisito, uma vontade que querer fugir, e não conseguir mais do que ficar - e querer mais... foi estranho, muito estranho, diria.
- por que tão feio? por que tão incomum? por que tão solitário? é tudo pra mim?
e vai ficar?
acho que já foi... mas está ali, olhando fixamente para algo que parece comigo, olhando fixamente fixamente fixamente, com olhos grandes e muito abertos, e eu desejei fugir quando desejei você...  tudo tão de repente.

24 de jan de 2012

Patética Loucura

  Posso dizer-te sobre mim:
  Sou louca e patética
  O que pensarás quando me vires assim?
  "É louca é patética!"
  Não vês...? Não sabes...?
  Há uma louca e patética
  Dentro de mim
  Na terrível prisão de mim

  Portas trancadas
  Olho para fora
  Nenhuma saída
  Queria ir embora
  Sou louca e patética
  Me arrombem as portas
  Me tirem daqui
  Me salvem de mim

21 de jan de 2012

Tormenta Interna

 Harte, quando ia a encontros, acostumara-se a levar as mulheres em lugares bem diferentes daquela sorveteria onde se encontrava. Levava as mais extravagantes a restaurantes caríssimos; as mais frenéticas a festas de acesso apenas à alta sociedade; e as mais cultas a cafeterias do centro da cidade. De qualquer forma, essa mulheres também era bem diferente dessa da qual estava - elas sempre se arrumavam impecavelmente, com suas maquiagens minuciosas e seus sapatos de salto-alto - Sofia usava chinelos, bermuda e uma blusinha, ainda assim, nunca saíra com outra garota tão linda e agradável. A única coisa que o incomodava era a idade, ela tinha 17 anos apenas, ele estava nos seus 40. Conhecera-a em uma jantar de negócios que fizera com seu pai. Ela tinha um conhecimento muito amplo para a sua idade e um senso crítico enorme. Ele ficara fascinado ao descobrir que ela lera alguns de seus livros publicados. Apesar de muitos os terem lido, ela foi a única que fez uma interpretação própria e que realmente apreendera o que ele queria dizer no livro - ele já estava acreditando que ninguém compreenderia e contentava-se com: "parabéns, excelente obra."

 - Um livro de filosofia bastante nietzschiana e básica. Resume-se em narcisismo, auto-suficiência e buscar o Deus em si, como o super-homem. Eu acharia um bom livro se eu já não tivesse lido Nietzsche e Heidegger. Como os li, percebo que seu livro trata-se de uma alusão a eles e um livro assim eu poderia ter escrito. - Sofia disse na ocasião, o que o fez rir e concordar com ela. Ele escrevera seu livro baseado nesses filósofos, não que realmente pretendesse relacioná-lo a eles. Contudo, ela o pegara.
 O assunto estendeu-se e ele aceitou em lhe mostrar outros livros que não publicara nem o pretendia. Eram livros íntimos, como os chamava. E ela os adorou.
 - São tão profundos - dissera no dia seguinte, quando os entregou de volta ao dono. - Esses, sim, são únicos e mostram um lado seu. Temos de escrever livros assim, sabe, que mostrem nossas ideias ou nossos sentimentos. Se for para falar das ideias de outros, então temos de dar os créditos - ela falava referindo-se aos livros de filosofia que ele publicara. - Esses livros são incríveis, você deveria os publicar.
 - Eu já disse, menina, eles são íntimos, falam de sentimentos e sensações, não posso publicar. E, de qualquer forma, ninguém gostaria, são apenas bobagens e...
 - Eu gostei - ela o interrompeu. - Lembram-me os livros de meu escritor favorito, Fernando Pessoa, mais ainda, seu heterônimo, Álvaro de Campos. Um tom pessimista, depressivo e profundo. Publique-os.
 Ele disse que não havia feito alusão ao Álvaro de Campos dessa vez, ela riu e pediu novamente que os publicasse e ele negou.

