12 de dez de 2011

Sempre ao seu lado

  Um tom raro de laranja invadia pouco a pouco o céu a oeste. E John, com lágrimas e cansaços nos olhos, não enxergava mais nada além das sombras de vastas árvores sobre o lago escarlate da Ilha de Mares Vermelhos. E o olhar grave e preocupado do qual tanto adorava não saía de sua mente.

  - Seu maluco, veste já esse casaco - bradava Anna desesperada, com os cabelos cheios cobertos de flocos de neve. Eles, vasculhando partes desertas da Ilha de Neves Brancas, haviam encontrado um lago muito belo e, até então, desconhecido por eles. - Sabe que se você se atirar nesta água morrerá congelado.
  - E o que você vai fazer? - ele perguntou desafiando-a, sem deixar de rir.
  Anna, tirando o casaco, respondeu ainda mais desafiadora, porém sem conseguir esconder completamente o pavor - eu vou me atirar também.
  - Você não ousaria... Por que faria isso? - perguntou John sem acreditar,
  - Se atira que eu me atiro! - respondeu Anna irritada o suficiente para cumprir tal promessa.
  Anna tinha a expressão muito séria, que se transformou totalmente em incredulidade e horror ao ver John pulando no lago quase congelado. Sem pensar, ela se jogou em seguida.
  A fúria tomou conta de cada célula de seu corpo ao perceber que John ria como um tolo, pois a água estava inacreditavelmente morna.
  - Eu não acredito - gritou Anna furiosa. - É um idiota!
  - Quem não acredita sou eu - disse John controlando-se para não rir tanto, saindo da água e vestindo seu casaco para não congelar verdadeiramente no frio seco de pleno inverno. - Você realmente pulou!
  - Como você sabia que o lago era quente... Ah, não importa - disse Anna fazendo o mesmo que ele.
  - Anna, sobre o lago, é um truque que aprendi a fazer, mas isso não faz diferença diante do que acabou de acontecer - disse John. - Você pulou atrás de mim, pulou acreditando que era um lago semi-congelado. E por quê?
  - Você faria o mesmo por mim - respondeu Anna sem hesitar.
  - Como pode ter tanta certeza? - perguntou John confuso e emocionado.
  - Não sei, apenas sinto -  respondeu Anna penetrando nos olhos verdes e vivos dele.

  E agora, beirando um outro lago, a universos de distância de Anna, literalmente, ele sentia-se falecendo aos poucos e muito dolorosamente. De quando em quando, podia sentir a presença dela. Sabia que ela igualmente o sentia. Porém, já não era o suficiente. Então, passara os seus intermináveis dias a pensar: como restaurar a conexão?

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