27 de dez de 2011

Sufocando

Não me exija mais que uma análise
Não espere qualquer explicação
Apenas digo: ao que sinto não devo dar vazão
(ou razão)
É como em escuridão infinda
Você ainda se perder ao mar
Ao tentar fugir do fogo que é cuspido contra você
E o desespero de nada poder
E sofrer, descrer, morrer e salvar
Justo aquele que ao supor amar
Fechou o punho, os olhos, não ousou
E morrendo no abismo negro e congelante
Com a alma por ele a gritar
Vê muitos vindo de longe ajudar
Menos ele...
Menos ele...
Meu Deus, menos ele!

E na margem, encharcada e exausta, não pude levantar
E você, tal qual o grande rei,
Com tronco estendido estava o horizonte a fitar
Sem dar por mim, morta como um cão, virou-se e pôs-se a andar
E eu salgada ao pé do mar
Vi lentamente a escuridão me buscar
E me afogar

2 comentários:

  1. Retribuindo a vistita e aproveitando para falar que este é um ótimo texto.
    Continue assim.
    To seguindo.
    http://www.carlosrodrig.blogspot.com/

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  2. Trágico e belo, gostei muito do poema e de um outro texto que li há pouco que falava sobre o talvez " bom clichê ".
    Gostei também do seu blog, ganhou um seguidor :)

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