 Agora ele se via na sorveteria conversando sobre coisas das quais ele não estava habituado - sobre a beleza do céu, a sensação de sentir o calor do sol no inverno, o som do mar... e ela desenhava no guardanapo e seu desenho era mal feito e infantil, porém, encantador.
 - Uma casa e um jardim, as únicas coisas que sei desenhar - ela disse sorrindo, e ele pensou que esse "saber desenhar" era relativo, no entanto não quis falar nada, ficou contemplando seu sorriso calado.
 De repente, Harte pensou que sua filha mais nova adoraria esse passeio - sorveteria e parque e assustou-se com o pensamento. Essa menina poderia ser sua filha, porém afastara da cabeça essa ideia... que ideia, ela não era sua filha e nem poderia. Além do mais, era muito madura para julgá-la criança, era uma mulher - uma mulher que desenhava em guardanapos e adorava sorvete de morango.

 Na saída da sorveteria perceberam que estava chovendo muito forte. Não poderiam atravessar a rua e sentar-se no banco da praça embaixo da árvore que ela adorava. "Como não vi antes?" Ele pensava irritado e olhou-a assustado ao perceber que ela ria.
 - Por que está rindo? - perguntou ele confuso.
 - Você não pode sair na chuva? - Sofia perguntou de volta.
 - Não é isso - ele respondeu incrédulo com a pergunta dela. - Você é que não pode.
 - Por que não? - agora ela que perguntava confusa.
 - Porque... vai molhar seu cabelo - disse ele, pois todas as mulheres com que saía odiavam molhar o cabelo.
 - Ah, é mesmo! - exclamou Sofia passando a mão nos cabelos e então olhou para ele com os olhos arregalados. - Então, que estamos esperando?
 Ele não acreditou no que ouvira e viu ela saindo na frente, parecia muito satisfeita com a chuva, sem se importar com sua roupa ou em borrar a maquiagem - ela não estava usando maquiagem, só agora percebera. "Garota peculiar"  pensou e foi atrás dela.

 Depois de correrem como loucos na chuva, sentaram-se no banco e ficaram rindo feito bobos. A sensação era ótima, ele não lembrava da última vez que se sentira assim.
 - Olha pra mim, sentando em um banco de um parque, em meio a uma tempestade com uma menini... - e então se deteve e os dois riram mais ainda.
 - Decidimos que iríamos fazer isso hoje, não é uma tormentazinha que vai atrapalhar.
 - Você é uma garota especial - Harte gritou para ela poder ouvir, as palavras misturavam-se com a tempestade cada vez mais forte.
 - Todos nós somos especiais - respondeu ela gritando de volta em seu ouvido.
 - Uns são mais especiais que os outros - disse ele, e a tempestade ia acalmando-se e eles não precisavam mais gritar.
 - Não, é que uns deixam o que existe de especial neles bem à mostra, enquanto em outros, você tem de procurar bem no fundo para achar o que eles escondem de bom. E todos escondem algo de bom em si - Sofia olhou profundamente para ele. - Vou citar um homem que conheci uma vez como exemplo, Bill era o nome dele. Bill era um operário comum, como qualquer outro, ele trabalhava mais do que deveria e ganhava muito pouco. Ele vivia bêbado e fumava muito. Tinha uma mulher que não recordo o nome e ele quase não falava nela, como se não a amasse, referia-se apenas como alguém que cuidava de sua casa. Seu filho mais velho estava casado havia dois anos e nunca mais o procurara, sua filha caçula tinha apenas três anos e morava com a avó; tudo indicava que ele não era um bom pai. Ele gastava a maior parte de seu dinheiro com prostituas e chegava bêbado em casa. Meu pai conhecia-o e avisou-me que ele não era uma boa pessoa. E pensávamos assim, até o dia em fomos a um bar e encontramos Bill lá e conversamos com ele. Nesse dia, Bill um pouco bêbado e tomado pela melancolia contara-nos que não aguentava mais ser abusado no emprego, que não tinha tempo para viver, não tinha folga nem horário de almoço; o dinheiro às vezes vinha, às vezes não, tinha sempre de pedir a sua sogra, que já cuidava de sua filha, o que era uma grande humilhação. Odiava chegar sóbrio em casa e ter de olhar para a sua mulher e perceber que não lhe dera a vida que prometera, por isso bebia. Aliviava sua tensão com outras mulheres. Mulheres, bebidas e cigarros eram o que lhe restava e ele não tinha esperanças que algo melhorasse. Então, compadecemo-nos dele e no outros dia fizemos uma visita em sua casa à noite e vimos o que não enxergávamos antes: havia retratos de seus filhos por toda a casa, sempre que olhava para sua mulher ou dirigia-lhe a palavra era de forma doce e cheia de amor. A casa era humilde, mas era muito bem cuidada e ele parecia dar muito valor a tudo que tinha, como poucos e estava realmente contente em nos receber. Esse homem possuía uma sensibilidade incomum, que é raramente encontrada em vidas tão sofridas como a dele. Nesse dia eu descobri o que esse homem tinha de especial. E não só ele, que todos deveriam ter algo especial, basta conhecermos e compreendermos as pessoas.
 Harte estava entorpecido, ela era fascinante.
 - Eu tenho um bom exemplo também. - Olhou-a hesitante e continuou - havia um homem que desde pequeno fora acostumado ao luxo e ensinado que o dinheiro vinha sempre em primeiro lugar. Ele não tinha amigos, pois seus pais não queriam que ninguém o corrompesse e nem atrapalhasse seus estudos. Quando ele tinha uns seis anos, fugiu para tomar um banho de chuva e nunca recebera pior castigo, depois disso nunca mais sentia a maravilhosa sensação da chuva fria tocando seu pele numa tarde extremamente quente como esta. Cresceu amargurado, seco e solitário, casou-se uma vez, teve duas lindas filhas que nunca o tiveram presente por causa de seu trabalho que lhe ocupava todo o tempo, inclusive quando estava em casa. Sua mulher quase nunca o via e quando o fazia, sentia-o sempre distante, ela não aguentou por muito tempo e foi embora levando as meninas. Ele perdera a primeira chance de felicidade sem sequer ousar fazer algo para impedir isso, tampouco achava importante impedir isso. E continuou em seu mundo árido, rodeado apenas trabalho e funcionários, sem nunca sorrir. Até que um dia ele conheceu uma jovem muito atraente e inteligente. Essa jovem tinha o sorriso mais lindo que ele já vira e despertava nele todos os sentimentos que ele tinha trancado dentro de si por anos. Ela desenhava muito mal em guardanapos e adorava seus desenhos, mesmo assim; criticava seus livros que vendiam impressionantemente bem; e fora a única que ganhara a confiança de ler seus escritos íntimos, seus segredos sentimentais. Seus olhos brilhavam e ele sentia a vida dentro dela. Essa jovem fascinante levou-o para viver um pouco, o que ele não sabia fazer direito e deu-lhe um banho de chuva. Ela assassinou o robô apático e acordou o ser humano que existia dentro dele. Ela o fez descobrir o que ele tinha de melhor em si.
 Sofia sorria e ficava ainda mais linda, encantada com o que ele dissera. Então ela o beijou e ele assustado correspondeu sem pensar ou questionar mais nada que pudesse parecer-lhe estranho. Apenas aproveitou as maravilhosas sensações que evitara durante toda a sua vida. Ele estava vivo, finalmente.

 Alguns anos depois, esse novo homem, publicou seu primeiro livro "Tormenta interna", com seus textos mais profundos e de modo supreendente esse fora um sucesso, vendera e conquistara muito mais leitores do que os outros livros que publicara antes. E como os outros livros que publicou a seguir, ele fez a dedicação agradecendo a garota que salvara a sua vida em uma belíssima tarde de chuva.

18 de jan de 2012

Revoltas sem Razão

     *Escrito em 2011
   
     Diante de tantos problemas sociais; como a corrupção, a violência, o preconceito, entre outros; os estudantes da mais conceituada universidade pública do Brasil, a USP, revoltaram-se contra a repreensão ao uso da maconha. Esses jovens demonstraram uma grande vontade em rebelar-se e exigir os seus direitos, em contraponto, eles pareceram não saber o que exigir. O contrasenso desse caso da USP foi a futilidade e a alienação presentes na revolta.
     Os estudantes possuem o poder de reformar um país. O movimento dos Caras Pintadas retrata isso. Contudo, ao que parece, os jovens perderam a sua voz ativa e os seus ideais nessa última década. A utilização de maconha em universidades não é questão de liberdade ou direito. Afinal, nenhuma instituição educacional é local adequado ao uso de qualquer espécie de droga. Revoltar-se contra isso, com tantos outros problemas no Brasil, é não saber com o que se revoltar.
     Pode-se ver uma consciência contrarrevolucionária surgir nas mentes de alguns estudantes devido a essa inquietude sem direção e esses ideais descabidos. A frase irônica "papai paga tudo pra mim, por isso eu tenho tempo de me revoltar" presente em cartazes de um antiprotesto, que sucedeu a revolta dos estudantes da USP, demonstra a indignação de outros jovens com esses neorrevolucionários.
     Enfim, a alienação está presente inclusive em revoltas, atualmente. A irrequietude dos estudantes mostra-se sem rumo e/ou objetivos relevantes. Razões pelas quais o respeito de outras pessoas por mobilizações sociais apresenta-se menor a cada dia. O povo não deve calar-se mediante toda e qualquer ação do governo, todavia, precisa-se de motivos relevantes para a sucessão de suas revoltas.

15 de jan de 2012

Green Hill

  Aí é junho, e aqui dezembro... de qualquer forma faz muito frio... e há neve... neve branca... o que estou dizendo? Os tempos são ruins, e os dias são longos. Dezembro se dá negro... sem você aqui. Você precisava saber... eu subi na mais alta colina, o topo é verde sob um manto branco de gelo, eu posso ver toda a neve do mundo, você iria adorar... mas o que estou dizendo? É imprescindível, todos precisamos passar um tempo sozinhos, e você sempre soube disto melhor do que ninguém. Mas eu sei de todas as suas mágoas, suas questões sem resposta. Você está morrendo aos poucos, e eu estou assistindo a isso, eu posso ver... acredite, todos os dias eu posso lhe ver... e eu posso dar respostas às suas perguntas. Anna, ao meu lado nunca estaria só, então, me procure, você sabe onde estou
 John.

                                                                                       -
  Se você me amasse, poderia me deixar ir.
 Anna.

13 de jan de 2012

Clichê anti-BBB - um problema?


     Algum tempo atrás o BBB era febre, e a maioria da população tinha apenas comentários bons sobre o programa - os revoltados anti-qualquer-coisa criticavam essas pessoas, chamando-as de alienadas, clichês, etc. Hoje, vemos um "progresso": as mesmas pessoas que outrora assistiam o programa passaram a criticá-lo fortemente, deixando claro o quanto repudiam esse tipo de frivolidade: a imposição da mídia sobre o padrão de beleza, o baixíssimo nível cultural, o interesse por coisas que não levam a nada, etc. - os revoltados anti-qualquer-coisa criticam essas pessoas do mesmo modo.
     Tudo bem que criticar programas da Rede Globo, músicas pop's do momento e qualquer tendência sem nenhum atrativo cultural/intelectual está tornando-se algo realmente clichê, no Brasil. Acho que talvez essa seja a nova "tendência". 
     Tendência em repreender o BBB, humorísticos como Zorra Total, músicos como Michel Teló, interferência da mídia na política brasileira, etc. Eu realmente tenho visto tais censuras o tempo todo no facebook, twitter, entre outros do gênero. Todavia, senhores superiores, isso não poderia ser algo bom? Será que não é o início da evolução que tanto esperávamos? Até ano retrasado minha revolta contra a Globo e seus programas era compartilhada com pouquíssima gente. Hoje, eu observo praticamente calada eles enxergando por si próprios os absurdos da nova época. E, no fim, eu fico imensamente contente com esse novo clichê. A nova tendência pode ser favorável. As pessoas estão manifestando-se cada vez mais. Elas começam dizendo que não gostam de programas fúteis; em seguida elas realmente passam a não participar destes; por conseguinte elas gastam o seu tempo com atividades mais interessantes; e quando percebermos, a ignorância brasileira ficou no passado. É questão de tempo. É questão de compreender.
      Em breve, será comum vermos manifestações contra a política brasileira com boas bases. Então, os anti-qualquer-coisa aparecerão pra criticar o clichê disso também.

    A questão é, por um segundo, tentar compreender no lugar de criticar; dar um fundamento aos seus argumentos que vão além de "isso é clichê". Críticas sociais apenas para mostrar superioridade intelectual sem um real valor para a sociedade são insignificantes. 
     A compreensão é que pode salvar o mundo.

11 de jan de 2012

Lei da Palmada

"Está no Código Civil: 'perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que castigar imoderadamente o filho'. Mas afinal, o que é castigo moderado?

'São dez chibatadas? É o cinto do lado do couro ou do lado da fivela?', questiona a deputada e relatora do projeto, Teresa Surita (PMDB-RR).

'Hoje o pai dá uma palmada e vê que deu certo. Amanhã ele não conversa mais com o filho, vai direto para a palmada', completa."

-

Apenas eu que não achei uma má ideia a Lei da Palmada?

Diferente do que muitos andam dizendo por aí, a lei não está proibindo que você eduque o seu filho como o desejar. O nome da lei é um erro, pois não é uma simples palmada que irá tirar os filhos de perto de seus pais, convenhamos. O que eles estão querendo evitar é que crianças cheguem nas escolas com manchas roxas e todos já estejam prevenidos pensando sobre o pobre pai ignorante: "ele está apenas 'educando o seu filho', da forma mais fácil, mas está."
No entanto, se você realmente deseja educar o seu filho com uma chibata, ou algo do gênero, pendurada na parede... bom, é melhor ficar apenas com um cachorro.


Claro que a intenção deles é boa. A lei é perfeitamente aceitável nos Estados Unidos, nos países orientais e na Europa. Mas no Brasil, enxerguemos o óbvio, não dará certo. É só olhar com atenção. A grande questão não é a interferência do estado nas famílias, nada disso, e sim o fato de que um país que não controla nem a violência nas ruas, que é o mínimo, não conseguirá controlar a violência cotidiana dentro das casas.

Mas a minha opinião é a seguinte: bater no filho educa? claro que sim! mas é o método mas fácil e ignorante de todos. Não é nada complexo, agrida ele fisicamente e ele temerá você até que cresça o suficiente para entender alguma coisa. Eu acho um tanto covarde. E diante de tantos outros métodos, acredito que se você conhece apenas o método da agressão física, deveria repensar antes de ter um filho. Ter uma criança requer uma boa capacidade mental e muitas meditações - para, principalmente, educar o filho com paciência recorrendo a métodos eficazes que não precisam, necessariamente, ser violentos. Mas pensar e ter desejo de aprender é uma coisa que o brasileiro não faz muito.

Enfim, a lei me pareceu boa. Aplicá-la neste país violento por natureza é que não será nada fácil.

9 de jan de 2012

Sweet Darkness

  Joana desceu correndo as escadas e sentou-se apressadamente na cadeira de balanço em seu quintal, pousando seu olhar no primeiro festival de neve que caía em sua frente, suave e terno, o primeiro do ano. Janice, a empregada, foi ignorada no banco ao lado, onde descansava do serviço e fumava seu cigarro.
  - Pode me dar um? - perguntou Joana, apontando para o cigarro.
  - Não sabia que a menina fumava - disse a empregada, entregando o mesmo.
  - Só quando eles não estão em casa - respondeu Joana, referindo-se aos seus pais.

  Janice passou os minutos seguintes observando os modos peculiares da moça: parecia bastante contente em contemplar o céu e sentir o ar frio, com as faces ruborizadas deixando-a com um aspecto saudável, o que contradizia os seus cabelos lisos e negros caídos de qualquer maneira sobre o rosto, oleosos de sujeira, e as olheiras constantes, negras e profundas, como se estivesse sempre doente. Joana costuma sair raramente de seu quarto, e inspirar um sorriso com alguma coisa é ainda mais difícil. Certa obscuridade toma conta de seu mundo. Por isso enquanto ela contempla o céu caindo em neve, Janice contempla-a ainda mais - a criança que vira crescer e depois desapareceu, perdeu-se, trancou-se em si, todavia, em pequenos momentos, por coisas tão simples, a sua menina parecia retornar à vida.

7 de jan de 2012

O Neoliberalismo e suas Máscaras

  Apesar de todo sofrimento que é causado à maioria dos cidadãos, com todas as suas condições precárias, e apesar, também, de que esses se tratam realmente de uma maioria, eles não se opõem diretamente à ideologia neoliberal, alguns por real falta de possibilidades, outros por estarem mergulhados na mais profunda ignorância. O que acontece é que a culpa não cai apenas sobre eles, existe forças manipuladoras muito maiores.


Máscaras comuns:

  A sujeira sob o tapete – aqueles que comandam no neoliberalismo sem dúvidas não comandam para uma maioria, apenas fazem com que esta acredite nisso. Em suas propagandas políticas vemos que tudo é direcionado aos pobres, aos que necessitam de atenção. Tudo é feito sob detalhes minuciosos para os convencer de que o melhor que fazem é eleger as elites. Estas se fantasiam de classe trabalhadora para chamar a atenção da mesma, e escondem sob suas maquiagens todos os seus verdadeiros ideais, que nada tem a ver com interesse da população.

  Darwinismo social – as mentes brasileiras foram tomadas pela ideia de que o resultado virá com o esforço, que isso é certo, lógico. Os programas de televisão mostram os raros casos de pessoas de classe baixa, que conquistaram algo pertencente às elites, por exemplo, boas oportunidades para melhorar de vida, e deixam claro que é querendo e buscando que se consegue – “oportunidade para todos.” Contudo, não é bem assim que o sistema funciona. As exceções transformam-se em regras para confundir a mentalidade de brasileiros, e aumentar o preconceito e prepotência de alguns.
  A teoria de Darwinismo social (uma analogia à teoria evolucionista) diz que apenas os mais capazes poderão crescer e evoluir socialmente, e quem não o conseguir, é por que não se esforçou o suficiente. O que eles não sabem é que todos possuem a mesma capacidade, a grande diferença está na falta de oportunidades para uma maioria, ou seja, não importa o quanto se esforcem, as chances de evoluir de acordo com a sociedade são mínimas, pois diferente do que eles dizem, as reais expectativas do Darwinismo social não se tratam de quem luta e trabalha mais, pelo contrário, são esses que continuarão estagnados na base da pirâmide.
 
   Mídia – para os governantes continuarem no poder a população precisa não agir, e para a população não agir é necessário propagar a ignorância, eis o papel da mídia (da maior parte dela).
  Pessoas de baixa renda não têm acesso ilimitado à internet, e as informações chegam a elas através de canais da TV aberta, jornais, rádio, e todos os meios de comunicação minuciosamente vigiados, manipulados e censurados pelos governantes, como se fosse mais um método de proteção. Elas não escolhem o que digerir, as informações estão prontas, são tendenciosas. O jornalismo do qual estão habituados é sensacionalista. Os programas interessantes não são mais do que bobagens. Então, essas pessoas tornaram-se indolentes, conformadas com a sua condição; não há revolucionários; não há expressões; sequer podemos ver ideais novos. Ninguém clama por seus direitos ou por mudanças, pois quem o faz é malvisto pela sociedade, é difamado pela mídia.
  Famílias carentes sentam-se no sofá para o seu lazer de domingo: olhar as futilidades na televisão. Esta não se preocupa em fazer campanhas ou incentivar um estudo político para ajudar a melhorar a vida de seus telespectadores, ao contrário, incentivam o ócio mental todos os dias. 
 

5 de jan de 2012

Consequências do Neoliberalismo


  Os produtos importados e o mercado externo passaram a ser incentivados pelo governo. No início tudo correu bem, a economia realmente cresceu. Todavia, o governo passou estimular ainda mais os investimentos externos, chegando à nossa tão conhecida privatização de empresas estatais. A partir disso, o Brasil caiu nas mãos do mercado externo, de multinacionais, de empresas privadas e de burocracias absurdas.
 
  O crescimento econômico atingiu o descontrole total, com a sua liberdade de mercado e preços. As dívidas aumentaram, junto com o índice de desemprego e a desigualdade social.

  Diferentemente do estado de bem-estar social, a política neoliberalista nunca produziu para a população, e sim para os próprios produtores. As necessidades sociais não têm a menor relevância, apenas os lucros são importantes no neoliberalismo, os lucros individuais e o crescimento constante de uma economia pertencente a uma minoria.
  
  A intervenção do estado é mínima, e quando é feita, é de forma precária, fazendo com que a maioria dos cidadãos de classe média seja atraída para as empresas privadas. A sua ingenuidade impede que eles acreditem em um governo de estado melhor, e a sua carência impulsiona-os a aceitar as condições impostas pelo neoliberalismo.

  No Brasil, como em outros países neoliberalistas, o estado já não tem qualquer soberania, esta foi perdida para o mercado, principalmente externo. Os governantes atuais governam para as elites, e apenas para as elites. Sem dar ênfase no fato de que estas fazem parte de uma porção mínima comparada a classe trabalhadora (a qual não recebe nenhuma vantagem com tal governo). Sem uma ditadura bruta e exposta, não haveria modo desse governo capitalista continuar assumindo o poder, a não ser enganando a maior parte da população, então o fazem.

3 de jan de 2012

Ideia Neoliberal

      Segundo Friedrich von Heyek, a desigualdade social é necessária, pois se todos atingirem o mesmo patamar socioeconômico, iremos em caminho à estagnação. A justiça social é disseminada, pelas elites, como uma forma de parasitismo.
      O pensamento de que a desigualdade apenas se dá, aqui no Brasil, porque a maioria dos brasileiros é incapaz, pois os capazes melhoram de vida e atingem o paraíso que é ocupar o topo da pirâmide econômica, faz com que a vida dos operários seja mesmo um inferno, onde são escravos do, ao mesmo tempo, deus e demônio “mercado capitalista.” 
     Qualquer ideia de igualdade social é descartada, pois é justamente a diferença alarmante de classes que move a nossa economia e seus lucros. Toda a esperança de melhora de vida deve ser desconsiderada, pois essa não é, e nunca foi a proposta de tal ideologia. Afinal, sempre será preciso daqueles, que sem condições/opções, fazem o trabalho pesado em favorecimento de outros.  
     A ideia neoliberal pode resumir-se em crescimento de poucos às custas de muitos, basicamente.      
     A ganância e egoísmo de muitos poderosos fizeram do Brasil o que vemos hoje, uma sociedade capitalista de assombrosa desigualdade social, vemos pessoas passando por necessidades que são absurdas em um país de porte como este. Essa mesma ganância e egoísmo é o que impede que o estado possa, de alguma forma, intervir na economia e auxiliar a população.  
     O neoliberalismo tomou conta do Brasil, e existem diversos fatores que fazem com que essa ideologia continue no comando. Assim continuará até que a população abra os olhos e exija seus direitos. A solução pode estar, e provavelmente está, muito próxima, talvez numa nova ideologia, um novo governo, um poder maior ao estado. 
     O que acontece é que o fato de que tal situação chegou ao limite e que precisamos de uma reforma urgente é irrefutável, todavia, a questão é – ninguém está de mãos atadas, deveras são os olhos que estão vendados, então, como nos livrarmos destas vendas?